Imagem de leitura : Igor Schulman

8 12 2022

Um mundo despreocupado

Igor Schulman (República Checa, contemporâneo)

óleo sobre tela, 79 x 119 cm





Natalinas: James Joyce

1 12 2022

File:Portrait of Holger Drachmann (P. S. Krøyer).jpg

Retrato de Hoger Drachmann, 1902

Peder Severin Krøyer (Noruega-Dinamarca, 1851-1909)

óleo sobre tela, 32 x 40 cm

Coleção Hirshsrpung, Dinamarca

Um Presente de Natal

Um presente de Natal

Minha querida Nora,

Envio-te por correio registrado, expresso e seguro um presente de Natal. É o melhor que te posso oferecer (embora seja bem humilde, no fim de contas) em troca do teu amor sincero, genuíno e fiel. Pensei em todos os seus pormenores, deitado na cama à noite, ou durante viagens de carro por Dublin, e acho que ficou bem. Mas mesmo que não te proporcione mais do que um leve rubor de satisfação, ou um breve sobressalto de alegria no teu coração afetuoso e fiel, eu já sentirei que todo o meu esforço foi altamente recompensado.

Talvez este livro que te envio agora nos sobreviva a ambos. Talvez os dedos de um jovem ou de uma jovem (filhos dos nossos filhos) venham um dia a folhear reverentemente estas folhas de pergaminho, quando os dois amantes cujas iniciais se entrelaçam na capa tenham desaparecido há muito da face da terra. Então, querida, nada restará dos nossos pobres corpos conduzidos pela paixão, e quem sabe onde estarão também as almas que pelos olhos desses corpos mutuamente se contemplavam. Eu pediria para que a minha alma fosse espalhada ao vento, se Deus me permitisse pairar para sempre sobre uma estranha e solitária flor azul-escura umedecida pela chuva, erguida ao pé duma sebe silvestre de Aughrim ou Oranmore.

James Joyce, em ‘Cartas a Nora (22 de Dezembro de 1909)’





Natalinas: Calvin Coolidge

29 11 2022

Pausa na leitura

Zoe Hadley (EUA, 1960)

“O Natal não é um tempo nem uma temporada, mas um estado de espírito. Valorizar a paz e a boa vontade, ser abundantemente misericordioso, é ter o verdadeiro espírito do Natal.”
 

Calvin Coolidge





Curiosidade literária

28 11 2022

Felicia, 1947

Henry Lamb (Inglaterra, 1883-1960)

óleo sobre tela

Bradford Museums & Galleries

 

 

A escritora inglesa Elizabeth Gaskell, (1810-1865) uma das grandes romancistas da era vitoriana, autora de Norte e Sul, Cranford, Margaret Hale, O chalé de Moorland, Esposas e filhas, contos diversos e biografias, era definitivamente uma mulher independente, muito à frente de seu tempo. Comprou uma casa em Hampshire sem que seu marido soubesse. Infelizmente Gaskell teve um infarto do miocárdio fulminante enquanto tomava chá com as filhas e morreu nesta casa em novembro de 1865.  Foram, portanto, dois choques para o marido de Gaskell: primeiro saber-se viúvo; depois saber que sua esposa era proprietária da casa em que falecera.





Em casa: Jonas Wood

27 11 2022

Leslie e Michael, 2013

Jonas Wood (EUA, 1977)

óleo e acrílica sobre tela,  203 x 228 cm





Leituras de 2022: “Tudo é rio”, de Carla Madeira, resenha

26 11 2022

Mulher lendo no terraço

Blanche Augustine Camus (França, 1884-1968)

óleo sobre tela, 92 x 73 cm

 

Levei tempo para expressar a respeito de Tudo é rio de Carla Madeira. É um livro considerado “muito bom” por muitas pessoas que conheço.  Foi escolhido por um de meus grupos de leitura, leitores que me ajudaram a perceber melhor a obra.  Quase desisti no primeiro terço.  Mesmo sendo um livro de poucas páginas.  Isso não é comum. Não foi o linguajar crasso, como muitos poderiam imaginar. Não foi a desenvoltura sexual de Lucy, a personagem que abre a narrativa.  Colocada ali, na abertura, principalmente para o choque inicial. Talvez tenha sido a personalidade dessa prostituta: “Parte da excitação de Lucy morava na perversão.”

Minha surpresa veio  mais de dentro, da realização de que para Carla Madeira, e talvez ela esteja correta, a vida emocional do brasileiro não mudou.  Continua repleta de emoções cruas, sem polimento civilizatório. Continua repleta de violência  física e sobretudo emocional.  São pessoas semelhantes às que vão a programas de televisão para lavar roupa suja diante de uma plateia, que não conseguem resolver problemas familiares, amorosos, com conversa nem religião. 

