Imagem de leitura: Jeroen Allart

17 04 2025

Lendo Picasso, 2023

Jeroen Allart (Holanda, 1970)

óleo sobre tela, 80 x 80 cm





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

16 04 2025

Natureza morta com pescado, ovos e limão

Fernando P. [Fernando Clóvis Pereira] (Brasil, 1917-2005)

Óleo sobre tela, 37 x 54 cm

 

 

Natureza morta, 1956

Emiliano Di Cavalcanti (Brasil, 1897- 1976)

óleo sobre tela 45 x 60 cm





Nossas cidades: Santos

15 04 2025

Fortaleza velha de Santos, Praia da Pouca Farinha, 1968

Aldo Cardarelli (Brasil, 1915-1986)

óleo sobre placa, 24 x 32 cm





Resenha: O colibri, de Sandro Veronesi

14 04 2025

Moça lendo, 1876

Attilio Baccani (Itália, 1844-1889)

óleo sobre madeira, 53 x 42 cm

 

 

Acabo de ler O colibri do escritor italiano Sandro Veronesi, tradução de Karina Jannini [Editora Autêntica Contemporânea: 2024] obra que recebeu o Prêmio Strega (Itália), em 2020. O autor já havia recebido o Strega em 2006 pelo livro Caos calmo  publicado no Brasil em 2007. Trata-se da história de vida de Marco Carrera: seus sucessos, atribulações, amigos, amores, filha, neta, uma narrativa que cobre o período de vida adulta do protagonista. Costumo gostar de ficção que se metamorfoseia em biografia de um personagem fictício, gente comum. Duas obras que considero excelentes nesse gênero são: Os diários de pedra, da escritora canadense  Carol Shields, que recebeu os prêmios Pulitzer e National Book Critics Circle, 1995 e As aventuras de um coração humano, do escritor britânico  William Boyd. Dois livros que me emocionaram quando seus protagonistas chegaram ao final da vida.  Essas narrativas demonstram algo que o próprio Sandro Veronesi diz desejar retratar: “o heroísmo da vida comum”.   O propósito é que o leitor consiga se ver ali, como pessoa comum, como  sua própria vida também é repleta de aventuras, obstáculos que parecem intransponíveis, requerendo decisões hercúleas.  Demonstrar como a vida não é linear, mas tecida de vai vens, de erros e acertos.  Veronesi consegue transmitir isso, consegue mostrar como a vida de Marco Carrera também é heroica.  No entanto, por mais que eu simpatizasse com seus enfoques, problemas, empecilhos e me surpreendesse com as reviravoltas daquela vida, esse médico oftalmologista, não me emocionou nem durante, nem ao fim de sua jornada. Vamos então ao que me foi problemático. Tudo se resume a uma questão de estilo.

A maior restrição que tive a essa obra, e não é a única, foi o exagero de informação transmitida ao leitor.  A verbosidade de Veronesi [rara de encontrar na literatura atual] faz a prosa pesada, tediosa. Um bom editor teria aconselhado o escritor a cortar vários excessos. Vejamos: um email entre irmãos sobre os móveis herdados dos pais, mostra um interminável rol de poltronas e sofás que jamais terão importância no texto.

 

 

2 sofás dois lugares Le Bambole, metal, couro cinza, poliuretano, Mario Bellini para B&B, 1972 (20.000 €) 4 poltronas Amanta,* fibra de vidro e couro preto, Mario Bellini para B&B, 1966 (4.400 €) 1 poltrona Zelda, madeira tingida em tom jacarandá e couro em cor natural, Sergio Asti, Sergio Favre para Poltronova, 1962 (2.200 €) 1 poltrona Soriana, aço e couro anilina marrom, Tobia e Afra Scarpa para Cassina, 1970 (4.000 €) 1 poltrona Sacco,* poliestireno e couro marrom, Gatti, Paolini e Teodoro para Zanotta, 1969 (450 €) 1 poltrona Woodline, madeira curvada a quente e couro preto, Marco Zanuso para Arflex, 1965 (1.000 €) 1 mesinha de café Amanta, fibra de vidro preta, Mario Bellini para B&B, 1966 (450 €) 1 mesinha baixa 748, teca marrom, Ico Parisi para Cassina, 1961 (1.100 €) 1 mesinha baixa Demetrio 70, plástico laranja, Vico Magistretti para Artemide, 1966 (150 €) 1 mesa La Rotonda, cerejeira natural e cristal, Mario Bellini para Cassina, 1976 (4.000 €) 1 estante modular Dodona 300, plástico preto, Ernesto Gismondi para Artemide, 1970 (4.500 €) 2 estantes modulares Sergesto, plástico branco, Sergio Mazza para Artemide, 1973 (1.500 €)

