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Jovem lendo
Hubert Robert (França, 1733-1808)
Carvão vermelho sobre papel
Museu de Belas Artes de Quimper, França
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“Alguns livros não merecem ser esquecidos; nenhum é lembrado sem merecer”.
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W. H. Auden
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Jovem lendo
Hubert Robert (França, 1733-1808)
Carvão vermelho sobre papel
Museu de Belas Artes de Quimper, França
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W. H. Auden
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Paisagem com pastora, s/d
Gentil Garcez (Brasil, 1903-1992)
óleo sobre tela, 43 x 60 cm
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Guilherme de Almeida
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Simplicidade… Simplicidade…
Ser como as rosas, o céu sem fim,
a árvore, o rio… Por que não há de
ser toda gente também assim?
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Ser como as rosas: bocas vermelhas
que não disseram nunca a ninguém
que têm perfumes… mas as abelhas
e os homens sabem o que elas têm!
Ser como o espaço, que é azul de longe,
de perto é nada… Mas quem o vê
— árvores, aves, olhos de monge —
busca-o sem mesmo saber porquê.
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Ser como o rio cheio de graça,
que move o moinho, dá vida ao lar,
fecunda as terras… E, rindo, passa,
despretencioso, sempre a cantar.
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Ou ser como a árvore: aos lavradores
dá lenha e fruto; dá sombra e paz;
dá ninho às aves; ao inseto, flores…
Mas nada sabe do bem que faz.
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Felicidade– sonho sombrio!
Feliz é o simples que sabe ser
como o ar, as rosas, a árvore, o rio:
simples, mas simples sem o saber!
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Em: Poesia Brasileira para a Infância, de Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1968, Coleção Henriqueta.
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Guilherme de Andrade e Almeida (SP 1890- SP 1969) foi um advogado, jornalista, poeta, ensaísta e tradutor brasileiro. Formou-se em direito em 1912, pela Faculdade de Direito de São Paulo.
Obras:
Nós (1917);
A dança das horas (1919);
Messidor (1919);
Livro de horas de Soror Dolorosa (1920);
Era uma vez… (1922);
A flauta que eu perdi (1924);
Meu (1925);
Raça (1925);
Encantamento (1925);
Simplicidade (1929);
Você (1931);
Poemas escolhidos (1931);
Acaso (1938);
Poesia vária (1947);
Toda a poesia (1953).
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Mulher lendo, 1906
Félix Vallotton (Suiça 1865-1925)
óleo sobre tela, 90 x 116 cm
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Félix Vallotton nasceu em Lausanne na Suiça em 1865. Estudou no cantão de origem, graduando-se em Estudos Clássicos em 1882, quando se muda para Paris para estudar arte na Académie Julian, com Jules Joseph Lefebvre e Gustave Boulanger. Começou sua carreira artística pintando retratos. É considerado como um dos precursores da chamada Neue Sachlichkeit (“nova objetividade”), movimento que se originou na década de 1920. Além de pintor, Vallotton dedicou-se seriamente à xilogravura, tornando-se um de seus expoentes no século XX. Durante a Primeira Guerra Mundial, produziu uma série de desenhos anti-guerra. Além do trabalho nas áreas de pintura, desenho e escultura, Vallotton escreveu três romances e uma série de peças de teatro. Seu romance ilustrado autobiográfico A vida assassina foi publicado em 1930. Faleceu em Paris em 1925.