Ficou comigo uma sensação de déjà vu.  O brasileiro não  mudou, desde a primeira metade do século XX para cá?  Este mundo retratado em Tudo é rio, tem gosto de antigo, de problemas já resolvidos na cultura ocidental, até mesmo no Brasil do interior. Violência, crueldade, ciúmes e sobretudo vingança comem a alma, e demonstram um grau de ignorância coletiva que parece demasiado. Emoções fortes entre pessoas casadas que mal se conhecem.  Rancor. Ações extremas para sedimentar a vingança e pouco, muito pouco perdão.

Os temas mais pesados em Tudo é Rio não são os de sexo.  Os mais pesados são a crueldade, a vingança, o ciúme em doses extremas. Todos, tanto as supostas vitimas quanto os que agem contra elas, todos são desequilibrados emocionalmente. E isso me afeta negativamente. Não sou pessoa de extremismos.  Prefiro a narrativa reflexiva, subentendida, moderada, que me deixe descobrir a complexidade das emoções vagarosamente sem tê-las escancaradas à moda de novelas mexicanas. Mas entendo ser uma preferência pessoal.

 

 

O enredo é simples.  Estamos numa cidade do interior.  Uma jovem, quase adulta, endiabrada e exibicionista, “Não ia ter graça nenhuma reinar no deserto sem ninguém para testemunhar seus calores e tempestades.” decide fazer da prostituição sua maneira de viver.  Ama ter poder sobre os homens.  Gosta também de ferir mulheres através de seus homens, maridos, companheiros. Não parece querer ninguém feliz à sua volta.  Talvez todos tenham que pagar que rejeição inicial que sentiu quando criança e adolescente. Sexo, o poder sexual, é onde Lucy se deleita.  Não tem escrúpulos.  E não consegue viver em  paz até que tenha conquistado qualquer homem que lhe seja arredio.  Assim,  consegue criar problemas.  Mas, precisamos prestar atenção ao comportamento de todas as outras  mulheres da história.  Elas também não são santinhas, apesar das aparências.  Elas também  conseguem manter vivo o ódio e se deleitar na vingança.  Todos nessa trama são possuídos por suas emoções.

No final, não há pessoas íntegras nessa história.  Todas as mulheres vivem dominadas por sentimentos, até os mais perturbadores.  E agem de acordo.  Os homens são violentos também,  têm ciúmes, gostam de uma vingança, mas no final das contas, ainda sofrem um pouco mais, porque sofrem muito nas mãos das mulheres, já que não têm poder de se controlarem quando são seduzidos.

 

 
Carla Madeira

Talvez tenha sido esta percepção de falta de controle emocional que tenha me dado a sensação de “dejà vu“, um gosto de pão dormido, o desconforto de testemunhar uma sociedade tão crua, tão sem civilidade.  A escrita é boa e flui. Há algumas frases interessantes nessa narrativa: “É preciso uma coincidência qualquer para que o amor se instale. Existe um certo milagre nos encontros. Não é tolo dizer que o amor é sagrado.” ou “quem é previsível demais oferece o pescoço ao cabresto.“,  e muitas outras, mas no todo, elas não valem a companhia das horas passadas com este texto.  Não recomendo.

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.





Imagem de leitura — Anna Reznikova

25 11 2022

Notícias, 2021

Anna Reznikova (Chipre, contemporânea)

óleo sobre tela, 70 x 50 cm





Natalinas: Mário Quintana

24 11 2022

Menina lendo, 2008

Adilson dos Santos (Brasil, 1944)

óleo

“Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal…”

Mário Quintana





Curiosidade literária

21 11 2022

Orvalho da manhã

Henry Lee Battle (EUA, contemporâneo)

O escritor americano Nathaniel Hawthorne (1804-1864),  autor de A Letra Escarlate, fundou uma comunidade Transcendental, próxima à cidade de Boston em 1841.  Mas não esperava que fosse tão difícil a vida diária plantando e trabalhando o solo.  Em meses, Hawthorne deixou o local.  Achou muito difícil escrever com todas as bolhas que cresceram em suas mãos resultado de trabalhos como cortar feno, limpar excrementos das baias dos cavalos.   Mas, por outro lado, aproveitou sua experiência para escrever sua terceira grande obra: The Blithedale Romance, onde conta a aventura e o que aprendeu com essa experiência.





Imagem de leitura: Will Barnett

19 11 2022

Introspecção, 1972

Will Barnett (EUA, 1911-2012)

Silkscreen