Trova da pelada de futebol

10 05 2012

Pateta vai fazer gol, ilustração de Walt Disney.

Não peço vaga, nem rogo,

nos “rachas” lá da varzinha;

em toda pelada eu jogo,

mas, porque a bola é minha!

(Ademar Macedo)





Trova das mães e das plantas

9 05 2012

Ilustração para Dafne, de Pamela Francisco.

As mães são divinas plantas
que deram frutos, sementes…
Para Deus são todas santas
com milagres diferentes.

(Maria Nascimento Santos)





Abrem-se os lírios, poesia de Alice de Paula Morais

8 05 2012

Florista

Manoel Costa (Brasil, 1943)

óleo sobre tela, 45 x 60 cm

Abrem-se os lírios

Alice de Paula Freitas

É mês de maio… na fria noite

Bailam felenas, tontas, pelo ar…

Brincam as folhas ao leve açoite

Das brisas mansas, sob o luar…

Fosforescentes, de vaga-lumes

Passa entre as silvas o leve bando…

No ar se esgarçam vagos perfumes

De rosas brancas se desfolhando…

Escuta… os ruídos que vêm da mata

Baixinho ferem nossos ouvidos…

Grilos que cantam a serenata

Em semibreves… em sustenidos…

Suspira a noite… plácida, a lua,

Lividamente, vaga no além…

Tão linda e branca, brilhante e nua…

… E as magnólias que inveja têm!

Desce a neblina… a curva serra

Seu alvo manto toda branqueia!

É mês de maio… Na minha terra

Abrem-se os lírios à lua cheia!

Alice de Paula Morais (SP 1908-?)  Nasceu em Ilhabela. Professora.

Obras:

Folhas ao vento, poesia

Poemas do outono, poesia, 1969

Rumo ao poente, poesia, 1979

 





Quadrinha para o Dia das Mães

7 05 2012

O conto de fadas, mãe e filho, ilustração autoria desconhecida.

Neste domingo de maio,

A ti, querida Mãezinha,

Ofereço com ternura,

Esta singela quadrinha.

(Walter Nieble de Freitas)

 





Quadrinha infantil do burrinho

6 05 2012

Ilustração Maurício de Sousa.

Ao burro, nossa homenagem

Pelo seu grande valor;

Ajuda o homem do campo,

É forte trabalhador.

(Walter Nieble de Freitas)





Abriu em versos o seu coração, poema de Zalina Rolim, homenagem ao Dia das Mães

5 05 2012

Mãe e filhos no jardim, 1928

René Brimstead

Para House & Garden, Julho de 1928.

Abriu em versos o seu coração

Zalina Rolim

Venha do céu o melindroso Anjinho

— Maravilha de graça e de inocência

De nosso lar a flor e da existência

O rescendente laço de carinho.

Venha do céu na doce refulgência

De um sorriso de Deus ao nosso ninho…

Criatura gentil, meigo entezinho,

Do eterno Bem a misteriosa essência.

Venha… e com ele o resplendor da graça

Que — avezinha ideal — passa e perpassa

E acende em nosso olhar doce lampejo…

Venha… e com ele a vaga de ternura

Que o coração dos pais funde e mistura

Na deliciosa música do beijo.

Em: 232 Poetas Paulistas, antologia de Pedro de Alcântara Worms, Rio de Janeiro, Conquista:1968

Maria Zalina Rolim Xavier de Toledo — nasceu em Botucatu (SP), em 20 de julho de 1869.

Professora alfabetizadora transferiu-se com a família para São Paulo em 1893.

Educadora, entre 1896 e 1897, exerceu o cargo de vice-inspetora, do Jardim da Infância anexo à Escola Normal Caetano de Campos, em São Paulo.

Escreveu para diversas revistas femininas e jornais como A Mensageira, O Itapetininga, Correio Paulistano e A Província de São Paulo.

Faleceu em São Paulo, em 24 de junho de 1961.

