
Homem lendo livro para menina da fronteira, 2011
Alfredo Rodriguez (Mexico, 1954)
óleo sobre tela

Homem lendo livro para menina da fronteira, 2011
Alfredo Rodriguez (Mexico, 1954)
óleo sobre tela

Tropicana I, 1985
Anysio Dantas (Brasil, 1933 – 1990)
serigrafia tiragem 76-100, 89 x 66 cm
Walter Nieble de Freitas
Alta, esguia, majestosa,
De uma beleza sem par,
Contemplo a esbelta palmeiraaaaa
Banhada pelo luar.
A seus pés um lago azul,
Onde em calma ela se mira,
Põe na paisagem noturna
Cintilações de safira.
De longe, chega em surdina
A voz rouca das cascatas:
É a sinfonia dos rios
Soluçando serenatas.
Nessa hora em que a noite é um templo,
E o firmamento, um altar,
Sob os círios das estrelas
Em silêncio a vi rezar.
Na linguagem da saudade,
O coração da palmeira,
Pedia as bênçãos do céu
Para a terra brasileira.
Em: Barquinhos de Papel: poesias infantis, Walter Nieble de Freitas, São Paulo, Difusora Cultural:1961, pp. 61-62
Alhos
Maria Márcia Pimentel (Brasil, 1940)
óleo sobre tela, 24 x 35 cm
Paisagem Urbana em Bauru,SP
Mário Zanini (Brasil, 1907-1971)
óleo sobre tela, 36 X 45 cm
Crucificação de São Pedro, c. 1600
Michelangelo Merisi da Caravaggio (Itália, 1571 – 1610)
óleo sobre tela, 230 x 175 cm
Igreja de Santa Maria do Povo, Roma
♦ “Michelangelo Merisi dito il Caravaggio porque nascido em Caravaggio, aldeia da região Bergamasca: aos 16 anos já com a pintura no sangue transfere-se para Roma onde executará obras capitais, a vocação de Mateus na Igreja de San Luigi de Francesi, Paulo a caminho de Damasco e Pedro crucificado, em Santa Maria del Popolo.
♦ De natureza selvagem irreverente anticonformista, prestigiam-no altos senhores, altas putas, eclesiásticos. Divide-se em rixas discussões de rua taverna bordel. Desafia inimigos a duelo, fere, é ferido.
♦ Ataca a rude matéria da vida. Ajudado pela técnica do claro-escuro inventa a pintura objetiva. O povo participa da ação. Cresce o gênio do detalhe. O realismo transpõe os esquemas herdados, adianta-se em concisão e intensidade: Caravaggio fixa as coisas na sua consistência corpórea, torna polêmica a luz, que passa do elemento secundário a protagonista.
♦ É um deus, o deus Caravaggio. Entre seus numerosos descendentes, Velásquez e Rembrandt. Qual dos três o maior? Nenhum; os três são maiores.
♦ Caravaggio durante uma rixa mata à força de espada um certo Ranuncio Tommaso, que só por isto é inaugurado. Temendo a fúria pontificia foge para Malta onde o grão-mestre da ordem, Alof de Wignacourt, recebe-o em fasto e lhe empresta dois escravos para segui-lo. Futuramente aparentado a Rimbaud, apesar da glória Caravaggio permanece inadaptável, feroz, surdo ao diálogo. Tateando no claro-escuro, bêbado seminu sem flores vagueia pela Itália.
♦ Praia de Porto Ercole (Toscana). Contrai malária. Perde os papéis de identidade, a bagagem e as telas que trouxera de Malta. Tendo litigado com o grão-mestre, os esbirros deste desencadeiam a vingança. Ferido, golpeado no rosto, grita em vão por socorro. Apostrofa os cães e suas fezes. Michelangelo Merisi dito il Caravaggio, outrora chama, desespera-se de não poder pintar — escuro demais — o abismo do nada que já desvenda; e — claro de mais — o espaço da própria morte.
Em: Transístor, Murilo Mendes, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1980, pp. 214-215.
Paisagem, 1942
Ernesto de Fiori (Itália/Brasil, 1884 – 1945)
óleo sobre etela, 39 x 49 cm
Pintura em vermelho, 2008
Renato Meziat (Brasil, 1952)
óleo sobre tela, 90 × 124 cm
Morro Chapéu Mangueira, 1932
Roberto Burle Marx (Brasil, 1909 -1994)
óleo sobre tela, 54 x 65 cm.
Acho que já nos encontramos
Arne Westerman (EUA, 1927 – 2017)
acrílica sobre tela, 60 x 76 cm

Em momentos exaltados
sem poder falar e agir,
o silencio dá recados
que poucos sabem ouvir.
(Alba Christina Campos Netto)