
Ponte Velha, Resende
Jorge Vieira (Brasil, 1974)
óleo sobre tela

Ponte Velha, Resende
Jorge Vieira (Brasil, 1974)
óleo sobre tela

Retrato de um menino com livro, década de 1740
Jean Baptiste Perronneau (França, 1715-1783)
óleo sobre tela, 63 x 52 cm
Hermitage, São Petersburgo
Banana Yoshimoto
Banana Yoshimoto

Paisagem com animais, 1985
JOZAN (Brasil, 1942)
óleo sobre tela, 60 x 80 cm

Floral
Jorge Maciel (Brasil, 1972)
óleo sobre tela, 60 x 43 cm
Pedra da Gávea
Leopoldo Gotuzzo (Brasil, 1887-1983)
óleo sobre tela colada em cartão, 18 x 14 cm
O Castelo de Osaka, 1967
Yuzaburo Kawanishi (Japão, 1923)
xilogravura policromada
O ritmo, a saga de As Irmãs Makioka me lembraram Eça de Queiroz. Talvez seja por isso que desde o início me senti inclinada a gostar da obra de Jun’sihiro Tanizaki, sem levar em conta as mais de 700 páginas da edição brasileira. O ritmo é lento. O texto se move como as estações do ano, vagarosamente, cada passagem de tempo uma atividade, novo enfoque, nova oportunidade. Esperança. O universo é retratado nos detalhes, nas minúcias do cotidiano. E são os pormenores da vida que nos dão a medida certa da sociedade que as produziu.
Considerado uma obra clássica da literatura japonesa, esse livro retrata o período em que o Japão esteve em guerra com a China até sua aproximação à Alemanha de Hitler. No entanto, a julgar pelo descrito neste livro, no interior montanhoso do país, as guerras quase não tiveram impacto. Os ecos das batalhas são longínquos e não arrepiam as penas dos pássaros nos jardins. As irmãs Makioka retrata quatro anos (1936-1941) na vida de quatro irmãs vindas de uma família tradicional, de abastados comerciantes, que perdeu a influência financeira e social. Elas tentam manter, cada qual à sua maneira, as tradições familiares de classe e dinheiro, no entanto, os resultados são modestos e diferem para cada uma delas. O Japão está no seu momento mais intenso de ocidentalização antes da segunda metade do século XX. E essa mudança de hábitos, de roupas, de maneiras de pensar está presente no dia a dia das irmãs.

No antigo Japão – e francamente não sei como é agora – irmãs haveriam de casar na ordem em que nasceram. Essa regra, mantida pelas Makiokas, é o fio da trama. Na abertura, a primeira filha é casada com seis filhos, a segunda, casada com uma filha, a mais jovem, rebelde, desafiadora do status quo já está comprometida para casar, mas a terceira , não consegue um marido à altura, está ficando velha demais para um bom casamento e empaca a vida da mais nova. A solução desse problema segura a narrativa de início ao fim. Cada uma das irmãs é detalhadamente descrita, não há como confundirmos seus nomes. Como é um romance movido pelo personagens, com muito pouca ação, o conhecimento profundo de cada elemento é essencial.
A vida não para porque Yukiko não consegue casar. Vez por outra aparece um pretendente. Nesse meio tempo há eventos do cotidiano: crianças crescendo, doenças, passeios em família, mudança de endereço e assim por diante.Aos poucos temos uma visão precisa de como era a vida antes da Segunda Guerra Mundial. Li esse livro nas férias, em três semanas. Aproveitei o tempo letárgico do verão quente para parar a cada capítulo (eles são pequenos) e procurar na internet imagens do Festival das Cerejeiras, do Dia das Meninas, a distância entre Osaka e Tóquio para entender o trauma de uma mudança de lá para cá. Procurei fotos de glicínias e outras flores mencionadas. Fui atrás de explicações para as partes de um quimono, assim como os rituais mencionados. Tive por causa disso outros meios de apreciar a leitura. Enfim, tive o luxo de poder dar tempo à narrativa, deixá-la criar raízes.

Esse é um belíssimo livro, retrato de uma época. Foi escrito durante os anos da guerra entre o Japão e a China e publicado em 1948. Tem sido desde então considerado uma obra-prima da literatura japonesa do século XX. É fácil entender a razão: é a saga de uma família para sobreviver num mundo que muda rapidamente. Durante a narrativa o Japão comemora 2.600 anos de existência. Muitos dos rituais da corte e da sociedade japonesa ainda preserva antigos hábitos em descompasso com a ocidentalização, que já vinha se estabelecendo na terra do sol nascente desde o século XVIII através do comércio com a Holanda. O que se testemunha na leitura é um adeus às velhas maneiras. Algo que não acontece de repente, não até perder a Segunda Guerra Mundial e ser ocupado pelas forças aliadas de reconstrução de 1945 a 1952.
Definitivamente essa leitura é um requisito para o leitor interessado da grande literatura e naquela produzida pelo Japão.

Avô lendo conto de fadas, 1929
Oszkár Glatz (Hungria, 1872-1958)
óleo sobre tela
Vista da Avenida Paulista, 2014
Carlos Eduardo Zornoff (Brasil, 1959)
óleo sobre tela, 70 x 100 cm
Natureza morta com abacaxi
José Marques Campão (Brasil, 1892-1949)
óleo sobre tela, 24 x 31 cm
Professor Pardal quer ser pintor, ©Walt Disney.
–
Não deixe que maus momentos
ofusquem seus ideais.
Sobre “velhos” tons cinzentos,