Nossas cidades: Fortaleza

11 10 2022

Praia de Iracema no Ceará, 1965

Win Van Dijk (Holanda-Brasil, 1915-1990)

óleo s tela, 25 x 47 cm





“Disciplina”, poesia de Tania Horta

8 10 2022

A carta de amor

Hendrik Jacobys Scholten (Holanda, 1824-1907)

óleo sobre madeira, 33 x 26 cm

 

 

 

Disciplina

 

Tania Horta

 

Para fugir de ti

distraio o meu coração

arrumando quinquilharias,

meus armários, minhas gavetinhas.

Como podes o meu amor tão grande

transformar em coisas comezinhas?

 

 

Em: Coração fechado para obras, Tania Horta, capa e ilustrações de Ziraldo, São Paulo, Massao Ono: 1991 p. 42





Narrativa versus poesia, Umberto Eco

7 10 2022

Sem título

Daniela Astone (Itália, 1980)

óleo sobre tela

“… um romance não é apenas um fenômeno linguístico. Na poesia, é difícil traduzir as palavras porque o que importa é o seu som, assim como seus significados deliberadamente múltiplos, e é a escolha das palavras que determina o conteúdo. Numa narrativa, temos a situação contrária: o universo que o autor construiu, os acontecimentos que neles ocorrem é que ditam o ritmo,, o estilo e até a escolha das palavras. A narrativa é governada pela regra latina, “Rem tene, verba sequentor” — “Prenda-se ao tema e as palavras virão” — ao passo que na poesia a formulação deve ser mudada para: “Prenda-se às palavras e o tema virá.”

Em: Confissões de um jovem romancista, Umberto Eco, tradução de Clóvis Marques, Rio de Janeiro, Record: 2018, p. 15





Domingo, um passeio no campo!

2 10 2022

Paisagem rural com casario

Manoel Pastana (Brasil, 1888-1984)

óleo sobre madeira, 22 x 33 cm





Flores para um sábado perfeito!

1 10 2022

Os girassóis de van Gogh, década de 1960

Inimá de Paula (Brasil, 1918-1999)

óleo sobre madeira, 100 x 80 cm





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

28 09 2022

Natureza morta, 1971

Emiliano Di Cavalcanti (Brasil 1897 – 1976)

óleo sobre tela, 80 x 116 cm





Domingo, um passeio no campo!

25 09 2022

Paisagem com canto de praia, 1967

Aldo Bonadei (Brasil, 1905-1974)

Guache sobre papel, 20 X 30 cm





Flores para um sábado perfeito!

24 09 2022

Vaso com flores, 1970

Ettore Federighi (Brasil, 1909-1978)

óleo sobre placa, 50 x 65 cm





Rio de Janeiro, RJ, Brasil

23 09 2022

Praia

Bigio Gerardenghi (Itália, 1876 -Brasil, 1957)

óleo sobre tela, 33 x 38 cm





Um ano de muitas perdas…

21 09 2022

Senhora escrevendo carta, 1680

Frans van Mieris, o velho (Holanda,1635-1681)

Rijksmuseum

Ano difícil este.  2022 tem trazido perdas muito significativas para mim.  Hoje meu coração enlutece de novo.  Sônia Carneiro Leão, amiga desde sempre, foi-se.  Abre-se um grande vazio em minha vida.  Era dessas amigas com quem falamos todos os dias.  Emoções expostas, alegrias, dúvidas, segredos, sonhos e tristezas trocados.

Conheci Sonia na faculdade.  Ela procurava seu segundo diploma, já era advogada formada.  Voltava aos bancos universitários  à procura de maior relevância no dia a dia.  Direito não a satisfazia.  Estudamos história da arte, juntas.  Eu, saí logo depois do segundo ano, quando fui  morar nos Estados Unidos.  Mas continuamos amigas.  Quando os corações se encontram, a gente retém a amizade, não importa a distância. Enquanto eu continuei como historiadora da arte, Sonia, foi atraída à psicanálise.  Seu grande mentor foi nosso professor Magno Machado Dias, de quem Sonia foi assistente, por um tempo, há muito tempo.  E, bem encaminhada, uma intelectual de primeira grandeza, Sonia teve uma vida de conquistas na carreira, grande prática no Rio de Janeiro, aos poucos se especializando em psicanálise de adolescentes e sendo bastante conhecida no campo.  Estudou na Sorbonne, traduziu incontáveis textos do francês para o português e sabia um bocado de inglês, de quando morou nos Estados Unidos, acompanhando sua irmã.  Quando voltei para o Brasil, retomamos nossos encontros semanais. Alguns anos depois, foi morar em Pernambuco, para que o marido, pernambucano, com doença terminal, lá pudesse ter o repouso final.  Mas, Sonia era carioca, crescida em Copacabana na rua Hilário  de Gouveia. Apesar de amar o Recife e sua casa na praia da Boa Viagem, voltou para o Rio de Janeiro porque era aqui que seu coração se sentia confortável. Debateu muito o retorno ao Recife, mas acabou ficando aqui.

 
Sonia Carneiro Leão em 2019

Sempre fomos muito diferentes, as duas. Mais opostas era difícil de achar. Tínhamos opiniões divergentes acirradas, daquelas que de vez em quando passa uma semana sem se falar, porque não entende a outra.  Era mútuo o respeito, no entanto, e voltávamos a nos encontrar logo, sem qualquer limitação.  Nesses últimos anos no Rio de Janeiro, Sonia tornou-se uma companheira constante. Era com ela que fui dezenas e dezenas de vezes às reuniões da Academia Brasileira de Letras, da Academia Carioca de Letras.  Sim, ainda não mencionei que ao longo dos anos Sonia se tornou escritora, (além dos livros de psicanálise).   Poeta e escritora.  Reconhecida.  Livros de poesia, livros para crianças, livros de memórias.  Preparava no momento, livro sobre Santa Terezinha das Rosas.  Foi com ela que Harry e eu íamos com frequência aos concertos da Sala Cecília Meireles, no Municipal, aos sábados à tarde nos saraus de Nelson de Franco no Planetário.  Foi com ela também que íamos a shows ao vivo de musica popular brasileira.  Harry e Sonia se davam bem, tinham papo.  Fizemos um grupo de três ou três e mais um, que se encontrava às terças-feiras à noite, na casa dela ou na nossa, só para conversar sobre literatura e psicologia.  Líamos os clássicos em geral parte dos clássicos para conversarmos sobre arquétipos, interpretações, história cultural.  Harry gostava bastante desses encontros, poucas pessoas que conhecíamos tinham interesses tão próximos aos dele e mesmo depois de ter dificuldade de andar, ainda subia as escadas da cobertura dela, com esforço mas satisfeito para os encontros. Foi com ela, que li Em busca do tempo perdido.  Usamos três línguas, textos em francês, português e inglês.  Gostávamos de comparar.

As memórias que tenho dela são muitas e variadas.  Pela constância de sua presença em minha vida deixará um grande vácuo nos meus dias.  A última comunicação  que tive dela foi domingo.  Mandou um vídeo da música That’s what friends are for, com uma pequena mensagem de despedida.  Chorei muito.  À noite, ainda mandou um alô.  Em menos de quarenta-oito horas faleceu.  O lock down desta pandemia afetou a todos nós.  E afetou muito a essa grande amiga.  Culpo parte de seus problemas no isolamento a que nos submetemos.  Estou muito triste.

©Ladyce West, Rio de Janeiro, 21 de setembro de 2022.