Quadrinha da natureza

10 09 2012

Ilustração de autoria desconhecida.

Contemplando a natureza,
eu exclamo embevecido:
“Para ver tanta beleza,
como foi bom ter nascido!”

(Djalda Winter Santos)





A cidade, poesia de Luís Pimentel

8 09 2012

Dia de chuva em São Paulo, 2009

Carmelo Gentil Filho (Brasil, 1955)

óleo sobre tela, 80 x 110 cm

www.cgentil.com.br

A cidade

Luís Pimentel

Uma cidade não é medida

por becos e logradouros,

nem lembra contas e cálculos

que a gente parte e reparte.

A cidade é o que fica:

solidão, engenho e arte.

Uma cidade é um rosário,

voltando sempre ao começo.

Não é o filho querido,

que quando cresce evapora.

A cidade  é o que se conta

no calcanhar da memória.

Em: O calcanhar da memória, Luís Pimentel, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil: 2004





Quadrinha da pescaria diária

3 09 2012

Ilustração Walt Disney.

Para não faltar o peixe,

Na mesa do nosso lar,

O pescador, bem cedinho,

Sua rede atira no mar.

(Walter Nieble de Freitas)





Narciso e o Regato — poema de Bastos Tigre

2 09 2012

Eco e Narciso, 1903

John William Waterhouse (Inglaterra, 1849-1917)

óleo sobre tela, 109 x 189 cm

Walker Art Gallery, Liverpool

Narciso e o Regato

Bastos Tigre

Sobre um tema de Oscar Wilde

Morreu Narciso. A triste nova

Correu, veloz, vale e colina,

Em luto, as flores todas da campina,

De pesar como prova,

Choraram longamente a morte de Narciso.

De repente, cessou o alegre riso

Que enchia o campo todas as manhãs.

Narciso era a beleza

Que iluminava a Natureza

E espalhava no espaço harmonias pagãs.

Por isso as flores todas da campina

Choraram tanto, tanto,

Que já não tinha gotas a neblina

Com que pudesse alimentar o pranto

Das desoladas flores.

Resolveram pedir a linfa cristalina

Do regato, um bocado de sua água;

E falaram-lhe assim:  — Narciso é morto!

À  nossa dor à nossa funda mágoa

O pranto falta que nos dê conforto.

Dá-nos uma pouco de tua água pura.

Mas o regato retorquiu: — Não posso…

Meu sofrimento inda é maior que o vosso!

A água que tenho não me basta

Para afogar a minha própria dor…

Sabeis? Narciso a sua face linda

Mirava, todo o dia, em minha face…

— E amavas tanto vê-lo? interroga uma flor

— Não é que o não amasse

(Volve o regato) mas o meu desgosto

Aqui vo-lo revelo,

Não é a falta de lhe ver o rosto

Mas porque, quando em mim se contemplava,

Nos olhos de Narciso eu me mirava

E me achava tão belo! E me achava tão belo!

Em: Antologia Poética, Bastos Tigre, vol. I, Rio de Janeiro, Editora Francisco Alves: 1982





Quadrinha do pião

22 08 2012

Chico Bento procura por seu pião. Ilustração de Maurício de Sousa.

Joga o teu pião, menino,
aproveita a brincadeira,
que a fieira do destino
vai jogar-te a vida inteira…

(Edgard Barcellos Cerqueira)





Quadrinha dos filhos e netos

21 08 2012

Visita à vovó, ilustração Marie Cramer.

Fizemos na vida ingrata
do nosso amor um tesouro:
os filhos nos deram prata!
Os netos nos deram ouro!


(José Maria Machado de Araujo)





Esse pequeno mundo, poesia de Pedro Bandeira

20 08 2012

Esse pequeno mundo

Pedro Bandeira

Sei que o mundo é mais que a casa,

Mais que a rua, mais que a escola,

Mais que a mãe e mais que o pai.

 –

Vai além do horizonte,

Que eu desenhei no caderno,

Como linha reta e preta,

Que separa azul de verde.

 –

Sei que é muito, sei que é grande,

Sei que é cheio, sei que é vasto.

 –

Me disseram que é uma bola,

Que flutua pelo espaço,

Atirada pelo espaço,

Atirada pelo chute

De um gigante poderoso;

Vai direto para um gol,

Que ninguém sabe onde é.

 –

Mas para mim o que mais conta

É este mundo que eu conheço

E que cabe direitinho

Bem debaixo do meu pé.

Em: Cavalgando o arco-íris, Pedro Bandeira, São Paulo, Moderna:1984.

 –





Quadrinha da poluição

17 08 2012

Ilustração Chris Madden. [www.chrismadden.co.uk]

A casa alheia varrendo
antes de limpar a sua
– é o que o homem está fazendo,
tão preocupado com a Lua.

(Ney Damasceno)





A minha sombra, poema de Pedroso Rodrigues

15 08 2012

Decalcomania, 1966

René Magritte (Bélgica, )

óleo sobre tela

Coleção Particular, Dr. Noémi Perelman Mattis e Dr. Daniel C. Mattis

A minha sombra

Pedroso Rodrigues

Que sombra vacilante e receosa,

De pedra em pedra, ao longo do caminho,

Vem seguindo os meus passos de mansinho,

E para, quando eu paro, cautelosa?

Vê-me partir da terra e corre, ansiosa,

Morre e renasce, à luz do luar de arminho;

Sobre as ondas do mar, como um golfinho,

Corta do meu navio a proa airosa.

Vai onde eu vou, onde eu existo existe;

Afasta-se sutil se a luz da esperança

Afaga o meu olhar; se me vê triste

Vem logo a mim guardar-me noite e dia…

Sombra fiel, quem és, que não te cansa

Ser a sombra da luz que me alumia?

Em: Poemas em sonetos, Pedroso Rodrigues, Rio de Janeiro, Editora do autor: 1933.

Pedroso Rodrigues (Portugal? — Brasil?)

Obras:

Auto Pastoril, teatro, 1903

Bodas de Lia, teatro, 1906

A Cilada, teatro, 1912

Poemas em Sonetos, poesia, 1933





Quadrinha da casa onde cresci

14 08 2012

Ilustração Lívia.

Recordo o velho sobrado…
meus pais… a infância inocente…
e as essências do passado
vão perfumando o presente!…

(Arlindo Tadeu Hagen)