Leslie e Michael, 2013
Jonas Wood (EUA, 1977)
óleo e acrílica sobre tela, 203 x 228 cm
Mulher lendo no terraço
Blanche Augustine Camus (França, 1884-1968)
óleo sobre tela, 92 x 73 cm
Levei tempo para expressar a respeito de Tudo é rio de Carla Madeira. É um livro considerado “muito bom” por muitas pessoas que conheço. Foi escolhido por um de meus grupos de leitura, leitores que me ajudaram a perceber melhor a obra. Quase desisti no primeiro terço. Mesmo sendo um livro de poucas páginas. Isso não é comum. Não foi o linguajar crasso, como muitos poderiam imaginar. Não foi a desenvoltura sexual de Lucy, a personagem que abre a narrativa. Colocada ali, na abertura, principalmente para o choque inicial. Talvez tenha sido a personalidade dessa prostituta: “Parte da excitação de Lucy morava na perversão.”
Minha surpresa veio mais de dentro, da realização de que para Carla Madeira, e talvez ela esteja correta, a vida emocional do brasileiro não mudou. Continua repleta de emoções cruas, sem polimento civilizatório. Continua repleta de violência física e sobretudo emocional. São pessoas semelhantes às que vão a programas de televisão para lavar roupa suja diante de uma plateia, que não conseguem resolver problemas familiares, amorosos, com conversa nem religião.
Ficou comigo uma sensação de déjà vu. O brasileiro não mudou, desde a primeira metade do século XX para cá? Este mundo retratado em Tudo é rio, tem gosto de antigo, de problemas já resolvidos na cultura ocidental, até mesmo no Brasil do interior. Violência, crueldade, ciúmes e sobretudo vingança comem a alma, e demonstram um grau de ignorância coletiva que parece demasiado. Emoções fortes entre pessoas casadas que mal se conhecem. Rancor. Ações extremas para sedimentar a vingança e pouco, muito pouco perdão.
Os temas mais pesados em Tudo é Rio não são os de sexo. Os mais pesados são a crueldade, a vingança, o ciúme em doses extremas. Todos, tanto as supostas vitimas quanto os que agem contra elas, todos são desequilibrados emocionalmente. E isso me afeta negativamente. Não sou pessoa de extremismos. Prefiro a narrativa reflexiva, subentendida, moderada, que me deixe descobrir a complexidade das emoções vagarosamente sem tê-las escancaradas à moda de novelas mexicanas. Mas entendo ser uma preferência pessoal.
O enredo é simples. Estamos numa cidade do interior. Uma jovem, quase adulta, endiabrada e exibicionista, “Não ia ter graça nenhuma reinar no deserto sem ninguém para testemunhar seus calores e tempestades.” decide fazer da prostituição sua maneira de viver. Ama ter poder sobre os homens. Gosta também de ferir mulheres através de seus homens, maridos, companheiros. Não parece querer ninguém feliz à sua volta. Talvez todos tenham que pagar que rejeição inicial que sentiu quando criança e adolescente. Sexo, o poder sexual, é onde Lucy se deleita. Não tem escrúpulos. E não consegue viver em paz até que tenha conquistado qualquer homem que lhe seja arredio. Assim, consegue criar problemas. Mas, precisamos prestar atenção ao comportamento de todas as outras mulheres da história. Elas também não são santinhas, apesar das aparências. Elas também conseguem manter vivo o ódio e se deleitar na vingança. Todos nessa trama são possuídos por suas emoções.
No final, não há pessoas íntegras nessa história. Todas as mulheres vivem dominadas por sentimentos, até os mais perturbadores. E agem de acordo. Os homens são violentos também, têm ciúmes, gostam de uma vingança, mas no final das contas, ainda sofrem um pouco mais, porque sofrem muito nas mãos das mulheres, já que não têm poder de se controlarem quando são seduzidos.
Talvez tenha sido esta percepção de falta de controle emocional que tenha me dado a sensação de “dejà vu“, um gosto de pão dormido, o desconforto de testemunhar uma sociedade tão crua, tão sem civilidade. A escrita é boa e flui. Há algumas frases interessantes nessa narrativa: “É preciso uma coincidência qualquer para que o amor se instale. Existe um certo milagre nos encontros. Não é tolo dizer que o amor é sagrado.” ou “quem é previsível demais oferece o pescoço ao cabresto.“, e muitas outras, mas no todo, elas não valem a companhia das horas passadas com este texto. Não recomendo.
NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.

