Tempo chuvoso em Mariana, 2009
Aguiar (Brasil, contemporâneo)
óleo sobre madeira, 50 x 61 cm
Paisagem, 2002
Newton Mesquita (Brasil, 1949)
acrílica sobre tela, 100 x 180 cm
Paisagem da tarde, 1974
Jenner Augusto (Brasil,1924 – 2003)
óleo sobre tela, 37 x 61 cm
Paisagem,1979
Claudio Tozzi (Brasil, 1944)
acrílica sobre tela colada em placa, 80 x 120 cm
Vaso de flores, maçãs, decanter e salva sobre a mesa, 1945
Armando Vianna (Brasil, 1897-1992)
óleo sobre tela, 45 X 60 cm
Vaso com flores e incensório, em frente a janela
Georgina de Albuquerque (Brasil, 1885-1962)
óleo sobre tela colado em madeira, 37 x 45 cm.
Idoso lendo, 2005
Berry Toni (EUA, contemporâneo)
óleo sobre tela, 51 x 41 cm
Michel Butor (1926-2016)
Cristo Redentor, 1997
Glauco Rodrigues (Brasil, 1929-2004)
técnica mista com colagem sobre cartão, 47x 73 cm
Natureza morta, 1950-53
Manabu Mabe (Japão-Brasil, 1924-1997)
óleo sobre tela, 38 x 46 cm
Natureza morta, 1929-30
Cícero Dias (Brasil, 1907-2003)
aquarela sobre papel, 30 x 47 cm
Senhora lendo
Ady de Lannay (Bélgica, 1900-1942)
óleo sobre tela
Em um grupo de escritores a que pertenço conversamos algumas vezes sobre biografias, como escrevê-las, se são ou não ficção, se queremos ou não ser ghost writers, se precisamos ter alguma empatia para com a pessoa biografada, e até que ponto biografias são ficção. Não chegamos a qualquer conclusão nessas conversas, mas é uma temática interessante para quem escolhe a carreira de escritor.
José Luís Peixoto, no livro Almoço de domingo, abraça a oportunidade de biografar um empresário português, um milionário, que apesar de ser da região do Alentejo, a mesma do escritor, não se conheciam. O comendador Rui Nabeiro tem de fato uma história magnifica de crescimento e sucesso da venda de café à expansão para vinícolas e depois ainda maior diversidade em outras áreas de negócios. Imagino que dadas as devidas proporções poderia ser equivalente a história de um Abílio Diniz aqui no Brasil.
Este foi o terceiro livro de José Luis Peixoto que li. O primeiro, um livro chamado Livro, me encantou sobremaneira. Uma escrita exemplar na criatividade, sem chegar a extremos em busca da novidade. Li, anos mais tarde Nenhum olhar, completamente diferente, encantador, onírico e asfixiante, Ambas as resenhas se encontram neste blog, e também nos sites Skoob e Goodreads. E agora, Almoço de domingo traz outra faceta do autor, que tendo sido contratado para esta biografia, consegue inovar substancialmente a forma, usando de subterfúgio engenhoso.
A vida de Rui Nabeiro, (seu sobrenome não é nunca usado) conhecemo-lo simplesmente como Rui, é narrada em duas vozes. A onírica, na primeira pessoa, usa de toda a imaginação de Peixoto e compõe os pensamentos, emoções de Rui, enquanto a voz narrativa, a que nos revela a história do personagem principal, é objetiva e precisa. As duas vozes se misturam sem criar qualquer problema e como resultado temos uma visão tridimensional do personagem principal. Sabemos de seus pensamentos e sonhos assim como de suas ações e os motivos delas serem executadas.
Em nenhum momento a narrativa se arrasta. O ritmo é preciso e cobre em um pouco mais de duzentos e cinquenta páginas os noventa anos do biografado. Dos três livros que li de José Luís Peixoto este não é o meu favorito. Mas confesso ter grande apreço pela maneira como o autor resolveu a difícil tarefa de fazer uma biografia para um público geral de uma pessoa desconhecida além das fronteiras portuguesas, e ainda assim conseguir seduzir o leitor a ler com gosto a obra.
Àqueles que acreditam um dia escreverem a biografia de quem quer que seja, recomendo a leitura não só como exemplo de criatividade mas sobretudo na seriedade com que a forma da biografia é tratada.
NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.