Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

22 06 2022

Natureza morta, 2018

Victor Wichter (Brasil, contemporâneo)

óleo sobre tela, 38 x 46 cm





“Paisagens de minha terra”, poesia de Brasil Pinheiro Machado

21 06 2022

O retorno, 2002

Giovanni Santarelli (Brasil, 1971)

óleo sobre tela, 60 x 80 cm

 

 

 

 

Paisagem de minha terra

 

Brasil Pinheiro Machado

 

Manhã de domingo de sol reto.

A grande igreja sem estilo

Decorada por dentro por um batismo de Cristo

Feito por um pintor ingênuo

Que quis ser clássico e foi primitivista.

 

Missa internacional

Com gentes de todas as raças

Ouvindo o padre alemão rezar em latim.

 

A gente nem tem vontade de olhar o crucifixo desolado

Nem de rezar

Porque tem lá dentro tanta menina bonita

Que não reza também

E fica sapeando a gente com meiguice…

 

Só os polacos de camisa nova por ser domingo

Que vieram com as famílias de carroça lá das colônias

Rezam fervorosamente

Enquanto nos seus quintais

Os chupins malvados e alegres

Comem todo o centeio

Cantando glórias pro sol de domingo.

 

 

Em: 101 Poetas Paranaenses: V.1 (1844 -1959) –  antologia de escritas poéticas do século XIX ao século XXI, seleção e apresentação de Ademir Demarchi, Curitiba, Biblioteca Pública do Paraná: 2014, p.94





Nossas cidades: Vitória

21 06 2022

Vitória, 1929

J. Carvalho (Brasil, 1900- 1989)

[João Soares Carvalho]

óleo sobre tela, 65 x 95 cm





Curiosidade literária

20 06 2022

Senhora sentada lendo, década 1930

Roland Wakelin (Nova Zelândia-Austrália, 1887-1971)

óleo sobre madeira

John Steinbeck disse a um amigo que seu cachorro comeu seu primeiro manuscrito, Ratos e homens (1937).  Ficou agradecido porque não só estava só pela metade, como descobriu que a obra necessitava de enormes revisões.







Leituras de 2022: “Oscarina” de Marques Rebelo, resenha.

19 06 2022

Senhora lendo jornal, 1902

William Worchester Churchill (EUA, 1858-1926)

óleo sobre  tela

Boa surpresa ver a reedição das obras de Marques Rebelo pela editora José Olympio.  Desde que me dediquei aos três volumes de O trapicheiro,  comprados num sebo do centro da cidade, não me lembro o ano, sou admiradora da prosa de Marques Rebelo, um dos mais cariocas dos escritores, que andava um tanto esquecido no fundo do nosso baú literário.  Além de prosa deliciosa, de fácil leitura, com narrativa direta, temos na obra dele o retrato da cidade na primeira metade do século passado. 

Não se trata da capital do país glamorosa, construída na arquitetura art déco, cidade de requinte, luxo, peles sobre os vestidos de noite nos bailes no  Hotel Glória, Copacabana Palace, dos luxuosos cassinos,  cidade de residência de diplomatas de  todo mundo, elegante paraíso tropical à moda Hollywoodiana de Voando para o Rio [Flying down to Rio] filme icônico do Distrito Federal em 1933 ou o local de nascimento de um dos personagens mais queridos de Walt Disney: Zé Carioca. A época é a mesma, sem dúvida.   Mas é o Rio de Janeiro dos subúrbios construídos às margens da estrada de ferro.  Estes compõem o pano de fundo das dezesseis histórias contadas em Oscarina.

A preocupação maior de Marques Rebelo está na caracterização do homem comum, seus anseios, desejos, preocupações, o sobreviver diário.  Na prosa  estão estampados valores, padrões de comportamento, crenças, regras, moral tudo que colabora para o ponto de equilíbrio cultural do carioca.  Não há nenhum super-herói, vencedor de grandes batalhas, de odisseias esplendorosas.  Ao contrário participamos das frustrações e pequenas vitórias cotidianas, na melhor tradição literária brasileira com raízes na obra de Manoel Antônio de Almeida, Machado de Assis,  Aluízio Azevedo, passando por Lima Barreto, uma única geração acima de Rebelo.  Do naturalismo-realismo do século dezenove, ele acena ao modernismo por contos sem fechamento, porque a vida é contínua, pelo humor que nos leva de volta ao notável Memórias de um Sargento de Milícias  com semelhante olhar carinhoso sobre a classe trabalhadora brasileira e também pelo linguajar comum, direto, repleto de expressões populares.

