Flores para um sábado perfeito!

12 02 2022

Papoulas, 1946

Leopoldo Gotuzzo (Brasil, 1887-1983)

Óleo sobre tela,  64 x 80 cm





Rio de Janeiro, Rj, Brasil

11 02 2022

Paisagem de Santa Tereza – Rio de Janeiro, 1978

Joaquim Tenreiro (Portugal/Brasil, 1906-19920

óleo sobre tela, 27 x 35 cm





Leituras de 2022: A Biblioteca da Meia-Noite, Matt Haig, resenha

9 02 2022

Viviane Villalon(Mans, França)

Votado Melhor Livro de Ficção em 2020, pelos leitores do site Goodreads, com mais de dois milhões de volumes vendidos no mundo, era inevitável que dois de meus grupos de leitura se interessassem por A biblioteca da meia-noite, do inglês Matt Haig, traduzido no Brasil por Adriana Fidalgo.  Sempre tento colocar o livro que leio no contexto para que foi criado: que leitores esse autor desejou alcançar?  Teve sucesso nesse objetivo?  A ambição do autor é ser conhecido como um clássico?  Ou sua intenção é uma diversão? Estas perguntas guiam minha perspectiva na resenha.

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A biblioteca da meia-noite começa com o desencanto de Nora Seed que,  aos trinta e cinco anos, se sente sem perspectivas na vida.  Acredita que nada no correr de sua existência deu certo, que suas decisões sabotaram qualquer potencial de sucesso em diversos campos de ação.  O desapontamento consigo mesma domina suas ações e pensamentos. Eventualmente, Nora Seed tem oportunidade de conhecer algumas de suas vidas paralelas, caso tivesse feito diferentes escolhas.  Ainda que este tema tenha sido amplamente explorado na ficção contemporânea, como na refinada prosa de Kate Atkinson, O fio da vida; na thrilling ficção científica de Blake Crouch em Matéria escura, e mais recentemente, na obra prima, marco na literatura contemporânea,  4321 de Paul Auster, (esses foram os que li), ainda assim, esse início de livro me lembrou bastante o filme A felicidade não se compra, de 1947.  Talvez tenha sido a semelhança de atitudes dos principais personagens de filme e livro. A lembrança de Jim Stewart como George Bailey se instalou em minha mente principalmente quando refletia semelhantes surpresas no correr da narrativa entre Nora Seed, deste livro e George Bailey, protagonista do filme de Frank Capra.

Não consegui tampouco esquecer o tom de aconselhamento; a preocupação de mostrar a importância de seguirmos nossos sonhos, confiando no potencial inerente de cada um. Didático?  Autoajuda?  Não sei bem classificar.  Mais sofisticado em linguagem e trama que muitas parábolas contemporâneas criadas por autores com Paulo Coelho, Robin S. Sharma, Rhonda Byrne, este livro tem um pouco de fantasia, de referências à física quântica, muitos diálogos e reflexões.  Trata de problemas existenciais e da procura do amor.  Ainda que abertamente a proposta do livro não seja um guia de autoajuda, há a distinta preferência por frases de efeito, que nesta obra recaem nas inúmeras citações de versos e máximas de Henry David Thoreau, [o escritor favorito de Nora Seed], Bertrand Russell, Sylvia Plath e outros. 

Ela se deu conta de que não importa o quão sincera a pessoa seja na vida, os outros só enxergam a verdade se estiver próxima suficiente da realidade deles.  Como Thoreau escreveu: ‘Não é aquilo para o que você olha que importa, mas o que você vê.‘” [257-8]

Matt Haig

A biblioteca da meia-noite é excelente entretenimento.  É um texto que nos convida a ponderar sobre nossas escolhas. Portanto tem a habilidade de ficar com o leitor por algum tempo depois da leitura.  Como muitos dos livros publicados desde a virada do século usa a popularização da Teoria das Cordas, para explorar a possibilidade de existências paralelas.  Pode ser visto também como um livro de aconselhamento, que leva o leitor a se sentir confortável com sua vida e suas escolhas. 

 

 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

9 02 2022

Composição com frutas da série ‘Oferendas’, 2007

José Guyer Salles (Brasil, 1942)

aquarela sobre papel, 55 x 65 cm

 





Palavras para lembrar: Umberto Eco

8 02 2022

Retrato de Mimi Gross Grooms, 1966

Benny Andrews (EUA, 1930-2006)

óleo sobre papel colado em placa, 37 x 29 cm

 

 

“Todos os grandes escritores são grandes leitores de dicionários: eles nadam através das palavras.”

 

Umberto Eco





Em casa: Elin Kleopatra Danielson Gambogi

6 02 2022

Depois do café da manhã, 1890

Elin Danielson-Gambogi (Finlândia, 1861-1919)

óleo sobre tela, 67 x 94 cm

Coleção Particular





O cotidiano, Sayaka Murata

5 02 2022

À beira d’água, 1929

Lucien Jonas (França,1880-1947)

óleo sobre tela , 50 x 65 cm

 

 

 

“Eu, porém, continuo repetindo aquela mesma cena. Desde então, já vi a mesma manhã 6.607 vezes.

Coloquei os ovos delicadamente dentro da sacola. São os mesmos ovos que vendi ontem, mas diferentes. A Senhora Cliente insere os mesmos hashis dentro da mesma sacola de ontem, recebe as mesmas moedas e sorri para a mesma manhã,”

 

Em: Querida Konbini, Sayaka Murata, tradução de Ruth Kohl, São Paulo, Estação Liberdade: 2018, p. 74.





