Flores, porque hoje é sábado…

28 02 2026

Algumas flores, 1994

José Moraes (Brasil, 1921-2003)

óleo sobre tela, 40 x 30 cm

 

 

 

Nu com vaso de flores, 1988

Enrico Bianco  (Itália-Brasil, 1918-2013)

óleo sobre eucatex, 70 x 50 cm

 

 

 

 





O riso, Roger Scruton

27 02 2026

Festa em casa II

Randy Stevens (EUA, contemporâneo)

pastel sobre papel, 58 x 71 cm

 

 

 

“Há uma grande dificuldade em dizer exatamente o que é o riso. Não é apenas um som – nem mesmo um som, pois pode ser silencioso. Nem é apenas um pensamento, como o pensamento a respeito de algum objeto como absurdo. Trata-se de uma resposta a algo, que também envolve um julgamento dessa coisa. Além disso, não é uma peculiaridade individual, como um tique nervoso ou um espirro. A risada é uma expressão de diversão, e a diversão é um estado de espírito claramente expressivo e contagioso. O riso começa como uma condição coletiva, como quando as crianças riem juntas por causa de algum absurdo. E, na idade adulta, a diversão continua a ser uma das formas pelas quais os seres humanos desfrutam da companhia uns dos outros, reconciliam-se com as suas diferenças e aceitam suas semelhanças. O riso nos ajuda a superar nosso isolamento e nos fortalece contra o desespero.”

 

 

Em: A cultura importa: fé e sentimento em um mundo sitiado, Roger Scruton, tradução de Sérgio Kalle, LVM Editora: 2024





Da janela vê-se o Corcovado…

27 02 2026

Mosteiro de São Bento, 2007

Fernando Gomes (Brasil, 1960)

óleo sobre tela, 35 x 27 cm





Sombra e água fresca: Winslow Homer

26 02 2026

Luz do sol e sombra, 1873

Winslow Homer (EUA, 1836–1910)

óleo sobre tela, pincel seco e óleo sobre tela, 40 x 58 cm

Cooper Hewitt, Smithsonian Design Museum, NY





Eu pintor: José Moraes

26 02 2026

Autorretrato cubista, 1940

José Moraes (Brasil, 1921-2003)

óleo sobre tela, 65 x 54 cm 





No trabalho: Lotten Ronquist

25 02 2026

Lavando janelas, 1889

Lotten Rönquist  (Suécia, 1875-1912) 

óleo sobre tela, 93 x 49 cm





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

25 02 2026

Natureza morta, 1945

Ado Malagoli (Brasil, 1906 -1994)

óleo sobre tela, 45 x 55 cm

 

 

 

Natureza morta, 1947

Roberto Burle Marx (Brasil, 1909-1994)

óleo sobre cartão, 33 x 48 cm 

 





Nossas cidades: Diamantina

24 02 2026

Rua de Diamantina, MG

Colete Pujol (São Paulo, 1913-1999)

óleo sobre placa de eucatex,  32 x 23 cm





Leitura é mágica!

23 02 2026
Ilustração de Jimmy Liao (China, 1958).




Leitura leve, gostosa, brasileira e “na moda”

23 02 2026
Grupo de leitura Papalivros no encontro de fevereiro, em Ipanema, RJ

 

 

A escritora cearense Socorro Acioli é autora do livro escolhido para leitura, no mês do Carnaval, pelo grupo Papalivros:  A Cabeça do Santo [Cia das Letras:2014].  Publicado há mais de uma década, tornou-se um fenômeno de popularidade nos últimos tempos. Influenciadores digitais e jornalistas mencionaram a obra com frequência e, aos poucos, o público endossou as recomendações tornando-o um best-seller.  Tenho afiliações com quatro grupos de leitura (cariocas e nacionais). Com essa escolha do Papalivros, vejo que todos quatro já leram a obra.  Socorro Acioli é uma escritora escolhida por Gabriel Garcia Marques para a oficina “Como contar um conto”, em 2006, em Cuba. Ela pode, então, se considerar não só herdeira do realismo mágico, à maneira de Gabo, mas também abençoada pelo feitiço de seu mentor. A cabeça do santo é resultado dessa experiência.

Um livro pequenino — 176 páginas — consegue encantar a gregos e troianos, ao descrever a saga de Samuel, um homem, que após a morte de sua mãe e a conselho dela, sai em busca do pai.  Nessa empreitada, precisando de abrigo depois de muito andar, ele encontra uma gruta, onde se esconde para passar a noite.  Qual não é sua surpresa ao descobrir, quando acorda, que o abrigo é a cabeça oca de um Santo Antônio, de proporções gigantescas, parte de uma escultura abandonada, um projeto sem sucesso da cidade vizinha, Candeia.  Sua surpresa é acentuada quando percebe que o local é lugar de peregrinação de mulheres à procura um companheiro, namorado, marido, enfim de um milagre do santo casamenteiro.  Escondido na cabeçona, Samuel ouve os causos relatados e as preces endereçadas ao santo.  Acaba interferindo à sua maneira no destino delas, graças a Francisco, um amigo que faz no local.

Fiel às tradições da literatura nordestina, situações de farsa e humor ecoam obras de Dias Gomes e Ariano Suassuna. Aqui, Socorro Acioli nos presenteia com uma mini fábula, enraizada nas tradições populares, na política dos lugares pequenos, nas crendices da vida cotidiana, na superstição. Osório, o prefeito de Candeia, cidade responsável pelo projeto desastroso da escultura monumental, é personagem que poderia ser encontrado em alguma obra de Dias Gomes, herdeiro, podemos dizer, de Odorico Paraguaçu, de O Bem-amado (1961). Dias Gomes também é sentido no humor cáustico com que Osório é representado. Candeia é uma cidade dividida entre misticismo e ganância, dualidade também encontrada nas obras do dramaturgo, conhecido por representar o conflito entre o sagrado e o profano.   

Samuel e Francisco por outro lado são ‘filhos’ de Ariano Suassuna, personagens que sobrevivem graças à  astúcia e  a algumas artimanhas. São sertanejos e bem representam o local em que a religião é cultura viva, em que milagres acontecem apesar de ou por causa de todas suas mazelas.  Isso é retratado num ritmo de cultura oral, em alguns lugares reminiscente da literatura de cordel, e pela fé mística e grandiosa, como acontece em O Auto da Compadecida (1955).

A cabeça do santo é obra ainda mais rica nas referências bíblico-religiosas de Samuel (do Velho Testamento), São Francisco e Santo Antônio, dois dos mais populares santos cultuados no Brasil, referências admitidas pela própria autora. Recomendo a leitura ainda que para meu gosto ela pudesse ter sido expandida, com mais causos, mais detalhes nas histórias contadas a Samuel. Achei o final, deus-ex-machina previsível e súbito, um tantinho à maneira Dias Gomes, um final dramático e retumbante, que resolve todos os problemas. Mas vale. É uma boa leitura para um fim de semana divertido.