Quadrinha da ceia de Natal

9 12 2011
Natal em família, Pato Donald, Margarida, Huguinho, Luizinho, Zezinho e Tio Patinhas, ilustração Walt Disney.

Festejar é natural,

mas a cristandade anseia

por ver ceia de Natal

com mais Natal… menos ceia!

(Arlindo Tadeu Hagen)





Quadrinha de um pedido de Natal

7 12 2011

Cartão postal, 1878

   É Natal… Com humildade

   faço um pedido, em segredo:

  que eu ganhe a felicidade

  nem que seja de brinquedo!

(J. G. de Araújo Jorge)





Quadrinha do Papai Noel e a paz

6 12 2011

Papai Noel brasileiro, ilustração Luís Saguar, 2007.

Papai Noel vê se faz

do Natal, um baluarte:

— Erga a Bandeira da Paz,

Gravando AMOR, no Estandarte!

(Ivone Taglialegna Prado)





Olavo Bilac, Os Reis Magos, poesia

5 12 2011

A jornada dos Reis Magos,1886-1894.

James Joseph Jacques Tissot (França,1836-1902)

guache e lápis sobre papel, 20 x 29 cm

Museu do Brooklyn, Nova York

Os Reis Magos

Olavo Bilac

Diz a Sagrada Escritura
Que, quando Jesus nasceu,
No céu, fulgurante e pura,
Uma estrela apareceu.

Estrela nova … Brilhava
Mais do que as outras; porém
Caminhava, caminhava
Para os lados de Belém.

Avistando-a, os três Reis Magos
Disseram: “Nasceu Jesus!”
Olharam-na com afagos,
Seguiram a sua luz.

E foram andando, andando,
Dia e noite a caminhar;
Viam a estrela brilhando,
sempre o caminho a indicar.

Ora, dos três caminhantes,
Dois eram brancos: o sol
Não lhes tisnara os semblantes
Tão claros como o arrebol

Era o terceiro somente
Escuro de fazer dó …
Os outros iam na frente;
Ele ia afastado e só.

Nascera assim negro, e tinha
A cor da noite na tez :
Por isso tão triste vinha …
Era o mais feio dos três !

Andaram. E, um belo dia,
Da jornada o fim chegou;
E, sobre uma estrebaria,
A estrela errante parou.

E os Magos viram que, ao fundo
Do presépio, vendo-os vir,
O Salvador deste mundo
Estava, lindo, a sorrir

Ajoelharam-se, rezaram
Humildes, postos no chão;
E ao Deus-Menino beijaram
A alava e pequenina mão.

E Jesus os contemplava
A todos com o mesmo amor,
Porque, olhando-os, não olhava
A diferença da cor …

Em: Poesias infantis, Olavo Bilac, Rio de Janeiro, Livraria Francisco Alves: 1949, 17ª edição, pp. 26-28

Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (RJ 1865 — RJ 1918 ) Príncipe dos Poetas Brasileiros – Jornalista, cronista, poeta parnasiano, contista, conferencista, autor de livros didáticos.  Escreveu também tanto na época do império como nos primeiros anos da República, textos humorísticos, satíricos que em muito já representavam a visão irreverente, carioca, do mundo.  Sua colaboração foi assinada sob diversos pseudônimos, entre eles: Fantásio, Puck, Flamínio, Belial, Tartarin-Le Songeur, Otávio Vilar, etc., e muitas vezes sob seu próprio nome.  Membro fundador da Academia Brasileira de Letras. Criou a cadeira 15, cujo patrono é Gonçalves Dias.  Sem sombra de duvidas, o maior poeta parnasiano brasileiro.

Obras:

Poesias (1888 )

Crônicas e novelas (1894)

Crítica e fantasia (1904)

Conferências literárias (1906)

Dicionário de rimas (1913)

Tratado de versificação (1910)

Ironia e piedade, crônicas (1916)

Tarde (1919); poesia, org. de Alceu Amoroso Lima (1957) e obras didáticas





Quadrinha da paz no Natal

4 12 2011

Cartão de Natal da Polônia, década de 1960.

Que o bom menino Jesus

Em sua visita anual

Traga aos lares paz e luz

Pelo menos no Natal!

