Você nem sabe a ventura
que me traz seu bem-querer:
se é paixão ou se é loucura,
eu não quero nem saber!
(Ana Maria Motta)
Você nem sabe a ventura
que me traz seu bem-querer:
se é paixão ou se é loucura,
eu não quero nem saber!
(Ana Maria Motta)
Planejo a carta e o maldoso
orgulho logo desponta
E caneta de orgulhoso
não tem tinta e não tem ponta!
(Ana Maria Motta)

A leitora, 1901
Auguste Frederic Dufaux (Suiça,1852-1943)
óleo sobre tela
Morava no engenho uma mulher por nome Josefa, conhecida como feiticeira. Tinha três filhos homens: João Duda, Antônio Cuíca e Felizardo, o melhor cortador de cana, que voltou da cidade, num dia de feira, em toda carreira, com a polícia no encalço. Chegando,gritou de longe para meu pai dizendo que acabara de cometer um crime e pedindo proteção. Matara Mesquece, um vendedor de cocada, por uma questão de troco.
Meu pai negou-lhe asilo. Não admitia criminoso em sua terra, mas nesse dia não jantou e dormiu tarde.
Veio o comandante do destacamento, tenente Moreirinha, e pediu licença para correr a propriedade. Contrariando a tradição de inviolabilidade dos engenhos, meu pai permitiu.
Além de varejar todas as casas, a polícia surrou a mãe do assassino e sua cunhada, mulher de Antônio Cuíca, o que causou indignação a meu pai.
Diziam os moradores que, com a diligência na ilharga, Felizardo tornara-se invisível por ter virado a camisa pelo avesso. Fugiu e homiziou-se numa usina em Pernambuco, só voltando a Areia depois de prescrito o crime.
Em: Memórias: antes que me esqueça, José Américo de Almeida, Rio de Janeiro, Francisco Alves: 1976, pp. 60-61
Passam crianças depressa,
levando livros nos braços…
É o futuro que começa
a dar os primeiros, passos.
(Durval Mendonça)
— Viste que broche ofuscante
traz ela preso ao vestido?
Muito lindo! É diamante?…
— Não, meu bem, é do marido.
(Albércio Vieira Machado)
Bordam, soltos, seus cabelos,
caracóis negros na fronha,
e eu, insone, horas a vê-los,
fico a sonhar com quem sonha…
(Edgard Barcellos Cerqueira)
A mulher grega (Caliope)
Anna-Maria Oeser (Alemanha, contemporânea)
óleo sobre tela, 70 x 50 cm
Luiz Roberto Nascimento Silva
Manhãs claras
Janelas abertas
Alpendre.
Amanhecer em maio.
Cavalo baio.
Em: A flauta vertebral, Luiz Roberto Nascimento Silva, Rio de Janeiro, Rocco: 1999, p. 61
Uma vez tu me beijaste
e eu fiquei pobrezinha,
porque num beijo levaste
todos os beijos que eu tinha.
(Alda Pereira Pinto)
Pausa
Iman Maleki (Irã, 1976)
óleo sobre tela
Shakespeare é o poeta mais lido de todos os tempos. Isso não deve ser novidade para ninguém. Mas você sabe quais são os poetas em segundo e terceiro lugares na popularidade? O segundo poeta mais lido no mundo é o sábio taoista Lao Tzu. Em terceiro lugar fica o poeta libanês que adotou a cidadania americana, Kahlil Gibran.
Que seria deste mundo,
não fosse o livro existir?
Seria treva o passado,
um sol sem brilho o porvir.
(Elpídio Reis)








