Virgil Normal
Meegan Barnes (EUA, contemporânea)
técnica mista sobre papel
Rosas vermelhas, bem vermelhas
Carlos Bracher (Brasil, 1940)
óleo sobre tela, 81 x 60 cm
Flores
Adolfo Fonzari (Itália-Brasil,1880 – 1959)
óleo sobre tela, 60 x 50 cm
Mercado de flores com Igreja da Glória ao fundo, 1991
Alfredo Lowenstein (Brasil, contemporâneo)
óleo sobre tela, 22 x 27 cm
Virgem anunciada, 1475
Antonello da Messina (Sicília, c. 1429-1431– 1479)
óleo sobre madeira, 45 x 24 cm
Palazzo Abatellis, Sícilia
Na época em que o pintor viveu, a Sícilia estava sob domínio da Espanha. Também sob domínio da Espanha estava a região de Flandres e dos Países Baixos. A influência dos mestres pintores da Europa do Norte é imediatamente sentida. Como? Pelo retrato de Maria. Antonello não a coloca em qualquer ambiente. Estamos vendo uma mulher, de carne e osso, retratada da cintura para cima. É um retrato nos termos dos retratos de Jan van Eick e seus contemporâneos: é uma pessoa reconhecível, uma pessoa com aparência comum. Grande parte dos retratos do pintor seguem a tradição da pintura da Europa do Norte. Maria tem muito pouco que a identifique como a futura mãe de Jesus. Ela não tem halo que signifique sua santidade. Esta nos é dada por dois elementos, que no século XV estavam associados à Anunciação de Maria: o manto azul e o porta-Biblia. Na tradição iconográfica da época, Maria, quando está sendo anunciada pelo anjo Gabriel, tem a leitura dos textos sagrados interrompidos. Mas também porta um véu azul. Aqui, neste quadro, Antonello inventa. Esse momento já passou. Gabriel já foi embora, por isso o título Maria Anunciada (no passado). Vemos, então, Maria, um tanto atônita, retomar sua leitura. Há a transmissão de um grande silêncio nessa tela, grande impacto, porque não há nada que distraia nossa atenção. Não há anjo. Não há o vaso com lírio simbolizando sua pureza. Ela não está na tradicional varanda. Não há mobiliário que leve nossos olhos a outros lugares. Não há hortus conclusus significando sua virgindade. Não temos a pomba do Espírito Santo, nem as frases ditas pelo arcanjo. Tudo foi retirado. Nosso foco é nessa moça, tímida, com os olhos baixos e desviados do livro, como se acompanhasse o voo de despedida de Gabriel. O fundo escuro nos faz prestar atenção nela. Toda força emocional está em seu rosto.
Antonello da Messina não só foi inovador na representação de Maria, mas aproveitou o momento também para mostrar quão exímio era na representação da perspectiva, fazendo um belo escorço na mão estendida de Maria.
Laranjas
Eurico Caiuby (Brasil, 1888-
óleo sobre tela, 85 cm x 75 cm
Natureza Morta
Joaquim Lopes Figueira, Jr. (Brasil, 1904 – 1943)
óleo sobre tela colado em placa. 50 x 58 cm
Arca de Noé, 1978
Adelson do Prado (Brasil, 1944)
óleo sobre tela, 29 x 33 cm
Defendei, meu São Francisco,
os cachorrinhos e os gatos.
Protegei-os contra o risco
do abandono e dos maus-tratos.
(A. A. de Assis)
Luiz Infante
Era uma vez um grilo
que morava numa gaiola
em grande estilo.
De cri-cri em cri-cri
Foi vivendo tranquilo
A comer alface ao quilo,
Quase tão voraz
Como qualquer esquilo.
Respondendo ao protesto
Sobre o ruído que fazia,
Disse com ironia
“Se era silêncio que queria
Era só pedi-lo,
Que um grilo não é
Uma telefonia”
Em: Poemas Pequeninos para Meninas e Meninos, Luiz Infante, V. N. de Gaia: Gailivro: 2003, p 40