Ipês Amarelos, década de 1960
Paulo Gagarin (Rússia-Brasil, 1885-1980)
óleo sobre tela, 65 x 81 cm
Fazenda Arcozelo
Onilda (Brasil, contemporânea)
óleo sobre madeira, 32 X 40 cm
Ipês Amarelos, década de 1960
Paulo Gagarin (Rússia-Brasil, 1885-1980)
óleo sobre tela, 65 x 81 cm
Fazenda Arcozelo
Onilda (Brasil, contemporânea)
óleo sobre madeira, 32 X 40 cm
Artistas envolvidos
Ludwig Grüner (1801-1882) (designer)
Henry Pierce Bone (1779-1855) (artista), d’apprès Robert Thorburn (1818-85) (artista)
Leonard Wyon (serralheria)
Elkington Mason & Co. (ativo entre 1842- 1861) (fabricante)
Andreas Deckelmann (1820-92) (artista)
Otto Wüstlich (1819-86) (artista)
Produzido na Inglaterra
Comissionado pelo Príncipe Albert, consorte da Rainha Vitória, (1819-61)
Materiais empregados: carvalho, banho de prata sobre metal branco, esmalte sobre cobre, porcelana, bronze dourado, cobre, esmalte azul, metal moldado, pintura
Tamanho: 97 x 132 x 81 cm
Royal Collection Trust, Londres
Feito para demonstrar o orgulho da dinastia, essa caixa de joias mostra o retrato preferido pela rainha de seu príncipe consorte com as armas reais Saxe-Coburg e os retratos de seus seis filhos nascidos antes de 1851. O projeto foi inspirado num grande relicário. Foi o artefato mais importante exibido na Grande Exposição do Palácio de Cristal de 1851.
As placas da Rainha Vitória e do Príncipe Albert levam a assinatura Deckelmann (Andreas Deckelmann, 1820-82) e Wustlich (Otto Wustlich, 1819-96). Um dos medalhões está datado MDCCCLI.
Vaso de flores, 1955
Alberto da Veiga Guignard (Brasil, 896-1962)
óleo sobre tela, 61 x 75 cm
Vaso de flores, década de 1940
Noêmia Mourão (Brasil, 1912-1992)
óleo sobre tela, 65 x 54 cm
Leitora à luz meridiana
Maurice Asselin (França 1882-1947)
óleo sobre telam 61 x 50 cm
Costumo fazer minhas resenhas de livros logo após a leitura como uma maneira de concluir aquele período. Mas com O que resta de nós de Virginie Grimaldi esperei um bom tempo. Isso me permitiu ver que o grupo de leituras que o escolheu para o mês de setembro em maioria esmagadora teve opinião totalmente oposta à minha. Uma reflexão era necessária. Pretendo assumir minha perspectiva sobre esse livro, mesmo sabendo do aplauso das leitoras do meu grupo para a obra.
Há tempos estou pasma com as obras de origem francesa trazidas para o Brasil. Quase todas têm o que chamo de frases instagramáveis. Ponderações de fácil transitar como se fossem de profundo saber. Detalhes que o leitor experiente detecta de longe, como falsa reflexão. Ora, as participantes do Papalivros não são leitoras iniciantes. No entanto, aprovaram e acharam que o livro contribuiu para o bem-estar e para soluções difíceis de problemas do dia a dia. Eu, que havia dado no máximo duas estrelas de um total de cinco, me senti preocupada: meus padrões estão em total descompasso com leitores experientes. Afinal o grupo de leitura tem 22 anos de existência e até 2023 lia 12 livros por ano, passando a 11 livros por ano em 2024.
