Natalinas: Thomas Monson

16 12 2021

Lendo na poltrona com gato, 2009

Joe Hindley (EUA, 1949)

óleo sobre tela

“O Natal é o espírito de dar sem um pensamento de obter. É felicidade porque vemos alegria nas pessoas. É esquecermo-nos a nós próprios e encontrar tempo para os outros. É descartar as coisas sem sentido e sublinhar os verdadeiros valores.”

Thomas Monson





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

15 12 2021

Natureza morta

Henri Carrières [Henri Laurent Yves Carrières]

(França, 1947—radicado no Brasil desde 1952)

Óleo sobre tela, 50 x 60 cm

 





Férias, texto Tahar Ben Jelloun

14 12 2021
Tintin vai viajar, ilustração de Hergé.

“Não gosto de férias. Devo dizer que não sinto necessidade delas, já que não trabalho com as mãos. Nem mesmo sei o que é tirar férias. Parece que é descansar, mudar de ritmo e de hábitos. Não tenho vontade disso. Meu ritmo é o que é. Lento e sem surpresas. Maus hábitos estão mais para manias, e tenho medo de perdê-los se, como todo mundo, sair de férias no mês de agosto. Meus hábitos me suportam e me ajudam a me suportar. Eles são simples e eu só peço uma coisa: que não os perturbem, que me deixem com eles do jeito como são.

Todos os que partem pelas estradas ao mesmo dia e na mesma hora têm também suas manias: ser como todo mundo, agir como os outros, não perder nada da empolgação coletiva, um modo de se tranquilizarem, de garantir que não vão morrer sozinhos ou idiotas. Não é o meu caso. Morrer idiota ou inteligente tanto faz!

Não gosto de férias porque não gosto de viajar. Correr para uma estação carregando uma mala pesada numa das mãos, uma bolsa na outra, as passagens entre os dentes, fazer fila num aeroporto para despachar a bagagem, suportar o nervosismo dos veranistas que têm medo de avião ou que se sentem obrigados a levar consigo a avó, que está perdendo a memória e adoraria ficar em casa com suas pequenas manias, ser acotovelado por um grupo de desportistas descuidados, partir atrasado, chegar exausto numa hora impossível, procurar um táxi… tudo isso eu deixo para vocês e prefiro me recolher num canto da casa, para escutar o silêncio e sonhar com os amores cruéis…”

 

Em: O primeiro amor é sempre o último — contos, Tahar Ben Jelloum, tradução de Joana Angélica d’Ávila Melo, Rio de Janeiro, Editora Vieira Lent: 2002, pp 60-1





Papalivros escolhe as melhores leituras do ano!

12 12 2021

O grupo de leitura Papalivros encontrou-se mais uma vez de maneira virtual através do ano de 2021. Consideramos voltar a encontros ao vivo no ano de 2022. Mas esperamos ver os resultados das infecções por variantes do Covid-19 depois das festas de Reveillon no Rio de Janeiro para voltar aos encontros da maneira tradicional.

Nos dezoito anos de vida, o grupo sempre escolheu as melhores leituras do ano no encontro de dezembro que este ano caiu no domingo dia 12.

Os livros lidos foram:

A vida mentirosa dos adultos, Elena Ferrante

O mundo de Sofia, Jostein Gaarder

Na boca do leão, Anne Holt

Torto arado, Itamar Vieira Junior

Pachinko, Min Jin Lee

O enigma do quarto 622, Joel Dicker

O clube do crime das quintas-feirasRichard Osman

Na corda bamba, Kiley Reid

O clube de leitura de Jane Austen, Karen Joy Fowler

Sira, Maria Dueñas

A Porta, Magda Szabó

A pediatra, Andréa del Fuego

 

 

Você encontrará abaixo os três melhores livros do ano para o grupo: 

 

Em primeiro lugar, empatados, e listados por ordem alfabética, A porta e Sira:

A porta, Magda Szabó

Escritora húngara, descoberta tardiamente fora de seu país, é lançada pela primeira vez no Brasil com romance impactante sobre a relação tensa e misteriosa entre duas mulheres.


Uma escritora culta, com uma relação nebulosa com as autoridades comunistas na Hungria moderna do pós-Segunda Guerra Mundial, contrata Emerenc ― camponesa, analfabeta, impassível, bruta e de idade indefinida ― como sua governanta. Emerenc mora sozinha em uma casa onde ninguém pode passar da porta de entrada, nem mesmo seus parentes mais próximos. Ela assume o controle do lar da patroa, tornando-se indispensável, experimentando um tipo de amor ― pelo menos até o tão desejado sucesso da escritora trazer à tona uma revelação devastadora.

A força sobre-humana de Emerenc, sua disposição para ajudar os outros e fragmentos de sua biografia dolorosa constroem o mosaico do que parece uma existência transpassada por segredos. Na relação de dependência desenvolvida entre as protagonistas se encerram dúvidas e mistérios sobre a personalidade daquela que personifica um país que já não existe mais.

A cada nova informação sobre a excêntrica governanta, emerge o cenário de uma Hungria ocupada e dividida, e até a relação de Emerenc com seus pertences é questionada. Teria roubado dos judeus ou ganhado os bens de uma família judia que ela havia ajudado a fugir? Quem é essa mulher e por que ela está fechada a qualquer intimidade com seus patrões? Todas as possibilidades são plausíveis até que as portas, metafóricas e literais, sejam, por fim, abertas.