Carioca, Marques Rebelo mudou-se ainda criança para Minas Gerais.  É em Barbacena que lê.  Lê muito.  Não só os livros que faziam parte da biblioteca do pai, como jornais e revistas diversos e clássicos. Voltando ao Rio de Janeiro, na adolescência, já tem conhecimento literário mais sólido do que muitos adultos, ciente dos clássicos das literaturas brasileira, portuguesa, francesa.  Mais tarde, quando abandona os estudos no terceiro ano da Escola de Medicina para se dedicar à escrita tem cabedal na arte literária produzida aqui e na Europa, apreciador sobretudo de Manoel Antônio de Almeida e Machado de Assis. Está formado e destinado a escrever. Oscarina é seu primeiro livro, publicado em 1931.

Marques Rebelo

Dos dezesseis contos neste volume destaco o que nomeia o livro, Oscarina, Em maio, História de abelha, do qual retiro esta passagem, para revelar o sabor da prosa encontrada aqui:

“Assim… assim… o diabo é que a missa seria em dia útil. Manhã perdida. Poucas vendas. Era preciso forçar a freguesia, correr os subúrbios, dar uma repasso nas lojas de Madureira, ver se desencantava um tal de seu Arlindo que prometera, de pedra e cal, pagar as duplicatas vencidas do Pirelli, um caloteiro que lhe passara a casa. Não há por onde escapar: não iria ao cinema ver Greta Garbo, o domingo é que seria perdido e toca a acompanhar o Esteves, estava casando dinheiro como para o Caju. E se não fosse? que sofreria com isso? Pelo contrario ganharia que a fita era muito falada. O Antunes tinha elogiado: uma beleza! O Antunes era uma besta! Mas o Gomes, sim o Gomes era um rapaz inteligente e tinha gostado especialmente do pedaço em que ela mata o marido com um tiro, “um troço muito bem arranjado”, afirmara.” [153]

Se você não se vê na prosa de Marques Rebelo, certamente reconhecerá seu vizinho, o tio de Marechal Hermes, a madrinha de sua prima do Engenho de Dentro, a colega de trabalho de Olaria, o músico trompetista de Riachuelo, o pai do amigo torcedor de futebol, que não perde um jogo no Maracanã, mesmo que seu time não seja grande. Entramos no mundo do vendedor de sapatos de Piedade, do funcionário público sem ambições do Cachambi, do gerente do supermercado do Jardim Sulacap, do dono da quitanda de Rocha Miranda, do apostador no jogo do bicho de Madureira, da feijoada mensal na Pavuna. E com certeza, brincamos com todos esses personagens nas festas características do carioca, da Igreja da Penha como no Carnaval na Avenida Central. O Rio de Janeiro, repleto de carioquices, é tridimensional no mundo de Marques Rebelo.

Recomendo para todos. Leitura agradável, divertida, no melhor estilo literário. Faltou dizer que Marques Rebelo é pseudônimo de Eddy Dias da Cruz e que em 1964 entrou para a Academia Brasileira de Letras. Merecidamente.

 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.





Em casa: Vyacheslav Tokarev

19 06 2022


Vista da janela no inverno

Vyacheslav Tokarev (Rússia, 1917 – 2001)

óleo sobre tela





Flores para um sábado perfeito!

18 06 2022

Flores

José Paulo Moreira da Fonseca (Brasil,,1922 – 2004)

técnica mista sobre eucatex, 46 x 37 cm





Rio de Janeiro, Rj, Brasil

17 06 2022

Personagens na Praça no Alto de Santa Teresa, 1983

Teixeira Mendes (Brasil, 1940-2008)

óleo sobre tela, 24 X 35 cm





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

15 06 2022

Natureza morta

Yara Manier (Brasil, 1932-2011)

óleo sobre tela,





Meus favoritos: Lilian Mathilde Genth

14 06 2022

Retrato de Lulu Hawkins, 1919

Lilian Mathilde Genth (EUA, 1876-1953)

óleo sobre papel, 45 x 30 cm