Trova da arte

26 01 2023

Clarabela ensina Horácio a pintar, ilustração Walt Disney.

 

 

Ama a tua arte. Por ela

faze o bem: ama e perdoa.

A bondade é sempre bela,

a beleza é sempre boa.

 

(Bastos Tigre)





Esse punhado de ossos, poesia de Ivan Junqueira

5 01 2023

De longe, próximo, 1937

[From the Faraway, Nearby]

Georgia O’ Keefe (EUA, 1887-1986)

óleo sobre tela, 91 x 101 cm

Metropolitan Museum

Esse punhado  de ossos

 

Ivan Junqueira

 

Esse punhado de ossos que, na areia,

alveja e estala à luz do sol a pino

moveu-se outrora,  esguio e bailarino,

como se move o sangue numa veia.

Moveu-se em vão, talvez, porque o destino

lhe foi hostil e, astuto, em sua teia

bebeu-lhe o vinho e devorou-lhe à ceia

o que havia de raro e de mais fino.

Foram damas tais ossos, foram reis,

e príncipes e bispos e donzelas,

mas todos a morte apenas fez

a tábua rasa do asco e das mazelas.

E ali, na areia anônima, eles moram.

Ninguém os escuta. Os ossos não choram.

 

Em: O Tempo além do Tempo, Ivan Junqueira, organização e prefácio de Arnaldo Saraiva, Editora Quasi, Vila Nova do Farmalicão: 2007, p, 108





Aventura de Natal, na corte de Henrique VIII

2 01 2023

Corte de Henrique VIII, com Jane Seymour e Príncipe Edward, 1545

DETALHE  (veja o painel completo abaixo)

Hampton Court Palace, Londres

 

 

Em 1536 quando o rio Tâmisa congelou, em Londres, Henrique VIII e Jane Seymour, terceira esposa do monarca,  saíram dos serviços religiosos na Catedral de Saint Paul, e se dedicaram a uma cavalgada pelo rio congelado, galopando até a margem em Surrey, para o Palácio Greenwich, onde as grandes festividades natalinas aconteciam.

As comemorações de Natal até recentemente na Europa se realizavam por doze dias, do dia 25 de dezembro ao dia de Reis, ou Epifania. [Há mais informações neste blog: Hoje, dia de Reis.].  Portanto é interessante saber que as festas dos doze dias de Natal tinham características grandiosas.  Havia um bolo feito com frutas secas, farinha, mel e especiarias.  Nos Estados Unidos esse bolo, ainda faz parte do Natal, com o  nome de fruit cake. Dentro deste bolo  eram colocados um feijão e uma ervilha.  Ao fatiar o bolo, servido aos visitantes na hora da chegada saberia-se quem seriam os respectivos “Reis do Feijão e da Ervilha”, por aquela noite. Estes ficavam com a incumbência de liderar todos os convidados a cantar, dançar e fazer brincadeiras que incluíssem os presentes.  Na corte de Henrique VIII estes reis da noite eram selecionados a priori.

Nas casas das grandes famílias da corte no período Tudor, os 12 dias de Natal incluíam  festejos, banquetes, procissões e brincadeiras presididas por uma pessoa chamada Senhor do Desgoverno [Lord of Misrule]. Estas festas eram às vezes também visitadas por outros personagens natalinos: Capitão Natal ou Príncipe Natal, cujo papel era se certificar que todos os participantes se divertissem. Um dos personagens favoritos nas peças encenadas no período Tudor chamava-se Pai Natal [Father Christmas].  Vestido de verde e usando máscara e peruca, ele passeava por entre os convidados gritando furiosamente, empunhando um grande cajado.

 

 

A família de Henrique VIII, 1545

Hampton Court Palace, Londres





Quebra-cabeças no Natal

30 12 2022
Ilustração de Pauli Ebner (1873-1949)

Este ano fui a uma festa de Natal onde havia dezesseis crianças entre três e quatorze anos. Havia amigo oculto entre os adultos.  E as crianças? Decidi que todas receberiam um presente meu, não só as mais chegadas. Natal é mágico para elas.  O encantamento dos presentes tem importância para elas.  Adultos não precisam de presentes.  Têm o poder de compra e de decisão.  Portanto, eu me concentrei nessas dezesseis ofertas.

Seguiu-se então o dilema:  como equalizar essas crianças de diferentes idades?  O que dar?  Quebra-cabeças, jigsaw, das vinte e cinco peças para a menina de três anos a mil peças para as duas de quatorze.  Todos ficaram encantados. Tenho boas memórias de criança e adolescente com toda família à volta da mesa fazendo esses quebra-cabeças.