Em um romance revelado tardiamente ao grande público, mas muito debatido e elogiado pela crítica, Magda Szabó oferece uma visão generosa sobre táticas de sobrevivência, sobre tudo o que pode ser dito no silêncio e sobre o papel da autenticidade na arte e na vida.

 

Sira, Maria Dueñas

 

Em Sira, María Dueñas traz de volta essa personagem que cativou milhões de leitores no mundo, e ela retorna não mais como uma costureira inocente, mas sim com a força inabalável de uma mulher que fará o que for preciso para atingir seus objetivos. Depois dos horrores da Segunda Guerra, o mundo começa a se reerguer lentamente. Sira, depois de concluir suas funções como colaboradora do Serviço Secreto Britânico, só consegue pensar em uma coisa: paz. Mas nem tudo é tão simples. Um trágico acontecimento colocará os planos de Sira em xeque, e, mais uma vez, ela terá que tomar as rédeas de seu próprio destino e buscar em si a coragem e as forças para seguir lutando. Entre perdas e reencontros, participando de momentos históricos em lugares como Jerusalém, Londres, Madri e Tânger, Sira Bonnard – antes conhecida como Arish Agoriuq e Sira Quiroga – vai correr riscos inimagináveis, a fim de garantir um futuro tranquilo para seu filho.

 

Pachinko, Min Jin Lee

 

Livro narra a saga de três gerações de imigrantes coreanos no Japão do século XX e foi recomendado por Barack Obama.

No início dos anos 1900, a adolescente Sunja, filha adorada de um pescador aleijado, apaixona-se perdidamente por um rico forasteiro na costa perto de sua casa, na Coreia. Esse homem promete o mundo a ela, mas, quando descobre que está grávida ― e que seu amado é casado ―, Sunja se recusa a ser comprada. Em vez disso, aceita o pedido de casamento de um homem gentil e doente, um pastor que está de passagem pelo vilarejo, rumo ao Japão. A decisão de abandonar o lar e rejeitar o poderoso pai de seu filho dá início a uma saga dramática que se desdobrará ao longo de gerações por quase cem anos.

Neste romance movido pelas batalhas enfrentadas por imigrantes, os salões de pachinko ― o jogo de caça-níqueis onipresente em todo o Japão ― são o ponto de convergência das preocupações centrais da história: identidade, pátria e pertencimento. Para a população coreana no Japão, discriminada e excluída — como Sunja e seus descendentes —, os salões são o principal meio de conseguir trabalho e tentar acumular algum dinheiro.

Uma grande história de amor, Pachinko é também um tributo aos sacrifícios, à ambição e à lealdade de milhares de estrangeiros desterrados. Das movimentadas ruas dos mercados aos corredores das mais prestigiadas universidades do Japão, passando pelos salões de aposta do submundo do crime, os personagens complexos e passionais deste livro sobrevivem e tentam prosperar, indiferentes ao grande arco da história.





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

8 12 2021

Composição de frutas com paisagem

Marysia Portinari (Brasil, 1937)

óleo sobre tela, 50 x 70 cm





Nossas cidades: Salvador

7 12 2021

Igreja de Santana, Salvador,1958

Alberto Valença (Brasil, 1890 -1983)

óleo sobre madeira, 41 x 33 cm





Imagem de leitura — Abraham van Strij

7 12 2021

Senhora lendo próximo à janela, s/d

Abraham van Strij (Holanda, 1753-1826)

óleo sobre painel de madeira

Dordrechts Museum





Queixas, poesia de Júlia da Costa

6 12 2021

Leitura na varanda, c. 1890

Benjamim Parlagrecco (Itália, 1856- Brasil, 1902)

óleo sobre cartão – 24 x 19 cm

 

 

Queixas

 

Júlia da Costa (1844-1911)

 

 

Outrora, outrora eu amava a vida

Meiga, florida na estação das flores!

Amava o mundo e trajava as galas

Dos matutinos, virginais amores.

 

Que sol, que vida, que alvoradas belas

Por entre murtas eu sonhava então,

Quando ao perfume do rosal florido

Da lua eu via o divinal clarão!

 

Hoje debalde no rumor das festas

Procuro crenças que só tive um dia!

Minh’alma chora e se retrai sozinha,

O pó das lousas a fitar sombria!

 

Embalde, embalde, o bafejo amado

Da morna brisa minhas faces beija!

Meu peito é frio, como é fria a nuvem

Que em noites claras pelo céu adeja!

 

Embalde, embalde, no ruído insano

Das doidas festas eu procuro a vida!

Meu corpo verga… meu alento foge…

Sou como a rosa do tufão batida.

 

Em:  Poesia, de Júlia da Costa,  Org. Zahide Lupinacci Muzart. Curitiba: Imprensa Oficial do Paraná, 2001, p. 270





Curiosidade literária

6 12 2021

Garota lendo, c. 1945

Joe Jones (EUA, 1909-1963)

óleo sobre tela

Quem imaginaríamos ser o autor da primeira história de ficção científica no Brasil? Ninguém mais, ninguém menos do que Machado de Assis.  Com o conto O imortal, de 1882, influenciado pelo conto gótico, Machado abre o campo literário para a ficção científica, mesmo tendo baseado este conto em Rui de Leão, outra história dele mesmo, publicada dez anos antes, em 1872.





Em casa: Bessie Davidson

5 12 2021

Um interior, c. 1920

Bessie Davidson (Austrália, 1879-1965)

óleo sobre placa de madeira, 73 x 59 cm

Galeria de Arte da Austrália do Sul, Adelaide