 

 

Informação que não leva a lugar nenhum.  Não leva a NADA! É prosa auto condescendente, discurso empolado, que se repete adiante na lista de livros de ficção científica também da mesma herança.  Teria o objetivo de encantar o leitor com a raridade dos livros encontrados?  Se foi essa a intenção, não funcionou. Seria o caso de o autor precisar mostrar conhecimento nesse campo, para quê?  E para quem? Ocorre, então, a ideia do intelectual demonstrando pesquisa sobre uma era. Necessidade de mostrar conhecimento.  Mas o romance não é uma tese de mestrado ou documento de pós graduação. Para quem ele está exibindo esse conhecimento?

 

 

 

 

 

Outro aspecto da verbosidade é o detalhismo com que descreve locais.  Concordo que a Itália tem alguns dos mais deliciosos e sedutores espaços, praças, recantos de todo mundo; mas a proposta dessas descrições não parece ser só a caracterização do carinho que Marco Carrera tem pelos locais por onde perambula.

 

 

De fato, um dos lugares mais bonitos do mundo, isto é, o chamado Granarone2 do Palazzo Caffarelli (bonito não pelas intrínsecas qualidades arquitetônicas, que não tem, mas por sua posição, que domina todo o lado sudoeste da colina do Campidoglio até o rio Tibre, ou seja, a área em que se encontram as ruínas dos templos de Jano, de Juno Sóspita, da Esperança, de Apolo Sosiano, de Santo Homobono e do Pórtico Republicano no Fórum Holitório, além da basílica de São Nicolau em Cárcere e da Rocha Tarpeia em sua totalidade e de três quartos do Teatro de Marcelo; na Idade das Trevas, tornara-se pasto para cabras, e por isso foi rebatizada de “Monte Caprino”; no final do século XVI, foi requalificada pela construção, justamente em seu ponto mais alto, do Palazzo Caffarelli no Campidoglio, por parte da antiga e homônima família da nobreza municipal romana; em meados do século XIX, foi adquirida, com palácio e tudo, pelos prussianos, e por eles enriquecida com outros edifícios mais simples, entre os quais o mencionado Granarone, para onde foi transferido o Instituto Germânico de Arqueologia; depois, em 1918, após a derrota do Império Prussiano, inteiramente readquirida pela municipalidade de Roma), além de servir como sede da Advocacia Capitolina, naqueles anos abrigava o departamento da Casa Comunal,onde os atos judiciários são conservados e notificados aos interessados. Em outras palavras, as pessoas que eram objeto de alguma queixa, denúncia ou de ações judiciárias tinham de retirá-las ali, no Granarone.

 

 

Essas observações todas nos são dadas ainda nas primeiras cinquenta páginas do livro.  É um problema que quase pede uma leitura dinâmica.  Mas não é só.  A narrativa se torna tão conturbada quanto a vida de Marco, pela forma não linear da exposição.  Saltitamos do passado recente ao presente ao passado longínquo. E todos os possíveis meios de comunicação são utilizados, de e-mails a mensagens nos celulares e depoimentos. É um leque imenso que se abre de diferentes estilos de prosa. De novo, fica a sensação do autor querer demonstrar suas habilidades.  O que não deveria ser necessário, não é marinheiro de primeira viagem. Já é altamente reconhecido. 

 

 

 

 

Sandro Veronesi consegue,  ao final,  seu objetivo: reconhecermos que a vida de uma pessoa comum, pode ser heroica; e provavelmente é. A vida de qualquer um de nós pode ser essa vida heroica. Só a partir do meio do livro, a leitura parece mais amigável.  Os olhos correm com maior facilidade sobre o texto.  Mas no final, antes de fechar o livro, voltei a ter essa sensação de que o autor precisava demonstrar o subtexto da obra, as origens do que o levara a escrever, no capítulo chamado Dívidas: um capítulo inteiro de notas e explicações, de onde veio essa ideia, que conto o autor leu que o inspirou para qual capítulo e o máximo da auto condescendência, quando cita a si mesmo!  Como é mesmo que ele faz? Vejam:

 

 

No capítulo “Urania”, a escrita a lápis no frontispício do romance de ficção científica é algo verdadeiro, referente a mim mesmo, e foi adaptado para a obra. Na realidade, foi meu pai, enquanto eu nascia não me lembro mais em qual hospital, em Florença, que escreveu estas palavras no frontispício do romance da coleção Urania que estava lendo…

 

 

Não gostei.  Estou surpresa que tenha recebido o maior prêmio de literatura da Itália. Das cinco estrelas, máximo de pontos que dou aos livros neste blog, dei duas.  Conheço leitores que deram quatro estrelas e alguns que gostariam de ter subtraído uma ou duas estrelas abaixo de zero.  Esse não é um livro para um leitor iniciante. Estou surpresa de ver tantas resenhas enaltecendo O colibri. Não recomendo.