(Maria Odete Souto Pereira)





A árvore de Natal de Jean Lou, texto de Gregório José

2 12 2011

A árvore de Natal de Jean Lou:

um conto de Natal

Gregório José

 –

A história passa-se perto de uma aldeia de Vesges, numa casa isolada, próximo de uma floresta de pinheiros.

— Papá, perguntou Jean Lou, quando acordou – Quero uma árvore de Natal.  Os meus amigos da aldeia vão todos ter uma.

–Mas tu não tens necessidade de uma árvore de Natal, respondeu-lhe o pai.  – Há tantas em volta da casa.

— Não árvores de Natal, são pinheiros.

— É a mesma coisa.

Oh, não, não era a mesma coisa, pensou o filho.  Para um pinheiro se tornar uma árvore de Natal, é preciso que se ilumine, e que tenha prendas para os meninos!

Jean Lou sentiu o coração encher-se de desgosto.  A mamã tinha morrido na Primavera, e op ai, sozinho com dois filhos, não substituía a sua ternura.  Mas Jean não perdera de todo a esperança e perguntou ao irmão mais velho, Lucien, — O que é preciso para ter uma árvore de Natal.

Ora os pintarroxos, essas avezinhas simpáticas de babete vermelho, vão próximo das casas, não têm medo das pessoas, mas vivem sempre isoladas.  Jean Lou entrou em casa,  colou o rosto  contra o vidro da janela e observou atentamente a estrada.  Era o entardecer.  Um pintarroxo pousou nela, de seguida um outro sobre um arbusto. O coração do menino saltou acelerado, enquanto via um terceiro pousar sobre um tufo de ervas.

— Um, dois, três… contou o rapazinho.

— Vejo-os, vejo os três pintarroxos, vou ter a minha árvore de Natal!

Precipitou-se de encontro a Lucien, que regressava do campo: — Vou ter minha árvore de Natal!

— Mas que se passa?  Admirou-se Lucien, que tinha esquecido a brincadeira.

— Vi três  pintarroxos juntos!

—  Juntos?  Uns ao lado dos outros?

— Não. Um na estrada, outro num arbusto e outro sobre a relva.  Mas vi-os ao mesmo tempo.  Vou ter a minha árvore de Natal?

— Sem dúvida, prometeu o irmão, perante tanta alegria.  Mas como?

Lucien bem gostaria de dar essa alegria ao seu irmãozinho, mas como encontrar uma verdadeira árvore de Natal?

Após o jantar, Lucien foi dar um passeio, procurando uma idéia. Pinheiros não faltavam.. e quando acariciava um dos mais bonitos, a percebeu-se de um suave murmúrio: “eu farei uma bonita árvore de Natal, se tu quiseres…”

— Não posso levar-te para casa.

— Trarás o teu irmão junto de mim.

— Mas… falta-te tudo, para seres uma árvore de Natal.

— Podemos encontrar tudo aqui.  Tenho amigos, a neve, a geada, as corujas, os silvados, a lua, o céu e até mesmo as aranhas, que estão escondidas no celeiro.  Os meus amigos poderão ajudar-te, não queres?

Então a neve disse:  “Tornarei branco o pinheiro, como se fosse de arminho”; a geada pronunciou: “Fá-lo-ei brilhar como se estivesse salpicado de diamantes”; os silvados: “Nós temos bonitas bagas vermelhas”;  as corujas prometeram dissimularem-se nas ramagens e abrindo e fechando os olhos brilhantes, substituírem as lâmpadas elétricas.

O céu oferecia as estrelas, para enfeitar as pontas dos ramos, e a Lua estenderia os seus raios brilhantes, para colorir as pinhas e os brinquedos de madeira que Jean teria.

Lucien regressou a casa, contentíssimo.  Mas de repente, pensou que se tinha esquecido das aranhas.  Que poderiam elas oferecer?  Foi ao celeiro.

— Fizeste bem em vir, disseram elas, poderemos tornar a árvore verdadeiramente bela.  Lançaremos fios de alto a baixo, e a envolveremos numa rede de renda.

— Mas os vossos fios são escuros e tristes?!?!

— Não.  A geada prateará os nossos fios, verás.

