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Pergunta a mestra ao menino,
aluno meio confuso:
– a porca… tem masculino?
– tem, ‘fessora… o parafuso!
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(Edmar Japiassú Maia)
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Pergunta a mestra ao menino,
aluno meio confuso:
– a porca… tem masculino?
– tem, ‘fessora… o parafuso!
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(Edmar Japiassú Maia)
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Sei que não foge à verdade,
você também pode crer;
em amor, felicidade
é dar mais que receber.
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(Nice Nascimento)
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Da Costa e Silva
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Como uma borboleta escura e desconforme,
Suspenso pelos pés com o instintivo emprego
Das garras que o sustém, o mórbido morcego,
Tonto de sono e luz, durante o dia dorme.
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Dorme durante o dia; e à noite, ei-lo, conforme
É costume, senhor do pávido sossego,
Abrindo o membranoso e elástico refego
Das asas que-lhe dão um todo demiforme.
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Rasgando, em largo voo, a treva ampla e uniforme,
O noturno avejão guincha em desassossego,
A pupila incendida a arder na noite enorme.
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E é de ver-se, depois, em lânguido aconchego,
As asas a abanar sobre o animal que dorme,
O sanguinário egoísmo em forma de morcego.
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Em: Poesias Completas, Da Costa e Silva, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1985 [edição do centenário]
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Antônio Francisco da Costa e Silva ( Brasil, [PI] 1885 — [RJ] 1950) poeta, jornalista. Advogado, cursou a Faculdade do Direito do Recife. Trabalho no Ministério da Fazenda.
Obras:
Sangue (1908),
Elegia dos Olhos, s/d
Poema da Natureza, s/d
Clepsidra, s/d
Zodíaco (1917),
Verhaeren (1917),
Pandora (1919),
Verônica (1927),
Alhambra (1925-1933), obra póstuma inacabada,
Antologia (coleção de poemas publicada em vida – 1934),
Poesias Completas (1950) (1975) (1985), coletânea póstuma.
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Reunião de bonecas, ilustração B. Midderigh Bokhorst, 1930.–
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Trinta dias tem setembro,
mais abril, junho e novembro
fevereiro, vinte oito tem;
nos bissextos, mais um lhe deem,
e os outros, que sete são,
trinta e um todos terão.
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Em: O mundo da criança: poemas e rimas, Rio de Janeiro, Delta: sem data
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A vida no meu bairro começa cedo. Mas desponta o sol no horizonte, tem início o movimento. As ruas se enchem de pessoas e veículos. Primeiro, surgem os ônibus levando os operários para as fábricas e construções. Depois aparecem os carrinhos de sanduíches, oferecendo café da manhã para quem está com pressa. Aparecem logo também as motocicletas dos entregadores e as bicicletas de quem trabalha mais perto. Mais tarde, vêm os caminhões carregados de mercadorias e os automóveis conduzindo passageiros para o centro da cidade.
Às sete horas, quando saio para a escola, o movimento é intenso. Sigo então pela calçada, evitando esbarrar nos outros. Quando preciso mudar de calçada, olho para os lados e, se não vem nenhum veículo, atravesso a rua com cautela. Faço isso porque tenho lido, nos jornais, notícias de desastres com meninos imprudentes, apanhados pelos automóveis.
Não quero ficar aleijado para toda vida, como Zezé, meu vizinho, que desobedeceu a ordem do guarda-civil e foi atropelado por um caminhão.
Para subir e descer do ônibus, espero que ele pare completamente. Não gosto de apanhar o ônibus andando. Não desejo voltar para casa num carro do Pronto Socorro. Por isso quando ando pela cidade, nunca esqueço das palavras do papai:
— Na rua, meu filho, todo cuidado é pouco!
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TEXTO EDITADO E ADAPTADO
De: Leituras Infantis, Theobaldo Miranda Santos, 2º livro, para escolas primárias do Brasil, 14ª edição, Rio de Janeiro, Agir: 1962.
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Menina lendo
Anne Bozellec (França, 1942)
Desenho
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B. F. Skinner
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Ilustração Arthur Sarnoff.–
Criança, nunca te esqueças
Que as árvores são sagradas;
Nós devemos defendê-las
Das criaturas malvadas.
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(Walter Nieble de Freitas)
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Ilustração Elizabeth Webbe, 1963.–
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Henriqueta Lisboa
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O esperto esquilo
ganha um coco.
Tem olhos intranquilos
de louco.
Os dentes finos
mostra. E em pouco
os dentes finca
na polpa.
Assim, com perfeito estilo,
sob estridentes
dentes,
o coco, em segundos, fica
oco.
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Em: Nova Lírica: poemas selecionados, Henriqueta Lisboa, Belo Horizonte, Imprensa Oficial: 1971
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Desde que tenho postado alguns contos antigos que fazem parte da nossa herança cultural tenho recebido questionamentos sobre a necessidade de se reformular os contos para ajustarmos essas tradições à cultura moderna.
Sou contra.
Hoje foi uma indagação, bem educada, — elas nem sempre são — sobre Os três companheiros, conto da tradição oral coletado por Luiz da Câmara Cascudo. Mas já tive comentarios e até pedidos de retirada sobre outras postagens. Sou contra a modificação de qualquer dessas tradições folclóricas para que se ajustem aos modos do momento. Sou inclusive contra a modificação da música infantil Atirei um pau no gato. Acho que estamos sistematicamente assumindo que as pessoas de hoje não têm a habilidade de distinguir o que é certo do que é errado. Isso é de um reducionismo colossal. E acredito que muitas vezes essa tentativa de censura reflita no fundo um medo sobre as massas serem educadas, as massas que “não sabem distinguir o certo do errado.” Posto hoje o comentário da Profa Maria Lajolo como resposta.
E antes de alguém vir falar sobre direitos dos animais, sugiro que vejam a postagem que tenho sobre a fotógrafa Ellen van Deelen.