A divisão do tempo, texto de Carlo Rovelli

20 05 2025

 

 

“A função dos relógios é indicarem todos a mesma hora. Mas essa ideia também é mais moderna do que podemos imaginar. Durante séculos, enquanto se viajava a cavalo, a pé ou de carruagem, não havia motivo para sincronizar os relógios de um lugar para outro. Existia um ótimo motivo para não fazê-lo: meio-dia é, por definição, o momento em que o sol está mais alto no céu. Cada cidade ou aldeia tinha uma meridiana que marcava o momento em que o sol estava a meio-dia e permitia regular o relógio do campanário, visível a todos. O sol não chega ao meio-dia no mesmo momento em Lecce, Veneza, Florença ou Turim, porque vai de leste para oeste. Meio-dia chega primeiro em Veneza e bem mais tarde em Turim, e durante muitos séculos os relógios de Veneza estiveram uma boa meia hora adiantados em relação aos de Turim. Cada cidadezinha tinha sua “hora” peculiar. A estação de Paris mantinha uma hora própria um pouco atrasada em relação ao restante da cidade por cortesia aos viajantes.

No século XIX, chega o telégrafo, os trens se tornam comuns e rápidos, e passa a ser importante sincronizar bem os relógios de uma cidade para outra. É difícil organizar horários ferroviários se cada estação tiver uma hora diferente das outras. Os Estados Unidos são o primeiro país a tentar padronizar a hora. A proposta inicial é estabelecer uma hora universal para todo o mundo. Chamar, por exemplo, de “doze horas” o momento em que é meio-dia em Londres, de modo que o meio-dia corresponda às doze horas em Londres e a aproximadamente dezoito horas em Nova York. A proposta não agrada, porque as pessoas são apegadas às horas locais. O acordo é obtido em 1883, com a ideia de dividir o mundo em fusos “horários” e padronizar a hora só dentro de cada fuso. Desse modo, a discrepância entre as doze horas do relógio e o meio-dia local compreende no máximo em torno de trinta minutos. Aos poucos, a proposta é aceita no restante do mundo, e os relógios começam a ser sincronizados entre cidades diferentes.”

 

Em: A ordem do tempo, Carlo Rovelli, tradução de Silvana Cobucci, Ed. Objetiva: 2018





Dia a dia…

16 05 2025

Boa parte do meu dia hoje foi dedicada aos ensaios.  Estou desde o início do ano fazendo o curso de escrita de ENSAIOS com o escritor Tiago Novaes.  Hoje foi um dia diferente e importante, encontro com Bia Nunes de Souza, da Editora Vestígio que se dedica à publicação de ensaios tanto de autores brasileiros quanto estrangeiros.  Aprendi muito com ela, e saí de sua palestra me sentindo incentivada a prosseguir com uma série de pequenos ensaios sobre comportamento, que eventualmente irei publicar.  Impressionante como às vezes uma palavra, uma imagem, um sorriso, podem subitamente acender ideias, dar ânimo, empurrar quem trabalha sozinho.  Aquela nova energia desce como num flash. Nunca sabemos o suficiente para não poder aprender um pouco mais.





Voltamos à física!

7 05 2025

 

 

Há uns cinco anos, mais ou menos, fui convidada a participar de um grupo de leituras em conjunto.  Eu nunca havia feito isso e curiosa, disse sim.  Foi ótimo.  O grupo, dirigido pela artista plástica, pianista e psicóloga Rose Nobre é composto de 6 a 8 pessoas.  O número depende do livro escolhido.  E todas as terças-feiras, à noite, nos encontramos para ler pela internet.  Cada qual lê um pedaço em voz alta, mais ou menos por uma hora ou por um capítulo ou ainda, parando quando é possível fazer uma pausa. 

O grupo já se encontrava antes da minha chegada. Comecei a jornada na parte final de O caminho do artista,  Julia Cameron.  Passamos para dois livros de Yuval Noah Harari, fomos aprender um tantinho de física com Marcelo Gleiser, passamos para história do Brasil com Jorge Caldeira, e voltamos à física, semana passada com o livro de Carlo Rovelli, A ordem do tempo.

Todos esses livros foram impressionantes no que entregaram, desde incentivo a criatividade, como expansão do conhecimento científico.  As profissões representadas nesses oito leitores pertencem às artes ou psicologia, história e há também uma médica no grupo. Aos poucos vamos nos conhecendo.  Cada qual contribui com seus dois centavos de conhecimento, nos minutos finais, em que conversamos sobre o que lemos.  Não dura mais que hora e quinze.  Bem investido esse tempo. Cobrimos obras que seriam difíceis de ler sós.  Se você não pode estar lá nas terças-feiras, seu trabalho é ler até onde chegamos e se juntar aos leitores na próxima terça-feira.

