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Ilustração, autoria desconhecida.
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O dia em que eu ficar homem,
Como o Papai quero ser:
Trabalhador e honesto,
Cumpridor do meu dever.
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(Walter Nieble de Freitas)
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Ilustração, autoria desconhecida.–
O dia em que eu ficar homem,
Como o Papai quero ser:
Trabalhador e honesto,
Cumpridor do meu dever.
–
(Walter Nieble de Freitas)
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A jaula do leão, 1883
Daniel Hernández Morillo (Peru, 1856-1932)
óleo sobre tela
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Domingos Pellegrini
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No zoológico o mais esquisito
não é o bicho encolhido de medo
nem é o condor encarcerado em tédio
em vez de viajar ao infinito
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Não é tigre triste e sem remédio
não é macaco com olhar aflito
não é o leão vizinho do cabrito
ou a girafa longe de arvoredo
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Não é o rinoceronte sem campina
nem a onça sem caça a nos olhar
com a selvageria já mofina
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Bicho mais esquisito é o que aprisiona
a bicharada para se apreciar
arrotando pipoca e Coca-Cola
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Em: Gaiola aberta: 1964-2004, Domingos Pellegrini, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil: 2005
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Francisco Azevedo
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Nesta vida
a gente vai tomando sorvete
como pode.
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O pescoço torto
lambe em volta
pra não cair respingo.
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De repente, suspense:
a língua salva
em segundos
o excesso que escorre.
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Os olhos não enxergam
um palmo adiante do nariz:
riscos e cuidados
sujeira por um triz.
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Ao final
(Mesmo de colher)
só os raros chegam
sem melar as mãos.
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— Me alcança um guardanapo, vai.
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(New York, 1982)
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Em: A casa dos arcos, Francisco Azevedo, Paz e Terra: 1984, Rio de Janeiro
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Francisco José Alonso Vellozo Azevedo, (Rio de Janeiro, RJ , 23/2/1951) – formado em direito, diplomata, escritor, roteirista, cinematógrafo e poeta.
Obras:
Contra os moinhos de vento, poesia e prosa, 1979
A casa dos arcos, poesia, 1984
O arroz de palma, romance, 2008
Doce Gabito, romance, 2012
Unha e carne, teatro
A casa de Anaïs Nin, teatro
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Cebolinha no carro com papai. Ilustração Maurício de Sousa.–
Pai, tu foste um exemplo
de coragem e honestidade.
Fizeste da vida um templo
– Culto ao amor e à verdade!
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(Jessé Nascimento)
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As ruas são labirintos
onde eu noto, em profusão,
milhões de dramas distintos
vagando na multidão!
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(Arlindo Tadeu Hagen)
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José Paulo Moreira da Fonseca
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Antes do rubor da aurora
O teu vermelho canto se ergue em flamas
Ferindo a noturna paisagem, mas tão rude e sôfrego
Que dir-se-ia tudo perdido. E o repetes
E um novo cantar, ao longe, nos relembra a imensidão das sombras.
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Em: Antologia Poética, José Paulo M. F., Rio de Janeiro, Leitura: 1968
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Em manhã chuvosa, a vida
canta no seio da mata
e há notas de água caída
no piano da cascata.
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(José Lucas de Barros)
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Paciência é uma virtude
que se tem, mas que se gasta
quando se toma a atitude
de, para alguém, dizer: – Basta!
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(Antônio José Barradas Barroso)
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Na corda bamba da vida
meu equilíbrio anda perto
de descobrir a medida
entre um tombo e um passo certo.
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(Alba Christina)
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Ilustração, autoria desconhecida.–
Padece a Nação inteira
e explodem forças armadas,
quando a Sorte põe, arteira,
o poder em mãos erradas! …
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(Heloísa Zanconato Pinto)