Quadrinha infantil da sala de aula

25 03 2012

Chico Bento vai à escola, ilustração Maurício de Sousa.

Em aula preste atenção

Naquilo que o mestre ensina,

Não converse, não graceje,

Não perturbe a disciplina.

(Walter Nieble de Freitas)





Quadrinha da erosão

24 03 2012

Chico Bento prepara o terreno, ilustração Maurício de Sousa.

Cabe ao nosso agricultor

A obrigação de saber

Que deve reflorestar,

Se quiser sobreviver.

(Walter Nieble de Freitas)





Quadrinha das nossas escolhas

23 03 2012

São tantas encruzilhadas!…

Por isso eu me perco assim,

ao trafegar nas estradas

que existem…dentro de mim!…

 –

(Newton Vieira)





Poesia infantil: Tempestade, de Henriqueta Lisboa

19 03 2012

Ilustração Magret Boriss.

Tempestade

Henriqueta Lisboa

— Menino, vem para dentro,

Olha a chuva lá na serra,

Olha como vem o vento!

—  Ah! Como a chuva é bonita

E como o vento é valente!

—  Não sejas doido, menino,

Esse vento te carrega,

Essa chuva te derrete!

— Eu não sou feito de açúcar

Para derreter na chuva.

Eu tenho força nas pernas

Para lutar contra o vento!

E enquanto o vento soprava

E enquanto a chuva caía,

Que nem um pinto molhado,

Teimoso como ele só:

— Gosto de chuva com vento,

Gosto de vento com chuva!

Henriqueta Lisboa (MG 1901- MG 1985), poeta mineira. Escritora, ensaísta,  tradutora professora de literatura,  Com Enternecimento (1929), recebeu o Prêmio Olavo Bilac de Poesia da Academia Brasileira de Letras.  Em 1984, recebeu o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras pelo conjunto de sua obra.

Obras:

Fogo-fátuo (1925)

Enternecimento (1929)

Velário (1936)

Prisioneira da noite (1941)

O menino poeta (1943)

A face lívida (1945) — à memória de Mário de Andrade, falecido nesse ano

Flor da morte (1949)

Madrinha Lua (1952)

Azul profundo (1955);

Lírica (1958)

Montanha viva (1959)

Além da imagem (1963)

Nova Lírica ((1971)

Belo Horizonte bem querer (1972)

O alvo humano (1973)

Reverberações (1976)

Miradouro e outros poemas (1976)

Celebração dos elementos: água, ar, fogo, terra (1977)

Pousada do ser (1982)

Poesia Geral (1985), reunião de poemas selecionados pela autora do conjunto de toda a obra, publicada uma semana após o seu falecimento.





Quadrinha da lição do pai

18 03 2012

Ilustração Patricia Storms.

É assim mesmo meu filho,

aqui no mundo há de tudo:

alfaiate maltrapilho

e barbeiro cabeludo…

(Lauro Cataldi)





Quadrinha da lua

16 03 2012

Docemente equilibrada,

ia a lua pelos ares,

qual linda concha embalada

pela corrente dos mares.

(Gonçalves Dias)





Pipoca, poesia infantil de Maria da Graça Almeida

15 03 2012

Magali tem um sonho de pipoca.  Ilustração, Maurício de Sousa.

Pipoca

Maria da Graça Almeida

Pipipipipipoquinha…
que chuvinha mais gostosa!
Corro logo pra cozinha,
nem disfarço… sou gulosa!

Pipipipipipoquinha…
grita o milho da pipoca!
Quente é o fundo da panela,
óleo ardente o sufoca.

Esfriando na janela,
já branquinho e com sabor,
o grãozinho da panela
transformou-se numa flor!

www.recantodasletras.com.br

Maria da Graça Almeida (Pindorama, SP)– escritora, poetisa, professora, pedagoga, formada em Educação Artística.  Do portal de Maria Petronilho.





Poesia infantil: Lengalenga do Vento — Maria Alberta Menéres

14 03 2012

Lengalenga do Vento
 

Maria Alberta Menéres

 –

Andava o senhor vento

um dia pelo mar

encontrou um barquinho:

– Senhor vento, que força!

Olhe que me vai afundar!

 –

Andava o senhor vento

correndo pelo pinhal

quando ouviu um cuco:

– Senhor vento, que força!

Não me faça mal…

 –

Andava o senhor vento

soprando sobre o rio

encontrou uma gaivota:

– Senhor vento, que força!

Faz-me tanto frio!

 –

Andava o senhor vento

a deslizar sobre a neve

quando ouviu um floco:

– Senhor vento, que força!

Sinto-me tão leve!

 –

Andava o senhor vento

passeando no mês de Maio

quando ouviu um menino:

– Senhor vento, que bom!

Lá vai o meu papagaio!

 –

Maria Alberta Rovisco Garcia Menéres de Melo e Castro (Portugal, 1930)  nasceu na cidade de Vila Nova de Gaia.  É professora, jornalista e escritora.  Sua obra inclui poesia, contos,  hisstórias em quadrinhos,  teatro, novelas, e adaptação de clássicos da literatura.