Obras:

1893 – O coração

1897 – Livro das Crianças

1903 – Livro da saudade (organizado nesta data para publicação póstuma)





Quadrinha da mamãe

3 05 2012

Dia das mães, ilustração de Jessie Willcox Smith.

Quanta bondade e ternura

O teu coração encerra;

Mamãezinha és para mim

O anjo bom desta terra!

(Walter Nieble de Freitas)





Quadrinha infantil do bom livro

29 04 2012

Cascão lendo na cama, ilustração Maurício de Sousa.

Eu encontro nos bons livros

O guia certo e seguro,

Que ilumina a minha vida

e prepara o meu futuro.

(Walter Nieble de Freitas)





Os lírios, poema de Henriqueta Lisboa

24 04 2012

Primavera, s/d

Adelson do Prado (Brasil, 1944)

óleo sobre tela, 72 x 72 cm

Os lírios

Henriqueta Lisboa

Certa madrugada fria

irei de cabelos soltos

ver como crescem os lírios.

Quero saber como crescem

simples e belos — perfeitos! —

ao abandono dos campos.

Antes que o sol apareça,

neblina rompe neblina

com vestes brancas, irei.

Irei no maior sigilo

para que ninguém perceba

contendo a respiração.

Sobre a terra muito fria

dobrando meus frios joelhos

farei perguntas à terra.

Depois de ouvir-lhe o segredo

deitada por entre lírios

adormecerei tranquila.

Em: Nova Lírica, Henriqueta Lisboa, Belo Horizonte, Imprensa Oficial: 1971.

Henriqueta Lisboa (MG 1901- MG 1985), poeta mineira. Escritora, ensaísta,  tradutora professora de literatura,  Com Enternecimento (1929), recebeu o Prêmio Olavo Bilac de Poesia da Academia Brasileira de Letras.  Em 1984, recebeu o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras pelo conjunto de sua obra.

Obras:

Fogo-fátuo (1925)

Enternecimento (1929)

Velário (1936)

Prisioneira da noite (1941)

O menino poeta (1943)

A face lívida (1945) — à memória de Mário de Andrade, falecido nesse ano

Flor da morte (1949)

Madrinha Lua (1952)

Azul profundo (1955);

Lírica (1958)

Montanha viva (1959)

Além da imagem (1963)

Nova Lírica ((1971)

Belo Horizonte bem querer (1972)

O alvo humano (1973)

Reverberações (1976)

Miradouro e outros poemas (1976)

Celebração dos elementos: água, ar, fogo, terra (1977)

Pousada do ser (1982)

Poesia Geral (1985), reunião de poemas selecionados pela autora do conjunto de toda a obra, publicada uma semana após o seu falecimento.

 





A Camões — soneto de Manuel Bandeira

22 04 2012

 

Mosteiro de Batalha, Portugal, *

Azulejaria portuguesa

A Camões

Manuel Bandeira

Quando nalma pesar de tua raça

A névoa da apagada e vil tristeza,

Busque ela sempre a glória que não passa,

Em teu poema de heroísmo e de beleza.

Gênio purificado na desgraça,

Te resumiste em ti toda a grandeza:

Poeta e soldado… Em ti brilhou sem jaça

O amor da grande pátria portuguesa.

E enquanto o fero canto ecoar na mente

Da estirpe  que em perigos sublimados

Plantou a cruz em cada continente,

Não morrerá, sem poetas nem soldados,

A língua que cantaste rudemente

As armas e os barões assinalados.

Em:  Bandeira, antologia poética, Manuel Bandeira, Rio de Janeiro, Sabiá:1961, 5ª edição.

* Escolhi uma representação do Mosteiro de Batalha, em Portugal por ser uma das obras arquitetônicas que conheço de maior impacto. É realmente um monumento extraordinário.  Infelizmente desconheço alguma pintura de pintor português que represente esse local ou até mesmo detalhes desse local.