Que na Árvore de Natal
viceje a fraternidade,
e cada enfeite, afinal
seja um fruto de amizade!
(Arthur Francisco Baptista)
Que na Árvore de Natal
viceje a fraternidade,
e cada enfeite, afinal
seja um fruto de amizade!
(Arthur Francisco Baptista)
Que na Árvore de Natal
viceje a fraternidade,
e cada enfeite, afinal,
seja um fruto de amizade!
(Arthur Francisco Baptista)
Natal: presépio, lapinha,
Missa do Galo… Afinal,
esta saudade tão minha
é que enfeita o meu Natal!
(Isaías Ramires)
Vamos cantar o Natal,
pois é tempo de alegrias…
Porém seria ideal
Cantá-lo todos os dias!
(Joaquim Carlos)
Ilustração Rudolf Koivu
Vencendo o tempo e a distância
num clima de eternidade,
os natais de minha infância
permanecem na saudade.
(Ivo dos Santos Castro)
Dá tempo de comprar e surpreender quem receber este presente!
Um sorriso em um semblante,
um quarto, uma ceia, um grito…
Arte é o que faz de um instante
um resumo… do infinito.
(Sérgio Ferreira da Silva)
Olavo Nunes (1871-1942)
Quando ela passa, risonha e pura,
De arzinho honesto, cheia de graça…
Todos murmuram: Que formosura!…
Quando ela passa…
Flores rebentam pelo caminho
Sob os pezinhos que a bota enlaça;
Beijos se escutam de ninho a ninho,
Quando ela passa…
Seguem-na olhares cheios de gula
Como os da fera fitando a caça,
Olhares meigos que amor açula,
Quando ela passa…
Boca vermelha que o riso enflora
Cintura fina que um dedo abraça,
Parece ver-se Nossa Senhora,
Quando ela passa…
À luz dos olhos dessa menina
Deserta o pranto, foge a desgraça;
Com grande afeto tudo se inclina,
Quando ela passa…
Sombrero alegre, cheio de fita,
Vestido leve de fina cassa,
Gosto de vê-la assim tão bonita,
Quando ela passa…
Trinulam aves pelas umbrosas
Ramas que o vento no alto entrelaça,
E abelhas d’oiro desfolham rosas,
Quando ela passa…
Quando ela passa, risonha e pura,
De arzinho honesto, cheia de graça…
Todos murmuram: Que formosura!…
Quando ela passa…
Em: Coelho Netto e a Mina Literária, Imprensa de Alfredo Silva, Pará: 1899, pp 34-36
O enterro de Atala, 1808
Anne-Louis Girodet (França, 1767-1824)
óleo sobre tela, 207 x 267 cm
Louvre
Juvenal Galeno
Hoje, Dia de Finados,
Às campas os vivos vão
Aos mortos render menagem;
Mas, com certa ostentação…
E eu visito um cemitério
Dentro do meu coração.
Ai, nele, quantos sepulcros,
Quantas cruzes no seu chão:
Amores da primavera,
Amores do meu verão,
Que em meu outono revejo
Dentro do meu coração.
Quantas florinhas fanadas,
Ai, murchas ‘inda em botão;
Quanta esperança perdida,
Ai, quanta morta ilusão…
Aqui todas sepultadas
Dentro do meu coração.
E quantas cruzes de amigos,
Lembrando dedicação;
De amigos que me deixaram
Chorando na solidão,
Neste triste cemitério,
Dentro do meu coração.
Onde cultivo flores,
Eis minha consolação;
A saudade, a sempre-viva,
Perpétua recordação,
Para enfeitar suas campas,
Dentro do meu coração.
E minh’alma ajoelhada
Nesta santa região,
Entoa sentidas preces
Da mais pura devoção,
Entre ciprestes e cruzes,
Dentro do meu coração.
— Ceará, 2 de novembro de 1904 —
Tomates no saco plástico, 2009
Renato Meziat (Brasil, 1952)
óleo sobre tela, 60 x 80 cm
Fabrício Corsaletti
os tomates
fervendo na panela
meu pai minha mãe
na sala televisão
fiquei olhando
os tomates
estava frio o bafo
quente dos tomates
esquentava as mãos
saía da panela
já naquele dia
um cheiro
forte de passado