No meu Natal é rotina
deixar tudo no “capricho”:
no peito faço faxina e
jogo as mágoas no lixo!
(Élbea Priscila de S. e Silva)
No meu Natal é rotina
deixar tudo no “capricho”:
no peito faço faxina e
jogo as mágoas no lixo!
(Élbea Priscila de S. e Silva)
Natal: volte a ser criança,
colocando – em profusão –
sapatinhos de esperança…
na janela da ilusão!
(Regina Célia de Andrade)
Sótão, ilustração de Amos Sewell (1901-1983)
Brinquedos velhos, em trapos,
sem importância, parecem…
mas guardam nos seus farrapos
lembranças que não se esquecem,…
(Marina Bruna)
Ilustração de Nicolai Fomin.
Senti, no suave cheiro
que o vento me trouxe agora,
que o vento passou primeiro
pela rua onde ela mora!
(Arlindo Tadeu Hagen)
Igreja do Senhor do Bonfim, 1945
José Pancetti (Brasil, 1902-1958)
óleo sobre tela, 46 x 38 cm
Ó sino de minha aldeia,
Dolente na tarde calma,
Cada tua badalada
Soa dentro de minh’alma.
E é tão lento o teu soar,
Tão como triste da vida,
Que já a primeira pancada
Tem o som de repetida.
Por mais que me tanjas perto
Quando passo, sempre errante,
És para mim como um sonho,
Soas-me na alma distante.
A cada pancada tua,
Vibrante no céu aberto,
Sinto mais longe o passado,
Sinto a saudade mais perto.
Em: Poesias, Fernando Pessoa, Lisboa, Ática, 1987, 12ª edição, p. 95-6.
Pato Donald escorrega,©Walt Disney.
Certo dia madruguei,
ao sair, um bom começo,
porque dinheiro encontrei
no chão, após um tropeço.
(Flávio Ferreira da Silva)
Andorinhas, ilustração francesa.Se acaso eu fosse rainha,
dava a você meu reinado;
e se fosse uma andorinha,
o meu ninho no telhado.
(Colombina)
José Paulo Moreira da Fonseca (Brasil, 1922- 2004)
óleo sobre placa, 55 x 47 cm
As sombras que fazes
nas portas que pintas,
a tábuas azuis
o verdes gradis,
aquele amarelo
— é tudo verdade? —
Será que existem?
Quem faz tuas portas,
um sonho esconde.
Que tens atrás delas?
Ali estão vivos fantasmas reais?
Em: Mãos Dadas, Marialzira Perestrello, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1989, p. 41
Luar, ilustração de Christine Barnes.
A lua, pelo céu, passeia airosa,
A copa do arvoredo prateando,
E passando entre as folhas, sobre o lago,
Um poema de rendas vai bordando.
(Maria Thereza de Andrade Cunha)
Gato com bola
Vicente Do Rego Monteiro (Brasil, 1899-1970)
óleo sobre tela, 65 X 80 cm
Marina Colasanti
No alto do muro
pulando no escuro
miando no mato
entrando em apuro
é o gato, seguro.
De antigo passado
e jeito futuro
movimento puro
ar sofisticado
é o gato, de fato.
Só pode ser gato
esse bicho exato
acrobata nato
que só cai de quatro.