Visitas, meu camarada,
sempre dão prazer à vida:
não sendo quando à chegada,
será, por certo, à saída…
(Pedro Uzzo)
Visitas, meu camarada,
sempre dão prazer à vida:
não sendo quando à chegada,
será, por certo, à saída…
(Pedro Uzzo)
Fazenda
Riokai Ohashi (Japão, 1895-1943)
óleo sobre cartão colado em placa, 31 x 40 cm
Autorretrato, 1928
Maria Magdalena (Maggie) Laubser (África do Sul, 1886-1973)
óleo sobre tela, 47 x 33 cm
Sanlam Art Collection, África do Sul
Paisagem de Santa Tereza – Rio de Janeiro, 1978
Joaquim Tenreiro (Portugal/Brasil, 1906-19920
óleo sobre tela, 27 x 35 cm
Composição com frutas da série ‘Oferendas’, 2007
José Guyer Salles (Brasil, 1942)
aquarela sobre papel, 55 x 65 cm
À beira d’água, 1929
Lucien Jonas (França,1880-1947)
óleo sobre tela , 50 x 65 cm
“Eu, porém, continuo repetindo aquela mesma cena. Desde então, já vi a mesma manhã 6.607 vezes.
Coloquei os ovos delicadamente dentro da sacola. São os mesmos ovos que vendi ontem, mas diferentes. A Senhora Cliente insere os mesmos hashis dentro da mesma sacola de ontem, recebe as mesmas moedas e sorri para a mesma manhã,”
Em: Querida Konbini, Sayaka Murata, tradução de Ruth Kohl, São Paulo, Estação Liberdade: 2018, p. 74.
Flores na janela, 2012
Maria José Marinho (Brasil, contemporânea)
óleo sobre tela, 40 x 40 cm
Vista do meu atelier no Vidigal, 1982
Geraldo Orthof (Áustria-Brasil, 1903 – 1993)
óleo s ibre tela, 73 x 100 cm
Homem lendo jornal, 1992
Bruno Vekemans (Bélgica, 1952-2019)
serigrafia
Aquilo que eu mais amo na escrita é o devaneio que a precede. A escrita em si, não, não é muito agradável. Deve-se materializar o sonho na página, assim que se saia do devaneio. Às vezes penso, como é que os outros fazem? Como esses outros autores que, como Flaubert o fazia no século XIX, escrevem e reescrevem, reformulam, reconstroem, e vão condensando a partir da primeira versão até que não reste finalmente quase nada na versão final do livro? Isso soa-me muito assustador. Pessoalmente, contento-me em fazer as correções num primeiro esboço que se assemelha a um desenho que foi feito de uma vez só. Estas correções são numerosas e ligeiras, como uma acumulação de atos de microcirurgia. Sim, é preciso medidas drásticas como faz um cirurgião, ser frio o suficiente com o seu próprio texto de uma ponta à outra, corrigindo, suprimindo, enfatizando. Às vezes basta riscar algumas palavras numa página para que tudo mude. Mas é essa a cozinha do escritor, que é suficientemente chato para os outros.
Patrick Modiano, in ‘Entrevista (2014)