A noite de Natal chegou.

O pai tinha comprado um lindo bolo.  Jantaram e deitaram-se.  Assim que pressentiram que o pai dormia, Lucien agasalhou muito bem o irmão e saíram silenciosamente.

Ao  dobrar a esquina da estrada, Jean parou fascinado.  A Árvore de Natal estava ali, grande e tão bem enfeitada que nada poderia haver de mais belo.

Os ramos cintilavam.  Longos fios prateados envolviam-na e as corujas  escondidas abriam e fechavam os olhos alternadamente.

Jean nem se preocupava com os brinquedos, pendurados pelo irmão:  um pífaro feito de um junco, animais feitos à faca, um cachimbo e misteriosos saquinhos com berlindes, bonbons e outras coisas.

A Lua dava um tom dourado a tudo.  As estrelas cintilavam docemente nas extremidades dos ramos, enquanto ao longe, o som mavioso dos sinos subia e chegava até eles.

Foi assim que Jean, o menino órfão de mãe, pode ter, para ele só nessa noite, a mais linda árvore de Natal.

Tradução do livro Les Contes de Perrette

Em:  Comércio do Seixal e Sesimbra, Semanário,  17 de dezembro de 2010, Ano IV, nº 129





Quadrinha pelo Natal das crianças

2 12 2011

Deus na terra… Eis o Natal!

Repicam sinos… Festanças…

Feriado nacional          

no coração das crianças!

( J. G. de Araújo Jorge)





Quadrinha pelo Natal

1 12 2011
Natal na cidade, ilustração Tasha Tudor (EUA, 1915-2008).

Na matriz dobram os sinos,

acompanhando o coral;

na alegria dos meninos

todos cantam o Natal.

(Antônio Seixas)





Quadrinha da pescaria

28 11 2011

Pescaria inesperada, cartão postal de 1928.

Que o bom pescador se queixe

de sua vida bem penosa

é justo: lidar com peixe

é missão bem espinhosa.

(Túlio de Ayala)





Em férias, poesia infantil de Zalina Rolim

24 11 2011

Jardim florido, ilustração de Charles Robinson.

Em férias

Zalina Rolim

No campo a gente madruga;

Deixa‑se a cama cedinho,

Quando a aurora acorda o ninho

E o orvalho às plantas enxuga.

O céu é todo rubores;

Toda a campina, um veludo…

E ondeia e espalha‑se em tudo

O aroma vivo das flores.

Sai das verdes profunduras

Barulho d’ água, ligeiro,

Como um som de voz fagueiro,

Falando de cousas puras.

E deleita e aviva o olfato,

O cheiro forte e sadio,

Que vem das margens do rio

E dos verdores do mato.

Os burricos vão espertos,

Num trote, campina em fora,

Alongando o olhar, que explora

Longínquos plainos desertos

E as vozes dos pequeninos

Ressoam festivamente,

No frescor do ar transparente,

Em vivos sons cristalinos.

Na frente, o mais corajoso,

— Chapéu na mão, pronto e ledo,

Explora o campo, sem medo,

Todo radiante de gozo.

E, farejando o caminho,

Pendente a língua vermelha,

O cão, no olhar, o aconselha

A dar a rédea ao burrinho.

Das frescas moitas cheirosas,

Tintas de alegres matizes,

Erguem o vôo as perdizes,

Batendo as asas plumosas.

E mil insetos, zumbindo

No ar puro da madrugada,

Sonorizam toda a estrada

Num concerto estranho e lindo.

Maria Zalina Rolim Xavier de Toledo — nasceu em Botucatu (SP), em 20 de julho de 1869.

Professora alfabetizadora transferiu-se com a família para São Paulo em 1893.

Educadora, entre 1896 e 1897, exerceu o cargo de vice-inspetora, do Jardim da Infância anexo à Escola Normal Caetano de Campos, em São Paulo.

Escreveu para diversas revistas femininas e jornais como A Mensageira, O Itapetininga, Correio Paulistano e A Província de São Paulo.

Faleceu em São Paulo, em 24 de junho de 1961.

Obras:

1893 – O coração

1897 – Livro das Crianças

1903 – Livro da saudade (organizado nesta data para publicação póstuma)