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Ilustração de autoria desconhecida.
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Contemplando a natureza,
eu exclamo embevecido:
“Para ver tanta beleza,
como foi bom ter nascido!”
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(Djalda Winter Santos)
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Contemplando a natureza,
eu exclamo embevecido:
“Para ver tanta beleza,
como foi bom ter nascido!”
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(Djalda Winter Santos)
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Dia de chuva em São Paulo, 2009
Carmelo Gentil Filho (Brasil, 1955)
óleo sobre tela, 80 x 110 cm
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Luís Pimentel
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Uma cidade não é medida
por becos e logradouros,
nem lembra contas e cálculos
que a gente parte e reparte.
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A cidade é o que fica:
solidão, engenho e arte.
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Uma cidade é um rosário,
voltando sempre ao começo.
Não é o filho querido,
que quando cresce evapora.
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A cidade é o que se conta
no calcanhar da memória.
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Em: O calcanhar da memória, Luís Pimentel, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil: 2004
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Para não faltar o peixe,
Na mesa do nosso lar,
O pescador, bem cedinho,
Sua rede atira no mar.
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(Walter Nieble de Freitas)
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Eco e Narciso, 1903
John William Waterhouse (Inglaterra, 1849-1917)
óleo sobre tela, 109 x 189 cm
Walker Art Gallery, Liverpool
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Bastos Tigre
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Sobre um tema de Oscar Wilde
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Morreu Narciso. A triste nova
Correu, veloz, vale e colina,
Em luto, as flores todas da campina,
De pesar como prova,
Choraram longamente a morte de Narciso.
De repente, cessou o alegre riso
Que enchia o campo todas as manhãs.
Narciso era a beleza
Que iluminava a Natureza
E espalhava no espaço harmonias pagãs.
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Por isso as flores todas da campina
Choraram tanto, tanto,
Que já não tinha gotas a neblina
Com que pudesse alimentar o pranto
Das desoladas flores.
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Resolveram pedir a linfa cristalina
Do regato, um bocado de sua água;
E falaram-lhe assim: — Narciso é morto!
À nossa dor à nossa funda mágoa
O pranto falta que nos dê conforto.
Dá-nos uma pouco de tua água pura.
Mas o regato retorquiu: — Não posso…
Meu sofrimento inda é maior que o vosso!
A água que tenho não me basta
Para afogar a minha própria dor…
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Sabeis? Narciso a sua face linda
Mirava, todo o dia, em minha face…
— E amavas tanto vê-lo? interroga uma flor
— Não é que o não amasse
(Volve o regato) mas o meu desgosto
Aqui vo-lo revelo,
Não é a falta de lhe ver o rosto
Mas porque, quando em mim se contemplava,
Nos olhos de Narciso eu me mirava
E me achava tão belo! E me achava tão belo!
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Em: Antologia Poética, Bastos Tigre, vol. I, Rio de Janeiro, Editora Francisco Alves: 1982
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Joga o teu pião, menino,
aproveita a brincadeira,
que a fieira do destino
vai jogar-te a vida inteira…
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(Edgard Barcellos Cerqueira)
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Visita à vovó, ilustração Marie Cramer.–
Fizemos na vida ingrata
do nosso amor um tesouro:
os filhos nos deram prata!
Os netos nos deram ouro!
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(José Maria Machado de Araujo)
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Pedro Bandeira
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Sei que o mundo é mais que a casa,
Mais que a rua, mais que a escola,
Mais que a mãe e mais que o pai.
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Vai além do horizonte,
Que eu desenhei no caderno,
Como linha reta e preta,
Que separa azul de verde.
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Sei que é muito, sei que é grande,
Sei que é cheio, sei que é vasto.
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Me disseram que é uma bola,
Que flutua pelo espaço,
Atirada pelo espaço,
Atirada pelo chute
De um gigante poderoso;
Vai direto para um gol,
Que ninguém sabe onde é.
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Mas para mim o que mais conta
É este mundo que eu conheço
E que cabe direitinho
Bem debaixo do meu pé.
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Em: Cavalgando o arco-íris, Pedro Bandeira, São Paulo, Moderna:1984.
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A casa alheia varrendo
antes de limpar a sua
– é o que o homem está fazendo,
tão preocupado com a Lua.
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(Ney Damasceno)
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Decalcomania, 1966
René Magritte (Bélgica, )
óleo sobre tela
Coleção Particular, Dr. Noémi Perelman Mattis e Dr. Daniel C. Mattis
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Pedroso Rodrigues
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Que sombra vacilante e receosa,
De pedra em pedra, ao longo do caminho,
Vem seguindo os meus passos de mansinho,
E para, quando eu paro, cautelosa?
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Vê-me partir da terra e corre, ansiosa,
Morre e renasce, à luz do luar de arminho;
Sobre as ondas do mar, como um golfinho,
Corta do meu navio a proa airosa.
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Vai onde eu vou, onde eu existo existe;
Afasta-se sutil se a luz da esperança
Afaga o meu olhar; se me vê triste
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Vem logo a mim guardar-me noite e dia…
Sombra fiel, quem és, que não te cansa
Ser a sombra da luz que me alumia?
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Em: Poemas em sonetos, Pedroso Rodrigues, Rio de Janeiro, Editora do autor: 1933.
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Pedroso Rodrigues (Portugal? — Brasil?)
Obras:
Auto Pastoril, teatro, 1903
Bodas de Lia, teatro, 1906
A Cilada, teatro, 1912
Poemas em Sonetos, poesia, 1933
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Recordo o velho sobrado…
meus pais… a infância inocente…
e as essências do passado
vão perfumando o presente!…
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(Arlindo Tadeu Hagen)