Flores para um sábado perfeito!

15 10 2022

Flores

Alberto Nicolau (Brasil,1961)

óleo sobre tela, 90x 146 cm





Leituras de 2022: “A boa sorte”, Rosa Montero, resenha

14 10 2022

Menina lendo

Carmen Gomez Junyent (Espanha, 1954)

Pastel, 45 x 38 cm

Há tempos acompanho Rosa Montero. Das obras publicadas no Brasil li: A louca da casa, A história do rei transparente, Te tratarei como uma rainha, Muitas coisas que perguntei e algumas que disse, Histórias de mulheres, O coração do tártaro, Instruções para salvar o mundo, e agora, A boa sorte, este com tradução de Fábio Weintraub. Poderíamos dizer que aprecio sua habilidade narrativa e imaginação. Tenho leituras favoritas entre estes livros mas até hoje nunca me arrependi de dedicar muitas horas às suas criações. Mas A boa sorte não irá para a lista dos meus favoritos da escritora.

Assuntos na pauta de Rosa Montero, e aqui não é exceção, têm a ver com a jornada do autoconhecimento. Também encontramos histórias com diversa variantes narradas pelo mesmo personagem de acordo com as necessidades que não são necessariamente mentiras, mas que poderiam ser plausíveis. Rosa Montero sempre nos regala com testemunho das diferentes versões que damos à nossa trajetória, de acordo com a audiência ou o momento em que vivemos. E ainda uma vez mais, Rosa Montero mostra ser a maga das imagens, aquela que seduz leitores como se hipnotizados. É certamente capaz de descrever situações, atmosferas, ambientes, absolutamente degradantes de maneira que não choque ou faça o leitor se aborrecer. Há muita arte nisso. A condição humana a preocupa, também merece atenção soluções variadas que seus personagens encontram para sobreviver.

Em geral, seus personagens têm muitas falhas: heróis ou heroínas, bandidos e afins, não importa. Os mundos que cria na ficção são sempre o bas-fond, os bairros pobres, as vidas de esperanças quebradas, de poucos horizontes.  Rosa Montero despe seus personagens, desnuda seus motivos, por mais torpes que possam ser; ela nos ajuda a entender que tanto o mais bem aquinhoado quanto os menos dotados trilham caminhos semelhantes.  O resultado, positivo ou não, depende exclusivamente de seus esforços.  Ela não protege nem a eles, nem a nós, leitores.  Passa ao leitor uma realidade frequentemente sombria, povoada por pessoas com propósitos obscuros, ambientes sujos, razões de vida torpes e muitos inocentes enrascados no aguardo  de vida melhor. Mas ela é consistente, pois há sempre o lastro de fé, de possibilidades vindouras em sua narrativa.  Há aquele  que sobrevive que se amolda, que consegue passar a perna na crueldade humana.

A boa sorte tem todas esses traços comuns à obra de Rosa Montero. Temos um homem bem sucedido amargando culpa, uma mulher bonita e maltratada à beira de imaginar-se sem possibilidades de amor e de formar uma família.  Bandidos de todos os jeitos, sempre pensando em querer algo mais, inconformados com a vida. E no entanto, este livro não me satisfez. 

Rosa Montero

 

Deixe-me ser clara.  Continuo a apreciar a imensa criatividade de Rosa Montero.  Ela consegue surpreender sempre;  criar personagens fortes, inesquecíveis, cujas lutas e dores acompanhamos com o coração nas mãos.  Nos oito livros dela que li, não pareceu haver limite na  engenhosidade de suas tramas, nem nos mundos que criou.  Na verdade, sempre tenho a impressão de que estou a ver, sentir e observar um mundo paralelo com clara semelhança àquele em que vivo.  Isto é uma arte.  Mas o que não me agradou em A boa sorte, foi a sensação no final de que havia necessidade de um fechamento específico, quando personagens precisam ser contabilizados;  a vida, inóspita detalhada na narrativa necessita realmente de um ponto final para cada personagem?  Com um fechamento um tanto hollywoodiano onde tudo se resolve, ficou um gosto de agrado ao mundo editorial.  Além disso, a narrativa, no último terço do livro, veio recheada com frases de edificação ou conselhos aquém da imaginação da autora: “para encontrar um sentido para a morte, é preciso antes encontrar um sentido para a vida“; “o inferno está aqui, somos nós“; “muitas vezes a vida consiste em escolher o mal menor”; “a alegria é um hábito“. Deixou em mim a sensação de manual de vida, que me desagrada bastante.  Continuo, no entanto, a achar que Rosa Montero é uma escritora que deve ser lida. Até hoje ela dá muito mais a nós leitores, do que muitos outros contadores de histórias. Três estrelas, de cinco no máximo.

 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.

 





Rio de Janeiro, RJ, Brasil

14 10 2022

Alfândega,1965

José Paulo Moreira da Fonseca (Brasil, 1922 – 2004)

óleo sobre tela – 27 x 35 cm





Sublinhando…

13 10 2022

Leitura

Washington Magueta (Brasil, 1942)

óleo sobre tela, 23 x 27 cm

 

 

“Anos mais tarde, tentando cumprir o sonho de poeta, escrevi Terraplanagem, um poema incompleto como os outros. Levei uma vida até descobrir que a incompletude terá sido o meu único dom poético.”

 

 

 

Em: Eliete: a vida normal, Dulce Maria Cardoso, Kindle Edition: 2022





No trabalho: Tony Lima

13 10 2022

Garçonete, 2006

Tony Lima (Brasil, 1964)

óleo sobre tela, 90 x 70 cm





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

12 10 2022

Natureza morta

Célio  Nunes (Brasil, contemporâneo)

óleo sobre tela, 90 x 130 cm





Nossas cidades: Fortaleza

11 10 2022

Praia de Iracema no Ceará, 1965

Win Van Dijk (Holanda-Brasil, 1915-1990)

óleo s tela, 25 x 47 cm





Curiosidade literária

10 10 2022

Mulher lendo, 2007

Tina Spratt (Irlanda, contemporânea)

óleo sobre tela

 

Dan Brown, o escritor do best-seller O código da Vinci e de outros livros que também alcançaram um grande número de leitores no mundo inteiro, tem um sistema extravagante de exercícios físicos para se manter em forma.  Começa a manhã por volta das quatro horas quando se exercita por uma hora. Às cinco da manhã começa a escrever.  Para de escrever de hora em hora quando então, dedica-se a algumas séries de exercícios abdominais e alongamentos.  Acredita que isso faça  o sangue correr mais potente pelo corpo e pelo cérebro, ajudando-o na tarefa criativa.





Em casa: Mihály Munkácsy

9 10 2022

Jovem sentada em sofá, 1887

Mihály Munkácsy (Hungria, 1844-1900)

óleo sobre madeira, 115 x 87 cm





Sublinhando…

9 10 2022

Jovem lendo

Vera Alabaster (GB, 1889–1964)

Harbour Cottage Gallery

 

“O convívio social tem o grande mérito de abrandar a idiotice do casal que não conversa, jamais descobre que não tem muitas afinidades. A companhia do outro tem o mesmo efeito da aposentadoria para as pessoas da classe média, ou seja, causa divórcio.”

 

Em: Esnobes, Julian Fellowes, tradução de Beatriz Horta, Rio de Janeiro, Fabrica 231: 2016, p.164.