Ferreira Gullar: arte contemporânea

4 12 2016

 

 

the_scream_pastelO grito da natureza, 1895

Evard Munch (Noruega, 1863-1944)

pastel sobre papelão, 79 x 59 cm

Coleção Particular de Leon Black

 

 

“O principal problema da arte contemporânea é que se confundiu expressão com arte. Perdeu-se a noção de que uma coisa pode ser expressiva sem ser arte. Por exemplo: se eu dou um grito, isso é expressão, mas não é arte. Para que esse grito se torne arte, é preciso que eu o transforme num poema, ou que um pintor como [Edvard] Munch faça um quadro como O Grito, em que aquilo vira uma obra plástica. Se eu me sentar no chão em cima de terra, mesmo que seja no museu, não é obra de arte. Pode ser uma atitude, uma performance adotada como protesto, como manifestação, mas não é obra de arte.”

 

Ferreira Gullar

 

 

ferreiragullar5Ferreira Gullar (Brasil, 10-09 1930 — 4-12-2016)

 

 

Faleceu hoje um dos nossos maiores poetas. 
Perdemos todos.




Trova da Faxina natalina

3 12 2016

 

 

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No meu Natal é rotina

deixar tudo no “capricho”:

no peito faço faxina e

jogo as mágoas no lixo!

 

(Élbea Priscila de S. e Silva)

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Trova do sapatinho no Natal

1 12 2016

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Natal: volte a ser criança,

colocando – em profusão –

sapatinhos de esperança…

na janela da ilusão!

 

 

(Regina Célia de Andrade)

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Trova das lembranças

29 11 2016

 

 

saudades-amos-sewell-1901-1983Sótão, ilustração de Amos Sewell (1901-1983)

 

 

 

Brinquedos velhos, em trapos,

sem importância, parecem…

mas guardam nos seus farrapos

lembranças que não se esquecem,…

 

(Marina Bruna)





Trova da sua passagem

26 11 2016

 

 

nicolai-fominIlustração de Nicolai Fomin.

 

 

Senti, no suave cheiro

que o vento me trouxe agora,

que o vento passou primeiro

pela rua onde ela mora!

 

(Arlindo Tadeu Hagen)





Ó sino de minha aldeia, poema de Fernando Pessoa

24 11 2016

 

José Pancetti, Igreja do Senhor do Bonfim, 1945,ost, 46x38Igreja do Senhor do Bonfim, 1945

José Pancetti (Brasil, 1902-1958)

óleo sobre tela, 46 x 38 cm

 

 

 

Ó sino de minha aldeia,

Dolente na tarde calma,

Cada tua badalada

Soa dentro de minh’alma.

 

E é tão lento o teu soar,

Tão como triste da vida,

Que já a primeira pancada

Tem o som de repetida.

 

Por mais que me tanjas perto

Quando passo, sempre errante,

És para mim como um sonho,

Soas-me na alma distante.

 

A cada pancada tua,

Vibrante no céu aberto,

Sinto mais longe o passado,

Sinto a saudade mais perto.

 

 

Em: Poesias, Fernando Pessoa, Lisboa, Ática, 1987, 12ª edição, p. 95-6.

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Trova do tropeço

21 11 2016

 

 

escorregaoPato Donald escorrega,©Walt Disney.

 

 

 

Certo dia madruguei,

ao sair, um bom começo,

porque  dinheiro encontrei

no chão, após um tropeço.

 

 

(Flávio Ferreira da Silva)

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Trova da andorinha

15 11 2016

 

une-annee-avec-les-hirondelles_336_frAndorinhas, ilustração francesa.

Se acaso eu fosse rainha,

dava a você meu reinado;

e se fosse uma andorinha,

o meu ninho no telhado.

 
(Colombina)

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As portas, poesia de Marialzira Perestrello

14 11 2016

 

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFachada e muro, 1970

José Paulo Moreira da Fonseca (Brasil, 1922- 2004)

óleo sobre placa, 55 x 47 cm

 

 

As portas
(A José Paulo Moreira da Fonseca)

 

As sombras que fazes

nas portas que pintas,

a tábuas azuis

o verdes gradis,

aquele amarelo

— é tudo verdade? —

Será que existem?

 

Quem faz tuas portas,

um sonho esconde.

Que tens atrás delas?

 

Ali estão vivos fantasmas reais?

 

Teresópolis, dezembro 1962

 

 

Em: Mãos Dadas, Marialzira Perestrello, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1989, p. 41

 

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Quadrinha do luar

11 11 2016

 

luar, christine barnesLuar, ilustração de Christine Barnes.

 

 

A lua, pelo céu, passeia airosa,

A copa do arvoredo prateando,

E passando entre as folhas, sobre o lago,

Um poema de rendas vai bordando.

 

 

(Maria Thereza de Andrade Cunha)

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