Flores para um sábado perfeito!

5 02 2022

Flores na janela, 2012

Maria José Marinho (Brasil, contemporânea)

óleo sobre tela, 40 x 40 cm





Leituras de 2022: Herança, de Miguel Bonnefoy, resenha

3 02 2022

Mulher descansada, 2009

Lole Ferrada Sullivan (Chile, 1962)

 

Cheguei ao livro Herança, de Miguel Bonnefoy (tradução de Arnaldo Bloch) com boas expectativas.  Recebeu o Prix des Librairies, em 2021, na França, que já premiara autores que vim a admirar.  Francês, conectado com a América Latina, terra de nascimento de seus pais, e já tendo dois livros premiados, Miguel Bonnefoy parece a voz certa para para abordar cem anos de história de uma família francesa, imigrante para o Chile, como a sinopse relata.  Enredo promissor, que começa e finda na França, nos traz uma variante das histórias de imigrantes. Estamos acostumados a saber daqueles que se estabelecem na França vindos de outras culturas;  pouco se retrata o francês que saiu para novas terras ou antigas colônias.

Miguel Bonnefoy conta as aventuras e valores das gerações de Lonsoniers que sobrevivem e prosperam no Chile de 1873 a 1973. Retrata também a dualidade de identidades que permeia o coração dessas pessoas que herdam culturalmente a identidade europeia, ainda que vivam em outra terra forjando nova identidade ao sul do Equador.  Essa conhecida dualidade de sentimentos vem à tona diversas vezes durante a saga da família, em diferentes gerações, começando com a primeira geração pós imigração, que se vê obrigada a ir lutar no front da Primeira Guerra Mundial. Mais tarde, outras pessoas irão também se ver abraçadas por essa herança cultural que a cidadania francesa lhes traz, ainda que tenham o Chile como lugar onde vivem e prosperam. Através de décadas todos os descendentes dos Lonsoniers mantêm essa dualidade.

 

 

Tenho dois senões quanto à obra.  O primeiro tem a ver com a herança literária deixada por de Gabriel Garcia Márquez para dezenas de escritores latino-americanos que insistem em trabalhar no realismo mágico do autor colombiano e sistematicamente deixam a desejar nas suas narrativas. Só há um Gabo.  Só houve um Gabo, fenomenal, com grande facilidade de nos levar através de sua mágica a Macondo e seus habitantes. Cem anos de solidão é considerado o segundo mais importante livro da literatura hispânica, tendo Don Quixote de La Mancha, em primeiro lugar. Parte de sua importância está justamente no entrelace de realidade e sonho; na habilidade de seduzir o leitor que passa a não questionar o irreal.  Miguel Bonnefoy, claramente admira a escrita de Márquez.  Como sabemos disso?  Graças ao aforismo criado por Charles C. Colton, escritor inglês de temperamento excêntrico que  enunciou: “a imitação é a mais sincera forma de elogio” [Imitation is the sincerest form of flattery]. Esta observação foi mais tarde revista por Oscar Wilde, que a completou, “a imitação é a mais sincera forma de elogio que a mediocridade pode prestar” [Imitation is the sincerest form of flattery that mediocrity can pay to greatness]. Miguel Bonnefoy não é medíocre. É um bom escritor.  Tem ritmo, assunto e ideias que merecem melhor tratamento.  Ele diminui sua escrita e criatividade ao se prender a um estilo que não é seu.  Gostaria de ver a mesma obra, contada à maneira de Bonnefoy e não ao modo de Gabo.

 

Miguel Bonnefoy

 

 

O segundo ponto que ressalto tem a ver com o as duas diferentes narrativas encontradas no livro.  Há a que pode ser mais facilmente chamada de realismo mágico que se desenvolve aos poucos, desde o primeiro capítulo, chegando a um ponto máximo nas gerações seguintes, até a última, a geração de Ilario Da.  Nesta fase, temos personagens com paixões, com idiossincrasias, com excessos, repletas de mistério sobre o que fazem, o que colecionam, o que pensam e seguimos de surpresa em surpresa, sem chegar a maior profundidade sobre o que os leva às ações, aos sentimentos e comportamentos exóticos que os Lonsoniers demonstram.  Mas, subitamente, deixa-se de lado a mágica, o sonho, a poesia para entrar numa narrativa realista extremamente detalhada de todos os males da ditadura chilena de Augusto Pinochet.  É uma virada artificial na voz narrativa do livro, que parece encomendada para ter sucesso nos meios políticos apoiados pelo autor.  Há uma traição, pode-se dizer, daquele leitor que apesar de ter reserva com a imitação a Gabriel Garcia Márquez, a aceita e está próximo de levar a cabo a leitura, para de repente, se ver preso nos abusos realistas, nas torturas, no dia a dia dos subterrâneos que escondem os agravos de governos ditatoriais, de qualquer naipe que sejam, neste caso na ditadura de Pinochet.  Esse novo caminho da história contada, surpreende, desagrada e mostra que Miguel Bonnefoy se rendeu aos ditames do “politicamente correto”  empobrecendo em muito o que até então havia sido uma narrativa charmosa ainda que imitativa.

Pena.  Este tem todo o jeito de ser um livro que cairá no agrado de  muitos leitores.  Não posso recomendar sem essas ressalvas.

 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.





Imagem de leitura — Arthur Ernst Becher

1 02 2022

Moça lendo em canoa, c. 1910

Arthur Ernst Becher (EUA, 1877- 1960)

aquarela, 20 x 27 cm