No clube, ilustração de Laurence Fellows
Quando a vida se complica
nas horas de solidão,
amigo é aquele que fica
depois que os outros se vão.
(Aloísio Alves da Costa)
Quando a vida se complica
nas horas de solidão,
amigo é aquele que fica
depois que os outros se vão.
(Aloísio Alves da Costa)
Uma conversa íntima, 1961
Chris McMorrow (Irlanda, contemporâneo)
aquarela sobre papel
“Servido o café, as mulheres se ocuparam com o tricô, instaladas no seu canto habitual. Pardon e Maigret sentaram-se perto de uma das janelas, enquanto o jovem marido de Alice, não sabendo bem a que grupo se integrar, acabou por sentar-se ao lado de sua mulher.
Já estava decidido que a Sra. Maigret seria a madrinha da criança, para quem ela tricotava um casaquinho.
Pardon acendeu um charuto. Maigret encheu seu cachimbo. Eles não tinham particularmente vontade de falar, e um tempo bastante longo transcorreu em silêncio enquanto lhes chegava o rumor das mulheres.
Por fim o médico murmurou como para si mesmo:
— É mais uma dessas noites eu que eu desejaria ter escolhido outra profissão!
Maigret não insistiu, não o estimulou a confidências. Ele gostava muito de Pardon. Considerava-o um homem no sentido pleno que dava a essa palavra.”
Em: Uma confidência de Maigret, Simenon, L&PM-Pocket: 2013.
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Amanhã, aqui no Rio de Janeiro, já é ponto facultativo, pelo Carnaval. Este ano estarei por aqui, na cidade. E já escolhi alguns livros para ler. Alguns gostosos como esse de Simenon, e alguns outros. Devo poder descansar.
Escolhi essa passagem do livro, logo em seu início, Simenon nos lembra que nas grandes amizades, não se precisa falar o tempo todo. Há conforto no silêncio.
Que nós todos tenhamos amigos assim!