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Retrato de uma dama com livro, s/d
Andrea Appiani (Milão, Itália, 1754 – 1817)
óleo sobre tela, 98 x 80 cm
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William Phelps
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Menina lendo, 1984
Danuta Muszynska Zamorska (Polônia, 1931)
óleo
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Danuta Muszynska Zamorska – nasceu em 1931 na Polônia onde estudou na Academia de Belas Artes de Lotz com especialização em tecelagem. Completou um mestrado na Academia de Belas Artes de Poznad. Inicialmente sua dedicação era em três áreas: pintura, desenho e fotografia. Mas em 1998 mudoou-se para o estado de Maine nos Estados Unidos, onde descobriu uma nova paixão: a gravura. Por cinco anos, de 1999 a 2004 estudou e se dedicou à gravura com técnicas non-tóxicas com a direção de Elizabeth Dove e Susan Groce. Aprendeu também a arte da encadernação com Siri Beckman e a da gravura em metal com Heiki Seppa. Especializou-se no retrato e na pintura de crianças. Atualmente mora e trabalha no estado de Oregon, na costa oeste dos Estados Unidos.
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Yuli Geszti (Hungria, 1953- no Brasil desde 1957)
acríica sobre tela, 80 x 80 cm
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Para quem se interessa por ficção científica, sugiro a fascinante entrevista na revista Wired : Theoretical Physicist Brian Greene Thinks You Might Be a Hologram, [Brian Greene, o teórico da física, acredita que você possa ser um holograma] com Brian Greene autor de The Fabric of the Cosmos, livro que serviu de base para o programa da televisão pública nos Estado Unidos [PBS], com o mesmo título. Sem deixar de lembrar o quanto essas ideias são difíceis de ser entendidas, até mesmo por físicos que trabalham com isso no dia a dia, Brian Greene explicou que só levou adiante as pesquisas de Leonard Susskind e Gerard’t Hooft , que ao considerarem alternativas para o que acontece com informações que entram nos buracos negros, desenvolveram a ideia de que o objeto que cai num buraco negro pode ser representado por dados em duas dimensões. Brian Greene então questionou se o reverso também não seria verdadeiro.
No programa televisivo The Fabric of the Cosmos Brian Greene considera algumas das propostas da física moderna que têm estranhas características, mas que são de fato ideias que com base sólida na pesquisa matemática e em dados tirados da observação. Entre essas estão a definição do que é o tempo, um conceito que afeta toda a nossa vida mas do qual sabemos pouco; o conceito de espaço, isso tudo que nos cerca; comunicação entre objetos distantes entre si; ele aborda também a mecânica quantum e como ele mesmo diz, o que ainda pode ser considerado mais revolucionário, o conceito de que o nosso universo não seja único e sim parte de um grupo de universos a que se dá o nome de multiverso.
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Perguntado sobre suas preferências no mundo da ficção científica, Brian Greene listou Isaac Asimov como seu autor favorito, seguido de Ray Bradbury. Ele prefere a ficção científica que tem a verdadeira ciência como base e aconselha escritores de ficção cientifica para manterem-se o mais próximo possível dos conhecimentos científicos, deixando que a própria ciência oriente o desenvolvimento da história. “Mude o que for necessário só sobre aquilo que está às margens do conhecimento. No caso em particular do buraco negro modifique a realidade, dê asas à imaginação na beiras do conhecimento para fazer a história se desenvolver, mas mantenha o que já se sabe da ciência intacto. Este sim seria um objetivo construtivo.”
Sobre os universos paralelos – realidades tão presentes nos dias de hoje na ficção científica – Brian Greene, que se dedicou ao assunto no livro The Hidden Reality, garante que seria muito difícil viajar de um universo ao outro, mesmo com a possibilidade de haver mais que um universo paralelo, como por exemplo, o universo paralelo previsto pela mecânica quantum que difere substancialmente daquele previsto pela cosmologia, ou ainda a versão da teoria das cordas.
Se você lê em inglês e tem interesse em ficção científica, sugiro que clique no link do artigo citado acima. E ainda que acompanhe o vídeo com o debate do 11º Isaac Asimov Debate que coloco aqui abaixo, lembrando que leva quase 2 horas. Bom proveito!