Menina lendo, 2008
Adilson dos Santos (Brasil, 1944)
óleo
Mário Quintana
Orvalho da manhã
Henry Lee Battle (EUA, contemporâneo)
O escritor americano Nathaniel Hawthorne (1804-1864), autor de A Letra Escarlate, fundou uma comunidade Transcendental, próxima à cidade de Boston em 1841. Mas não esperava que fosse tão difícil a vida diária plantando e trabalhando o solo. Em meses, Hawthorne deixou o local. Achou muito difícil escrever com todas as bolhas que cresceram em suas mãos resultado de trabalhos como cortar feno, limpar excrementos das baias dos cavalos. Mas, por outro lado, aproveitou sua experiência para escrever sua terceira grande obra: The Blithedale Romance, onde conta a aventura e o que aprendeu com essa experiência.
Jovem segurando uma partitura, 1755
D’après Louis Jean François Lagrenée (França, 1724-1805)
The Palmer Museum of Art, The Pennsylvania State University
Giàcomo Girolamo Casanova viveu no século XVIII. Nasceu em 1725 na antiga República de Veneza, portanto bem antes da unificação da Itália em 1870. Escreveu a autobiografia História da minha vida, que o tornou famoso, bem depois de ter-se tornado um homem maduro. Antes disso, tentara a vida militar e a eclesiástica. Teve muitas aventuras, fugiu da cadeia, foi um aventureiro de grande porte. Acabou vivendo sob os auspícios do Conde da Boêmia, em Duchcov, na República Checa, de 1785 até sua morte, em 1792. Casanova, declarou ter escrito a biografia por tédio, para surpresa de seus leitores, que não acreditavam que isso fosse possível, já que ele alegara ter tido relações amorosas com cento e vinte e duas mulheres. É justamente essa informação sobre sua habilidade sexual que o tornou popular. Ficou famoso, seu nome, por extensão, significa homem conquistador, libertino, nos círculos mais letrados. Mas suas memórias são até hoje usadas para o estudo de comportamento e hábitos das sociedades no século XVIII.
Mulher
Armand Schönberger (Hungria, 1885-1974)
pastel sobre papel, 18 x 13 cm
“Como já mencionei, uma das teorias de minha mãe era que criança alguma deveria ter permissão de aprender a ler até os oito anos. Como essa teoria não foi cumprida por mim, tive licença de ler tanto quanto quis, e aproveitava todas as oportunidades para isso. A sala de aulas, como era chamada , era um cômodo no último andar da casa, quase completamente forrado de livros. Algumas das prateleiras eram dedicadas a literatura infantil: Alice in Wonderland [Alice no País das Maravilhas] e Through the Looking Glass [Através do Espelho]; os antigos, sentimentais contos vitorianos que já mencionei, tais como Our Little Violet [Nossa Pequena Violeta]; os livros de Charlotte Young, incluindo The Daisy Chain [A Corrente de Margaridas]; uma coleção completa, creio, de Henry, e, além disso, numerosos livros de estudo, romances, e outros tipos. Eu lia indiscriminadamente, escolhendo qualquer livro que me interessasse, lendo, portanto, muita coisa que não entendia, mas que retivera minha atenção.”
Em: Autobiografia, Agatha Christiie, tradução de Maria Helena Trigueiros, Rio de Janeiro, Nova Fronteira:1979, pp. 97-8.
Las Talaveritas, Domingo de Manhã, New York Times, 2016
[Marissa e seu pai lendo as notícias]
Aliza Nisenbaum (México, 1977)
óleo sobre tela, 220 x 170 cm
Leitora
Georg Tappert (Alemanha, 1880-1957)
pastel, 65 x 49 cm
O escritor inglês, Daniel Defoe (1660-1731), autor de Robinson Crusoé, teve muitas atividades de trabalho antes de ficar conhecido como panfletista e escritor. Uma das coisas mais estranhas que fez foi tentar vender perfumes feitos das secreções anais de gatos.
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Em tempo: muitos perfumes famosos têm como ingrediente a secreção anal de animais chamados gatos civetas, (que tecnicamente não são gatos) encontrados na Indonésia e na África. Hoje, por razões éticas essas essências são produzidas sinteticamente. Entre os perfumes conhecidos que têm este componente estão: Yves Saint Lorain, Kouros; Calvin Klein, Obsession; Guerlain, Coque D’Or e também o Djedi; Jean Patou, Eau de Joy e Adieu Sagesse; Schiaparelli, Shocking; Jean Patou, Patou pour l’Homme; Emanuel Ungaro, Ungaro pour l’Homme II; Revlon, Intimate; Avon, Topaze, Charisma, Tribute e Trazarra; Chanel, Chanel Nº5- Eau de Cologne e Coco Chanel; Lancôme, todas as variedades do Climat Parfum; Cartier, Panthere; Emilio Pucci, Eau de Zadig; entre dezenas e mais dezenas de perfumes usados nos dias de hoje.