Virginie Grimaldi abusa das figuras de linguagem cujo objetivo é parecer reflexão profunda mas não é mais do que uma frase vestida de sabedoria de efeito. Tudo para ser facilmente colocado numa postagem das redes sociais. Cito aqui três dos muitos momentos em que isso acontece. Metáfora seguida de um paradoxo tem claramente o objetivo de ser sublinhada e colocada numa camiseta para aumentar a venda do livro. Eu não sonho, eu fujo. A realidade é minha prisão. O uso de paradoxo é um cacoete narrativo da autora: O silêncio me ensurdecia mais que o barulho. Ou ainda essa antítese: Cemitérios são para os mortos. A vida está do outro lado do portão. De novo um ready-made para funções sociais na internet ou para ser impresso na camiseta do momento.
Além desse vício narrativo temos nessa publicação um conto de fadas para adultos, que parece ser a norma da produção francesa do momento, pelo menos dos livros publicados por aqui. Situações que parecem fugir do comum (vejam, parecem fugir) e que acabam bem, apesar de… Não que eu queira que histórias não acabem bem, mas há uma benfazeja expectativa de que tudo vai dar certo. Seria uma influência Hollywoodiana ou talvez o resultado de uma sociedade em que todos estão mais ou menos felizes com o que tem, como vivem? Há muito que pensar nesse campo.
O enredo é simples: uma senhora viúva aluga quartos de seu apartamento para poder viver com maior conforto financeiro. Duas pessoas então começam a fazer parte de seu dia a dia. Cada qual com um problema no passado que os levou a essa solução. Aos poucos os três e os leitores da narrativa vão se enfronhando sobre a vida dos habitantes desse lar, suas dificuldades pregressas e esperanças para o futuro. Os personagens acabam por formar emocionalmente uma família que supera problemas e todos ficam felizes e satisfeitos.
Será? Será mesmo que isso é o melhor que a França tem para exportar de ficção? Ou será que nossos editores sabem que o conto de fadas para jovens adultos vende bem e podem deixar de lado alguma obra mais complexa, que demande mais do leitor? Não sei. As leitoras do Papalivros acharam que as soluções encontradas para os problemas de cada personagem foram boas, e todas gostaram da leitura. Eu achei uma história rasa, simplista. Mais apropriada para jovens sonhadoras, não muito diferentes das mocinhas que liam os romances da Biblioteca das Moças nos anos 60, 70 do século passado. Eu, dei duas estrelas. O grupo chegou a 4,5. Se essa história é de seu gosto, por favor leia. Não é do meu.
PS: Ah, sim a desculpa de que é um livro maravilhoso porque conta a história de superação dos personagens… Gente, todos nós estamos engajados em superação. Viver é isso. O tema já deu.
O colecionador de porcelanas, 1922
Adolf Reich (Áustria, 1887-1963)
óleo sobre tela
Coleção Particular
“Meus pais não me davam bastante dinheiro para comprar coisas caras. Pensei num vaso chinês antigo que me dera a tia Léonie; mamãe pressagiava todos os dias que Françoise ia dizer-lhe: “Caiu…”, e que o vaso deixaria de existir. De modo que o mais prudente era vendê-lo, vendê-lo para poder obsequiar a Gilberte como eu quisera. Imaginava que arranjaria no mínimo uns mil francos. Mandei que embrulhassem o vaso, em que na verdade, por força do hábito, nunca havia reparado; de modo que o separar-me dele teve pelo menos uma vantagem, a de me dar a conhecê-lo. Eu mesmo o carreguei antes de ir à casa de Gilberte, e dei ao cocheiro a direção dos Swann, mas recomendando-lhe que fosse pelos Campos Elísios; ali estava a loja de um comerciante de antiguidades chinesas conhecido de meu pai. Com grande surpresa minha ofereceu-me imediatamente dez mil francos, e não mil como eu esperava. Apanhei as notas arrebatado de prazer; durante um ano poderia cumular Gilberte de rosas e lilases.”
Em: À sombra das raparigas em flor, Marcel Proust, tradução de Mário Quintana
Gamela com maçãs, 1980
Colette Pujol (Brasil, 1913-1999)
pastel seco sobre papel, 50 x 60 cm
Pinacoteca Municipal de Mauá, SP
Natureza morta
Burle Marx (Brasil, 1909-1994)
óleo sobre tela, 33 X 40 cm