Eles se entendem, por Simenon

12 02 2026

Uma conversa íntima, 1961

Chris McMorrow (Irlanda, contemporâneo)

aquarela sobre papel

 

 

 

 

“Servido o café, as mulheres se ocuparam com o tricô, instaladas no seu canto habitual. Pardon e Maigret sentaram-se perto de uma das janelas, enquanto o jovem marido de Alice, não sabendo bem a que grupo se integrar, acabou por sentar-se ao lado de sua mulher.

Já estava decidido que a Sra. Maigret seria a madrinha da criança, para quem ela tricotava um casaquinho.

Pardon acendeu um charuto. Maigret encheu seu cachimbo. Eles não tinham particularmente vontade de falar, e um tempo bastante longo transcorreu em silêncio enquanto lhes chegava o rumor das mulheres.

Por fim o médico murmurou como para si mesmo:

— É mais uma dessas noites eu que eu desejaria ter escolhido outra profissão!

Maigret não insistiu, não o estimulou a confidências. Ele gostava muito de Pardon. Considerava-o  um homem no sentido pleno que dava a essa palavra.”

 

Em: Uma confidência de Maigret, Simenon, L&PM-Pocket: 2013. 

 

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Amanhã, aqui no Rio de Janeiro, já é ponto facultativo, pelo Carnaval.  Este ano estarei por aqui, na cidade. E já escolhi alguns livros para ler.  Alguns gostosos como esse de Simenon, e alguns outros.  Devo poder descansar.  

Escolhi essa passagem do livro, logo em seu início, Simenon nos lembra que nas grandes amizades, não se precisa falar o tempo todo.  Há conforto no silêncio.  

Que nós todos tenhamos amigos assim!

 


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