Quantos Dias — poesia tradicional brasileira

28 09 2012

Reunião de bonecas, ilustração B. Midderigh Bokhorst, 1930.

Quantos dias

Trinta dias tem setembro,

mais abril, junho e novembro

fevereiro, vinte oito tem;

nos bissextos, mais um lhe deem,

e os outros, que sete são,

trinta e um todos terão.

Em: O mundo da criança: poemas e rimas, Rio de Janeiro, Delta:  sem data





Pedro Bandeira sobre Monteiro Lobato nas escolas!

27 09 2012





Os relógios, poema de Décio Valente

26 09 2012

Ilustração Kaili.

Os relógios

Décio Valente

Sempre andando,

sem parar um segundo,

vão eles,

em monótono tique-taque,

levando o Tempo

nos finos braços,

que se enlaçam

em contínuos abraços

e marcam,

minuto a minuto,

a pontualidade

das horas tristes e alegres,

que passam…

Em: Cantiga Simples: poesias, Décio Valente, São Paulo:1971





Todo cuidado é pouco, texto de leitura escolar

25 09 2012

Guarda de trânsito, ilustração de Helen Prickett.

Todo cuidado é pouco

A vida no meu bairro começa cedo. Mas desponta o sol no horizonte, tem início o movimento. As ruas se enchem de pessoas e veículos. Primeiro, surgem os ônibus levando os operários para as fábricas e construções. Depois aparecem os carrinhos de sanduíches, oferecendo café da manhã para quem está com pressa.  Aparecem logo também as motocicletas dos entregadores e as bicicletas de quem trabalha mais perto.  Mais tarde, vêm os caminhões carregados de mercadorias e os automóveis conduzindo passageiros para o centro da cidade.

Às sete horas, quando saio para a escola, o movimento é intenso.  Sigo então pela calçada, evitando esbarrar nos outros. Quando preciso mudar de calçada, olho para os lados e, se não vem nenhum veículo, atravesso a rua com cautela. Faço isso porque tenho lido, nos jornais, notícias de desastres com meninos imprudentes, apanhados pelos automóveis.

Não quero ficar aleijado para toda vida, como Zezé, meu vizinho, que desobedeceu a ordem do guarda-civil e foi atropelado por um caminhão.

Para subir e descer do ônibus, espero que ele pare completamente.  Não gosto de apanhar o ônibus andando.  Não desejo voltar para casa num carro do Pronto Socorro. Por isso quando ando pela cidade, nunca esqueço das palavras do papai:

— Na rua, meu filho, todo cuidado é pouco!

TEXTO EDITADO E ADAPTADO

De: Leituras Infantis, Theobaldo Miranda Santos, 2º livro, para escolas primárias do Brasil, 14ª edição, Rio de Janeiro, Agir: 1962.





Andorinhas, poesia de Stella Leonardos

23 09 2012

Andorinhas no galho, aquarela, Sherri Friesman.

Andorinhas

Stella Leonardos

Namoradas do sol, andorinhas inquietas,

Poesia dos beirais de asas leves e errantes!

Vocês vêm vocês vão como versos trissantes

De sílabas azuis, de rimas incompletas.

Andorinhas azuis de revoadas constantes!

Você me lembram sempre a saudade dos poetas

Incansáveis da altura e dos céus mais distantes.

Em: Pedra no Lago, Stella Leonardos, Rio de Janeiro, Livraria São José:1956, p. 27

Stella Leonardos da Silva Lima Cabassa (Rio de Janeiro RJ, 1923). Poeta, tradutora, romancista, com mais de 70 obras publicadas, em poesia, prosa, ensaios, teatro, romances e literatura infantil.  Considerada membro expoente da 3ª geração de poetas modernistas.  Um dos maiores nomes da poesia contemporânea no Brasil.





Divertimento, poesia de Henriqueta Lisboa

17 09 2012

Ilustração Elizabeth Webbe, 1963.

Divertimento

Henriqueta Lisboa

O esperto esquilo

ganha um coco.

Tem olhos intranquilos

de louco.

Os dentes finos

mostra. E em pouco

os dentes finca

na polpa.

Assim, com perfeito estilo,

sob estridentes

dentes,

o coco, em segundos, fica

oco.

Em: Nova Lírica: poemas selecionados, Henriqueta Lisboa, Belo Horizonte, Imprensa Oficial: 1971





Trova (Quadrinha) da primavera!

14 09 2012

Ilustração de Sylvie Daigneault.

Primavera colorida,

estação de belas flores!

A primavera da vida

lembra a estação dos amores.

(Lêda Terezinha de Oliveira)





Quadrinha da natureza

10 09 2012

Ilustração de autoria desconhecida.

Contemplando a natureza,
eu exclamo embevecido:
“Para ver tanta beleza,
como foi bom ter nascido!”

(Djalda Winter Santos)





A cidade, poesia de Luís Pimentel

8 09 2012

Dia de chuva em São Paulo, 2009

Carmelo Gentil Filho (Brasil, 1955)

óleo sobre tela, 80 x 110 cm

www.cgentil.com.br

A cidade

Luís Pimentel

Uma cidade não é medida

por becos e logradouros,

nem lembra contas e cálculos

que a gente parte e reparte.

A cidade é o que fica:

solidão, engenho e arte.

Uma cidade é um rosário,

voltando sempre ao começo.

Não é o filho querido,

que quando cresce evapora.

A cidade  é o que se conta

no calcanhar da memória.

Em: O calcanhar da memória, Luís Pimentel, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil: 2004





Quadrinha da pescaria diária

3 09 2012

Ilustração Walt Disney.

Para não faltar o peixe,

Na mesa do nosso lar,

O pescador, bem cedinho,

Sua rede atira no mar.

(Walter Nieble de Freitas)