Obras

Ficção

O Poeta Faz-se aos 10 Anos, 1973

A canção do vento, 1975

Hoje há Palhaços , 1977

Primeira Aventura no País do João, 1977

À Beira do Lago dos Encantos, 1995

Intervalo, 1952

Cântico de Barro, 1954

A Palavra Imperceptível, 1955

Oração de Páscoa, 1958

Água – Memória, 1960

Os poemas Escolhidos, s/d

A Pegada do Yeti, 1962

Poemas Escolhidos, 1962

Os Mosquitos de Suburna, 1967

Conversas em Versos , 1968

O poema O disse ao poema, 1974

O Robot Sensível, 1978

Antologia da Novíssima Poesia Portuguesa, 1982

Semana sim,semana não,semana pumbas,1998

Clarinete

Figuras Figuronas, 1969

A Pedra Azul da Imaginação, 1975

A Chave Verde ou os Meus Irmãos, 1977

Semana Sim, Semana Sim, 1979

O Que É Que aconteceu na Terra dos Procópios, 1980

Um Peixe no Ar, 1980

O Trintão Centenário, 1984

Dez Dedos Dez Segredos, 1985

À Beira do Lago dos Encantos, 1988

Quem faz hoje anos, 1988)

Colecção “1001 Detectives– 15 volumes (em colaboração com Natércia Rocha e Carlos Correia), entre 1987/92

Sigam a Borboleta, 1996

100 Histórias de Todos os Tempos, 2003

Passinhos de Mariana, Edições Asa, 2004

“Camões, o Super Herói da Língua Portuguesa” 2010

Outra vez não!





Quadrinha infantil da primeira refeição

13 03 2012

Frutas da estação, ilustração Maurício de Sousa.

Todo dia de manhã,

Na primeira refeição,

Você deve comer sempre

Uma fruta da estação.

(Walter Nieble de Freitas)





A rua onde eu morava, texto de José Carlos Serrano Freire — uso escolar

13 03 2012

A rua onde eu morava

A rua onde eu morava era muito alegre!

Era tão alegre que só consigo me lembrar dos dias de muito sol e noites enluaradas. Acho que não chovia naquela época.

Mas também acho que são sempre assim as ruas das crianças.

Todo mundo se conhecia, todo mundo era amigo. Às vezes nós brigávamos, mas logo logo fazíamos as pazes.  Criança é assim mesmo, não tem tempo para ficar com raiva.

Nossas brigas eram sempre por motivos nobres: alguém palmeou a mais no jogo de bola de gude; bateu com muita força na hora do pega-ladrão; não quis ficar colado na hora de pegar a bandeirinha e outras coisas dessa gravidade.

Minha rua era muito feliz, porque nós não sabíamos perceber a infelicidade.

Era sempre festa. Os amigos estavam sempre juntos. Tinha o Zezinho, o garoto rico da rua, filho da dona Olga, uma portuguesa durona; tinha a Lucinha, que todo mundo queria namorar.  Tinha o Manteiga, o Saião, o Manel Gordo (era assim mesmo, ninguém conseguia chamá-lo de Manoel), tinha o Boca de Sapo e o Meleca, entre outros. Que turma!

Na minha rua era sempre época de alguma coisa.

Tinha a época de soltar pipas, de manjar balão, de rodar pião, de jogar bola ou búrica, de roubar goiaba. De futebol não, era sempre época.

Em frente da casa onde eu morava tinha um pé de manacá, que é um arbusto sempre florido e muito perfumado.  De tanto vovó falar que gostava dele, sempre que vejo um pé de manacá, eu lembro da vovó.

Na hora de manjar balão, tinha sempre um engraçadinho para contar uma história de lobisomem ou de mula-sem-cabeça.  Era terrível.

Engraçado, agora apercebo, parece que não se fala mais em lobisomem ou mula-sem-cabeça.  Será que eles também acabaram?

Quase no final da minha rua, tinha um morro onde, lá em cima tem, até hoje, a igreja de Santa Catarina.

Nós costumávamos subir até certa altura, levando um pneu. Chegando lá, um de nós se acomodava dentro do pneu e os outros empurravam ladeira abaixo.  Ah!  não tinha coisa melhor. Você rodava, rodava, rodava e chegava lá embaixo tonto, tonto e quase vomitando.

Certo dia, o Manel Gordo resolveu experimentar a brincadeira.  Todos nós empurramos o gordo pra dentro do pneu e… lá foi ele. A barriga do Manel parece que esparramava para os lados do pneu e ele esticava os braços pedindo para parar. Não tinha jeito. Só conseguiu parar dentro de uma poça de lama. Rapidinho alguém acabou com a nossa brincadeira.

Tenho muitas histórias da minha rua para contar.  Só não tenho quem queira ouvir.  Ninguém tem tempo. É uma pena, porque a minha rua tinha muitas histórias interessantes.

Tomara que os adultos deixem as crianças de hoje construírem ruas felizes também.

Em: Cheiro de Manacá, José Carlos Serrano Freire, Rio de Janeiro, Editora Caetés: 1998

José Carlos Serrano Freire (Brasil) Professor, Bacharel em Direito, Trainer em Programação Neurolinguística, palestrante, escritor, Diretor do Instituto Prof Serrano Freire.

Obras:

Afinal… Por que os nossos alunos não aprendem

Seja o professor que você gostaria de ter

Sou professor, 2002

Como não matar seu cliente de raiva, 2008

Feliz vida nova, 2001

Cheiro de Manacá, 1998

Um anjo em minha vida

Meu amigo Paulinho, 2003

Os amigos do Paulinho

A rua onde eu morava, 2004

A arte de falar em público