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Leitura na cama, 1935
Josep de Togores i Llach (Espanha, 1892-1970)
óleo sobre tela
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Stan Barstow
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Jovem e cavalheiro segurando carta,1ª metade século XVII
Frans Francken (Bélgica 1607-1667)
óleo sobre placa de cobre, 20 x16 cm
Coleção Particular
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Amos Bronson Alcott
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Retrato de senhora com criança lendo, 1820
Pyotr Fyodorovich Sokolov (Rússia, 1791–1848)
aquarela sobre papel
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Pyotr Fyodorovich Sokolov nasceu em Moscou, na Rússia, em 1791. Estudou na Academia de Belas Artes de São Petersburgo de 18oo a 1810, permaneceu naquela cidade até 1846, quando retornou a Moscou. Tornou-se um dos maiores retratistas da época de Pushkin, usando a técnica da aquarela que tomou o lugar dos retratos em miniatura tão comuns no século XVIII. Conhecido por sua maneira lírica e pelo traço delicado de retratar seus modelos, foi favorecido por quase todos os personagens de maior importância de sua época. Faleceu na Ucrânia em 1848.
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Despedida dos noivos, 1958
Antônio Gonçalves Gomide (Brasil, 1895-1967)
aquarela, 36 x 52cm
Coleção Particular
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Hoje vou dar uma idéia das razões do meu gosto pela leitura de memórias ou diários. É neles que temos uma visão mais pessoal do que era a vida na época em que essas pessoas viviam. As memórias de Anna Ribeiro de Goes Bittencourt (1843-1930) são uma maneira deliciosa de se adentrar pelo fim do século XIX no Brasil. Vejamos a descrição desse casamento:
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Pouco depois realizou-se o casamento de meu tio Manoel José no Sítio, fazenda de D. Ziza. Minha mãe apesar de mostrar-se já conciliada com a sociedade, não foi, não sei porque, ao ato a que só assistiu meu pai. Não se recusou, porém, a ir esperar os noivos na residência de meu tio. Uma irmã da noiva, D. Guilhermina, foi preparar a casa para a recepção, não só dos noivos, como dos parentes que os precediam. Foi uma das festas mais movimentadas a que na minha infância assisti. A chegada foi animadíssima, tornando-a ruidosa o espocar de numerosos foguetes. A família do Lisboa e outros amigos acompanhavam os noivos. Os homens vinham a cavalo, bem como a noiva e Sinfronia, filha do Lisboa. Ostentava-se então certo luxo não só na qualidade dos cavalos como nos arreios e trajes cavaleiros, o que tornava mui luzida a cavalgada.
Vinham em carro de boi a mulher do Lisboa, sua segunda filha e as meninas do meu tio Manoel José. As filhas do Lisboa e um seu irmão aspirante a padre cantavam e tocavam flauta e rabeca. Um senhor do Catu cantava e tocava violão. Eram as modinhas brasileiras então muito apreciadas: foi a música a principal diversão daquela festa familiar. Logo após a agitação da chegada, iniciou-se o pequeno concerto musical. Sinfronia não era dotada da melhor voz, o que era compensado pela graça e pela boa vontade com que acedia aos pedidos dos circunstantes, embora fossem às vezes bem exigentes. A outra tinha bela voz, mas se fazia muito rogar, o que, em certas ocasiões, aborreceu até o próprio Sr. Lisboa, vaidoso de exibir as prendas das filhas.
Seguiu-se o jantar ainda com a luz do dia, e pareceu-me muito mais lauto do que aqueles a que tinha eu até então assistido. Havia até um luxo relativo na confecção dos pratos, enfeitados com papéis recortados e fitas. Neste e em outros jantares, lembro-me de ver as senhoras modificarem o arranjo dos pratos para introduzir mais alguns que julgavam lisonjear o paladar dos comensais e merecer elogios, manifestados ingenuamente. Esta refeição, sem cerimonial, foi bem aproveitada por estômagos sãos, como costumam ser os dos homens de trabalho. Logo depois da sopa, fez-se o primeiro brinde, não muito palavroso, como os que se seguiram, sem dúvida por um tácito acordo: era preciso satisfazer as necessidades do estômago. O primeiro brinde fora feito pelo noivo, que declarou atender a pedido da noiva: solicitava a alguns parentes com os quais tivera atritos para ser lançado um véu sobre tudo aquilo.