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.





Paisagens brasileiras…

13 04 2025

Voltando da escola

Alexandre Reider (Brasil, 1973)

óleo sobre tela

 

 

Sem título

Francisco Rebolo (Brasil, 1902-1980)

óleo sobre tela





Em casa: Sara Lee Hughes

13 04 2025

À espera

Sara Lee Hughes, (EUA, 1968)

óleo sobre tela, 132 x 102 cm





Flores para um sábado perfeito!

12 04 2025

Vaso com flores, 1939

Noemia Mourão  (Brasil,1912 -1992)

óleo sobre tela

 

 

 

Vaso de flores

José Wasth Rodrigues (Brasil, 1891-1957)

óleo sobre duratex, 26 x 20 cm





O castelo de cartas… trecho de José de Alencar

11 04 2025

O castelo de cartas, 1869

Théodore Gérard (Bélgica, 1829-1895)

óleo sobre  tela,  59 x 74 cm

 

 

 

“Junto à mesa, onde ardia o candelabro, Lúcio estava muito aplicado em levantar castelos de cartas para entreter Adélia.

Feliz idade em que a imaginação entre risos de prazer edifica palácios com essas figuras coloridas! Mais tarde, em vez de castelos de carta, são os castelos de vento, edificados com as ilusões e as esperanças de nossa alma. Vem um sopro de criança e arrasa o suntuoso palácio. O menino reúne as cartas e levanta novo castelo. O homem debalde tenta coligir as ilusões que tombaram: não encontra nem o pó; desfizeram-se em fumo.”

 

José de Alencar, O tronco do Ipê

 

 

 

Publicado pela primeira vez em 1871, foi o segundo romance regionalista de Alencar.  Foi também o primeiro romance “de gente grande”, como minha mãe anunciou, quando me deu para ler nas férias de julho depois de eu completar dez anos no mês anterior.  Nem sei quantas vezes o reli.  Muitas.  Já soube algumas partes de cor.  Ainda sei nomear todos os personagens. Aliás foi o início de um bom relacionamento meu com o autor.  A história se passa numa fazenda em Teresópolis, cidade com que eu estava familiarizada por passar férias lá. Há menções do rio Paquequer, assim como também acontece em O Guarani. Depois de O tronco do ipê, ainda jovem adolescente, cheia de histórias românticas na cabeça, li todos os outros “perfis de mulher’ dele, ou os chamados romances urbanos: Cinco minutos, A viuvinha, Lucíola (de que não gostei muito), A pata da gazela, Til.  Mais tarde, não sei exatamente quando, provavelmente quando tinha quatorze anos, li Senhora, que se tornou um de meus livros favoritos de toda a minha juventude.  Qual não foi minha boa surpresa saber, muitos anos depois, que Senhora havia sido traduzido para o inglês e fazia parte de muitos currículos de literatura sobre empoderamento feminino, em universidades nos Estados Unidos. Li também, algumas vezes, Iracema, de que gosto mais do que O Guarani, mas não cheguei a ler, Minas de Prata, nem O Gaúcho.  Tínhamos a coleção toda lá em casa, mas esses, nunca chegaram a me interessar.  Talvez seja a hora de voltar a Alencar, quem sabe? 

Parti direto dos romances urbanos de Alencar para A mão e a luva e Helena de Machado de Assis.  Essa foi a minha apresentação, pelas mãos de minha mãe a Machado.  Funcionou porque apesar de ler Don Casmurro, depois aos quinze-dezesseis anos, ele não me interessou tanto quanto Memórias Póstumas de Brás Cubaslido em seguida, que foi por um bom tempo meu livro de cabeceira.

 

 

DETALHE de O castelo de cartas de Théodore Gérard, mostrado acima.





Vento do mar e o sol no meu rosto a queimar…

11 04 2025

São Conrado

Jorge Victtor (Brasil, 1957)

acrílica sobre tela,  90 x 180 cm





Imagem de leitura: Gustave Lino

10 04 2025

Interior com jovem lendo, 1933

Gustave Lino (França-Argélia, 1893-1961)

óleo sobre tela, 200 x 181 cm