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Aquela grande energia,
de pai sisudo e correto,
o transformou, belo dia,
em cavalinho do neto…
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(Nair Starling dos Santos Almeida)
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Aquela grande energia,
de pai sisudo e correto,
o transformou, belo dia,
em cavalinho do neto…
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(Nair Starling dos Santos Almeida)
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Bananal, 2003
João Werner (Brasil, 1962)
óleo sobre tela, 60×80 cm
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Ledo Ivo
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Paisagem, maresia
azul e bananais!
No porão do navio,
o ouro dos litorais.
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Fruto de um paraíso
de mormaço, num alvo
formigueiro de sal
entre negros trapiches.
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O horizonte derrama
cal entre as bananeiras.
São roupas de operários,
cantos de lavadeiras.
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Como as bananas verdes
à luz do cabureto
logo ficam maduras
quaradas pelo sol
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de uma falsa estação,
assim este cargueiro
esplende, no terral,
seu cacheado tesouro.
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E o panorama é de ouro
E o dia sabe a sal.
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Em: Os melhores poemas de Ledo Ivo, seleção do autor, Rio de Janeiro, Global Editora: 1983, 1ª edição.
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Dia das Mães…esse dia
já não tem o mesmo brilho.
Calou-se a voz que dizia
— Que Deus te abençoe, meu filho!
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(Hegel Pontes)
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Um dos três porquinhos, ilustração Walt Disney.–
Se desejas ser feliz,
seja qual for tua crença,
pratica o bem todo dia
sem esperar recompensa.
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(Carlos Torres de Faria)
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A malabarista, 1993
José Antônio da Silva ( Brasil, 1909-1996)
óleo sobre tela, 30 x 40 cm
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Procura-se um equilibrista
que saiba caminhar na linha
que divide a noite do dia
que saiba carregar nas mãos
um fino pote cheio de fantasia
que saiba escalar nuvens arredias
que saiba construir ilhas de poesia
na vida simples de todo o dia.
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Em: Classificados Poéticos, Roseana Murray, Belo Horizonte, Migulim:1998 — 17ª edição.
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Mãe — não existe outro nome
mais doce, meigo e gentil;
no entanto, posso escrevê-lo
só com três letras e um til.
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(Walter Nieble de Freitas)
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Prateleira, 2005
Joni di Pirro (Itália/EUA, contemporânea)
óleo sobre tela, 30 x 40 cm
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Lindos em seu colorido,
a dar-nos lição de calma,
os livros, tomem sentido,
no falam através da alma.
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(Roosevelt da Silveira)
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Ilustração de autoria desconhecida.–
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Pedro Bandeira
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Não suporto o meu vizinho!
Imagine que o danado,
com a cara mais lavada,
passa pela minha frente
como se eu não fosse nada.
–
Não suporto o meu vizinho!
Roda pelo bairro todo,
Sem prestar nem atenção,
e se esquece que uma vez
lhe emprestei o meu pião.
–
Não suporto o meu vizinho!
É um moleque egoista,
pedalando assim a esmo,
não quer nem saber dos outros,
pois só pensa em si mesmo.
–
Não suporto o meu vizinho!
Se eu pudesse, agora mesmo
me mudava da cidade,
ou melhor: mudava ele
pra bem longe, na verdade.
–
Não suporto meu vizinho!
Ele tem cara de bobo,
de embrulho sem barbante,
de bocó e de pateta.
–
Ah, moleque feio e tolo!
Pensa que é muito importante
só porque tem bicicleta.
–
Eu só vou mudar de ideia
de uma forma bem completa,
se o danado do vizinho
me emprestar a bicicleta…
–
Em: Cavalgando o arco-iris, São Paulo, Moderna: 1986.
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Rio pedregoso, ilustração de Hergé.–
Já repararam que o rio,
quando vai a caminhar,
é nas pedras do caminho
que mais parece cantar?
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(Albercyr Camargo)
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Mãe e filho, ilustração de Jessie Willcox Smith.–
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Ribeiro Couto
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Cantando e ninando
A mãe adormece.
Que regaço brando!
–
A sombra parece
Tutu marambaia
Com uma boca enorme.
–
Que regaço brando!
O menino esquece
Que tem medo e dorme.
–
Mas o anjo da guarda,
Que à noite não dorme,
No quarto não tarda.
–
Anjo ou capitão?
Espada na cinta,
Ginete na mão.
–
Põe junto da saia
Da mãe do menino
A espada a brilhar.
–
Que espada medonha!
É para matar
Tutu marambaia?
–
O menino sonha.
–
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Em: Antologia de poemas para a infância, vários autores, Rio de Janeiro, Ediouro:2004