Guiomar, já muito simpatizada por toda família, exigira do noivo convites para aqueles parentes com o intuito de uma conciliação. Estes não se negaram ao convite porque tal recusa seria olhada como uma grosseria, e creio mesmo que estariam desejosos de voltar à antiga harmonia familiar. Houve abraços comovidos, tocaram-se os copos entre os conciliados, e alguns, trançando os braços que empulhavam as taças, esvaziavam-nas ao mesmo tempo. Tudo isso simbolizava a amizade duradoura, o que não evitava que esta fosse, tempos depois, alterada. Esta bela qualidade de Guiomar, o empenho de harmonizar os parentes do marido, jamais se desmentiu.
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Lula Cardoso Ayres (Brasil, 1910-1987)
aquarela, 49 x 71 cm
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Voltemos ao jantar de que tratávamos. Após o brinde no noivo, seguiram-se outros, todos breves. Como já disse, creio que por um tácito acordo exigido pelos estômagos, nenhum dos convivas se estendia muito nas saúdes ao princípio do jantar. Depois, levantaram-se todos para ser arranjada a mesa dos doces. A este arranjo, presidiu Sinfronia, auxiliada pelas outras senhoras. O Lisboa tinha parentas num convento. Nessas casa religiosas é que eram confeccionados os melhores doces, apreciados não só pelo sabor como pela beleza dos enfeites – ramos de flores e frutos de alcorce e papel, trabalhos na verdade delicadíssimos. Sinfronia recebia presentes que lhe serviam de modela, pedia receita e, muito curiosa, como então se dizia, tornou-se perita nesses trabalhos, o que lhe valia elogios do seguinte teor: “nos conventos não se faz melhor!” A mesa, muito larga, ficou repleta. Seu aspecto vistoso e florido muito agradou a todos segundo os comentários que ouvi.
Entre os convidados, havia lavradores e agregados que mereciam a estima do proprietário para ter lugar à sua mesa. Havia diferença entre o lavrador e o agregado. O lavrador era o que, possuindo escravos e carros, tinha meios de plantar canas e dava lucro ao senhor de engenho, que lhe outorgava certas garantias; o agregado era sempre gente pobre que trabalhava com seu braço, para si e sua família, e não pagava renda. O proprietário tinha direito de exigir dele algum serviço, o que raras vezes sucedia, pois todo o trabalho era feito pelo escravo. Alguns desses agregados, que se distinguiam por seu caráter ou serviços prestados, eram convidados e tratados com atenção.
Houve muitos brindes. Era de praxe que todos os recebessem. Seria uma desatenção não fazer uma saúde a um qualquer, que ficaria triste, julgando-se desconsiderado. Lembro-me de ver em jantares subsequentes, algumas senhoras segredarem ao cavalheiro mais próximo: “faça uma saúde a fulano; olhe que ele ainda não foi lembrado.” Alguns homens do povo mais desembaraçados, abalançavam-se a levantar brindes em português estropiado e frases disparatadas, o que às vezes era comentado, porém de modo que não fosse percebido pelo autor do brinde, porque o dono da casa bem como os parentes empenhavam-se em que todos os hóspedes saíssem satisfeitos, sem o menor vislumbre de queixa. Terminada a mesa, repetiu-se o pequeno concerto musical que tanto havia agradado a todos. Aquela festa durou dois dias, e até meu pai, que era um dos primeiros a retirar-se, não o fez desta vez. Ele era doido por música, principalmente por modinhas.
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Em: Longos Serões do Campo; infância e juventude, Anna Ribeiro de Goes Bittencourt (1843-1930), volume II, Rio de Janeiro, Nova Fronteira:1992, pp 57-8