A ovelha, fábula de Francisca Júlia

28 11 2025

 

 

A ovelha

 

Francisca Júlia da Silva 

 

A ovelha, um dia, muito triste por não ter forças para lutar com os cães que a mordiam, ou armas de defesa contra a ferocidade dos lobos, dirigiu-se a Júpiter e expôs-lhe suas queixas:

– Pai, todos os animais que vivem sobre a terra, desde o inseto ao paquiderme, têm meios de defender-se contra os ataques; e coragem para provocar as lutas. Eu, porém, sou tímida e indefesa: tudo me causa medo. Queria, pois, que me desseis uma arma qualquer. Júpiter, tocado de piedade, perguntou-lhe:

– Queres um veneno oculto nos dentes, para dar morte aos que te fizerem mal?

– Oh! Não! Respondeu a ovelha. Os animais venenosos são nojentos e causam medo a todos.

– Queres ter na boca duas fileiras de dentes afiados, como os leões e os lobos?

– Oh! não! Os animais carnívoros são tão odiosos e antipáticos! 

– Queres saber arremeter, como os touros, com duas pontas na cabeça?

– Oh! não! Eu causaria terror aos outros animais, e não seria acariciada pelos pastores.

– Que queres, pois? Gritou Júpiter, impaciente.

– Nada, senhor, nada quero. Prefiro viver assim, tímida e fraca, porém estimada e afagada por todos.

 

Em: O livro da infância, Francisca Júlia da Silva, 1899.

 

 


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