 

A curiosidade me pegou.  Desde quando existem quebra-cabeças como estes?  Como muitos outros entretenimentos caseiros, os jigsaw puzzles apareceram no século XVIII. O primeiro foi inventado e comercializado, na Inglaterra, por John Spilsbury, como peça para o ensino da geografia, em 1760. Impresso em papel colado em madeira havia o mapa da Europa e as peças eram cada país com suas fronteiras cortadas que se encaixavam.  Mas logo esse passatempo se popularizou, aparecendo com outras cenas.

 

Jigsaw puzzle com mapa europeu, 1760 de John Spilsbury.
1874 — Quebra-cabeça inglês retratando a marinha britânica.

 

Uma rápida pesquisa na internet me ensinou que o jigsaw puzzle com maior número de peças, até hoje, foi completado em 2011, no Vietnã, composto por 555.232 peças, medindo, 14,85m x 23,20m. E que o maior jigsaw puzzle comercializado até hoje, é de 2022, tem 60.000 peças e cobre 21m². Comercializado pela companhia Dowdle Folk Art e leva o nome de What a wonderful world!

O maior que fizemos em família quando eu era adolescente tinha 3.000 peças!  Levamos algum tempo.





Flores para um sábado perfeito!

30 12 2022

Vaso com flor (Bico de papagaio) 1985

Alice Brill (Alemanha-Brasil, 1920 – 2013)

óleo sobre tela, 40 x 30 cm

NOTA:  O bico-de-papagaio, ou poinsétia, ligado no hemisfério norte às festas de fim de ano, natural do México, tem flores muito pequenas, que ficam no centro das folhas modificadas.  As partes vermelhas são folhas modificadas que rodeiam as pequeníssimas flores no centro.  Aqui no Brasil as folhas modificadas, vermelhas, aparecem no inverno, ou seja de junho a agosto.





Mãe, poesia de Abel Silva

20 12 2022

 

 

COLETE PUJOL (São Paulo, 1913 -1999) Dona do Lar. Óleo s tela. Ass. cie e datado de 1944. 46 x 38 cmDona do Lar, 1944

Colette Pujol (Brasil, 1913 -1999)

óleo s tela,  46 x 38 cm

 

Mãe

 

Abel Silva

 

E então começou a acontecer comigo

de encontrar a todo instante minha mãe.

Passo na fila da carne

lá está ela esperando a vez

chego comovido e irritado

vou tocar-lhe o ombro e dizer

bobagem, mãe!

pede a carne pelo telefone

mas logo percebo o engano me afasto

e a senhora desconhecida

ganha mais um metro na direção do balcão.

No táxi

vou gritar ao motorista que pare

minha mãe está na esquina sob o sol

não há dúvidas é ela

se protegendo da chuva sob a marquise

perplexa no arrastão ondeante de corpos esguios

perigosamente lenta na correnteza de meninos sem mãe

subitamente estrangeira

(minha mãe tão brasileira!)

sob códigos confusos

minha mãe nas mulheres entrevistadas pela TV

reclamando dos preços absurdos de tudo

nos bancos da rodoviária

na fila dos aposentados

minha mãe se multiplicando pelas ruas de minha cidade

onde carrego meu buquê de esperanças devastadas e sonhos implodidos

um mil séculos-luz longe do ninho

do ponto obscuro

uterino

de que hoje sou futuro.

 

Em: Mundo delirante: poesias, Abel Silva, Rio de Janeiro, Europa: 1990, p. 88

 





Nossas cidades: Santana de Parnaíba

20 12 2022

Santana de Parnaíba, 2008

Márcio Schiaz (Brasil, 1965)

óleo sobre tela, 49 x 39 cm





Natalinas: Molière

16 12 2022

Leitora na biblioteca, 2020

Fanny Broc (França, contemporânea)

óleo sobre madeira, 80 x 80 cm

Fanny Broc

 

“O Natal é um excelente momento para a alegria de pensar naqueles que amamos.”

 

Molière





Nossas cidades: Aparecida do Norte

13 12 2022

Aparecida do Norte, SP

Jorge Vieira (Brasil, contemporâneo)

óleo sobre tela, 80 x 99 cm





Flores para um sábado perfeito!

3 12 2022

Vaso de flores

Paulo Rossi Osir (Brasil, 1890 – 1959)

óleo sobre madeira, 44 x 38 cm