Yugo Mabe (Brasil, 1955)
óleo sobre tela, 72 x 60 cm
Canal da Barra, ao fundo a Pedra da Gávea
Orlando Brito (Brasil, 1920-1981)
óleo sobre tela, 42 x 34 cm
Manasses Andrade (Brasil, 1955-2021)
acrílica sobre tela, 100 x 80 cm
Carlos Drummond de Andrade
Futebol se joga no estádio?
Futebol se joga na praia,
futebol se joga na rua,
futebol se joga na alma.
A bola é a mesma: forma sacra
para craques e pernas de pau.
Mesma a volúpia de chutar
na delirante copa-mundo
ou no árido espaço do morro.
São voos de estátuas súbitas,
desenhos feéricos, bailados
de pés e troncos entrançados.
Instantes lúdicos: flutua
o jogador, gravado no ar
— afinal, o corpo triunfante
da triste lei da gravidade.
Composição com abacates e cerâmica, c. 1942
Joaquim Figueira (Brasil, 1904-1943)
óleo sobre tela colado em placa, 50 x 58 cm
Marc Chalmé (França, 1969)
óleo sobre tela, 162 x 130 cm
Acho surpreendente a chuva de elogios ao livro A delicadeza do escritor francês David Foenkinos. Trata-se de uma história sobre a lenta recuperação, o processo de luto, sofrido por uma viúva. A história culmina na escolha de um novo parceiro; uma escolha que parece improvável e imprevisível por aqueles que conheciam a viúva. O luto como tema, não é surpreendente. Muitos livros já foram escritos sobre o assunto. Recentemente lançado no Brasil, Nora Webster, do irlandês Colm Tóibin, trata justamente do tema, com muito maior complexidade.
Aqui, no entanto, temos uma história banal. Previsível. Um livro que pretende descrição de emoções complexas, mas cai no enfoque raso e simplório. O texto, repleto de frases intencionalmente forjadas com o desejo de parecerem “pensamentos profundos”, não é nada mais do que uma maneira superficial de explorar os sentimentos humanos. Não recomendo.
Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Jurujuba, c. 1950
José Beneveduto Madureira (Brasil, 1903-1970)
óleo sobre tela, 80 x 99 cm
PESP -Pinacoteca do Estado de São Paulo
Rua de Cabo Frio com igreja de São Benedito, 1980
Wim van Dijk (Holanda/Brasil, 1915- 1990)
óleo sobre tela, 28 x 46 cm
Carissa Rose Stevens (EUA,contemporânea)
aquarela e marcador permanente sharpie
Lêdo Ivo
O mundo em peso cai-me sobre os ombros
e em seguida se evola, sol de urânio.
Arquipélago branco, sai da terra
a rosa nuclear da anunciação.
Fossem meus braços límpidas colunas
e eu deteria o mundo enfurecido
por esta luz atômica que sobe
ao convívio dos céus despedaçados.
Ó corola de átomos, leitosa
flor da quinta estação da terra em pânico
que se exibe à feição do Apocalipse,
sê para nós igual à rosa branca
da paz, sempre banhada pelo orvalho
monumental das lágrimas dos homens!
Em: Central poética, Lêdo Ivo, Rio de Janeiro, Nova Aguillar: 1976, p. 98-9.