Este não é um convite para participar. Não tenho autoridade para isso.  Mas recomendo o formato.  Se você tem amigos que gostariam de ler algo fora do que é familiar, essa é ótima maneira de se atualizar.  Hoje em dia, por causa dessas leituras, vou com gosto para os documentários por exemplo, de física quântica no YouTube.  Boa maneira de fazer uma atualização no conhecimento.

Livros lidos:

O caminho do artista, Júlia Cameron

Sapiens, Yuval Noah Harari

21 lições para o século 21, Yuval Noah Harari

A dança do universo, Marcelo Gleiser

A história da riqueza no Brasil, Jorge Caldeira

Lendo:

A ordem do tempo, Carlo Rovelli

Você já leu algum desses livros?  O que achou? 




Trova do aplauso

5 05 2025
Tintin, nas Aventuras da esmeralda de Castafiore, Hergé.

 

 

O aplauso é a mais justa loa

que a um artista se concebe:

tão pouco, para quem doa;

tão bom, para quem recebe!

 

 

(José Ouverney)





Leitura é mágica!

30 04 2025
Ilustração de Cecco Mariniello.




Paisagens brasileiras…

27 04 2025

Casario

Yolanda Mohaly (Romênia-Brasil, 1909-1978)

óleo sobre tela, 46 x 61 cm

Casario

Rodolfo Weigl (Brasil, 1907-1987)

óleo sobre tela, 33 x 41cm

 

 

Paisagem com casario

Inos Corradin (Itália-Brasil, 1929)

óleo sobre tela, 60 x 50 cm





As flores de Vladimir Kanevsky

21 04 2025
Frick Collection, Nova York.

Abril foi um mês de muita alegria para aqueles que como eu gostam do pequeno e delicioso museu The Frick Collection, em Nova York. Aberto em 1935, em 2020 fechou para o público para melhorias no edifício. Não estive lá para a reabertura depois de cinco anos de reformas, mas devo conhecer a casa reformada em breve. E é nesse contexto que o escultor Vladimir Kanevsky nascido na Ucrânia em 1951, que emigrou para os Estados Unidos em 1989m também tem uma maravilhosa exposição de seus trabalhos em porcelana. Formado em arquitetura, pensou em seguir carreira como escultor, mas acabou trabalhando com porcelana. As voltas que o mundo dá! Por isso mesmo a vida é interessante, não é? Ele já expôs no mundo inteiro. Todas as fotos aqui exibidas são cortesia: Copyright, The Frick Collection.

À esquerda: Ramo de dália, 2024–25.  Massa de porcelana tenra, esmaltada, cobre e terracota.
À direita: Anêmonas, 2024-2025.  Porcelana bisque, esmaltes e cobre.
Vladimir Kanevsky (Ucrânia, 1951)

À esquerda: Rosas cascateando, 2024-2025, porcelana em bisque, cobre e terracota. 
À direita: Hortênsias, 2024-2025, porcelana tenra, esmaltes, cobre e terracota.
Vladimir Kanevsky (Ucrânia, 1951)

 

 

Limoeiro, 2024-2025, porcelana  tenra, porcelana em bisque, esmaltes e cobre.
Vladimir Kanevsky (Ucrânia, 1951)

 

 

 

Acima: Jacintos brancos, 2024-2025, porcelana em bisque, cobre e terracota.
Abaixo: Lírios do vale, 2024-2025, porcelana tenra, porcelana negra, esmaltes, cobre e terracota.
Vladimir Kanevsky (Ucrânia, 1951)

 

 

 

À esquerda: Tulipas, 2024-2025. Porcelana tenra, porcelana negra, esmaltes, cobre e terracota. 
À direita: Pé de alcachofra, 2024–25. Porcelana tenra, esmaltes, cobre e terracota. 
Vladimir Kanevsky (Ucrânia, 1951)





Meus feriados…

20 04 2025




Cuidado, quebra!

20 04 2025

Vaso A Palla, c. 1560

Veneziano

Oficina do Meste Domenico da Venezia

31,5 cm de altura

 

 

Decorado com a pintura de um jovem de capacete com plumas, no reverso uma jovem em perfil em três quartos para o lado direito com vestido azul de gola alta.  Ambos rodeados por cartuchos trançados em verde e amarelos sobre fundo azul com volutas de flores e folhagem entre aros. Há desgaste no rosto e pescoço da jovem.

 

 

 





Meus feriados…

17 04 2025