Paisagem de Campinas, c. 1940
Emiliano Di Cavalcanti (Brasil, 1897-1976)
óleo sobre tela, 60 x 80 cm
Paisagem de Campinas, c. 1940
Emiliano Di Cavalcanti (Brasil, 1897-1976)
óleo sobre tela, 60 x 80 cm
O colecionador
Charles Spencelayh (Inglaterra, 1865-1958)
óleo sobre tela, 25 x 24 cm
“Pessoas assim, como este Sr. José, em toda a parte as encontramos, ocupam o seu tempo ou o tempo que creem sobejar-lhes da vida a juntar selos, moedas, medalhas, jarrões, bilhetes postais, caixas de fósforos, livros, relógios, camisolas desportivas, autógrafos, pedras, bonecos de barro, latas vazias de refrescos, anjinhos, cactos, programas de óperas, isqueiros, canetas, mochos, caixinhas de música, garrafas, bonsais, pinturas, canecas, cachimbos, obeliscos de cristal, patos de porcelana, brinquedos antigos, máscaras de carnaval, provavelmente fazem-no por algo a que poderíamos chamar angústia metafísica, talvez por não conseguirem suportar a ideia do caos como regedor único do universo, por isso, com as suas fracas forças e sem ajuda divina, vão tentando pôr alguma ordem no mundo, por um pouco de tempo ainda o conseguem, mas só enquanto puderem defender a sua coleção, porque quando chega o dia de ela se dispersar, e sempre chega esse dia, ou seja por morte ou seja por fadiga do colecionador, tudo volta ao princípio, tudo torna a confundir-se.”
Em: Todos os nomes, José Saramago
Vendedores de copos de leite, 1980
Adelson do Prado (Brasil, 1944-2013)
óleo sobre tela, 61 x 50 cm

Florista, 2018
Mário Mariano (Brasil, 1947)
óleo sobre cartão, 40 x 34 cm
Saudade…Perfume triste
de uma flor que não se vê.
Culto que ainda persiste
num crente que já não crê.
(Menotti Del Picchia)
Fazendinha na Floresta da Tijuca, RJ
Fernando Correa e Castro (Brasil, 1933)
óleo sobre tela, 41 X 50 cm
Le quai des brumes
Francine van Hove (França, 1942)
óleo sobre tela
Fazer resenha de alguns parágrafos sobre o livro O jovem de Annie Ernaux, com tradução de Marília Garcia [Fósforo: 2022] é mostrar que apesar de poucas páginas — um conto? — há pelo menos algo de mais sólido a ser observado sobre essa leitura. Estou aos poucos cobrindo a obra de Annie Ernaux, volume por volume. Não porque ela tenha sido recipiente do Nobel de Literatura 2022. Não tenho o hábito de ler toda a obra de quem ganha o Nobel. Mas sua prosa é de grande sensibilidade e a forma de autobiografia ficcionalizada,– sempre considero que qualquer biografia é ficção –, tem me atraído nos últimos tempos, também pela interação de história com memória.
A linha narrativa deste minúsculo volume é simples: uma mulher de uma certa idade, tem um parceiro amoroso muito mais jovem do que ela. O rapaz tem idade para ser seu filho. Nas últimas décadas esse parece ser um acontecimento mais comum, menos escondido. Vemos na mídia, com alguma frequência, senhoras envolvidas amorosamente com rapazes jovens. Tinha impressão de que essa desigualdade de idades, com o perfil desse casal, fosse corriqueiro na França, mas, pelo visto, na época de Annie Ernaux, esse não era o caso.
O que me surpreendeu nessa história foi perceber que a mulher, pelo menos nesse caso, acaba com atitudes e posicionamentos que vemos na descrição de homens mais velhos que mantêm relacionamentos com mulheres que, pela idade, poderiam ser suas filhas. Não sei porque, eu achava que seria diferente: estava errada. Nesse conto, a mulher (Annie) se sente superior ao rapaz e fada madrinha, dando ao jovem acompanhante oportunidade de viagens por diferentes cidades europeias, estadias e refeições em lugares luxuosos, ao mesmo tempo observando para si mesma e muitas vezes de maneira crítica,, gestos e maneirismos que lhe desagradam. Ao mesmo tempo, sua exposição à penúria da vida do estudante, e aos métodos que ele usa para combater a falta de dinheiro, trazem para a narradora memórias de sua própria juventude. Mas não há afeto. É um estranho passeio sem emoção pela juventude da própria autora.
A conclusão sobre o comportamento da mulher nessa memória fica a cargo do leitor. Apesar de ser uma parte independente das outras obras de Annie Ernaux dessa volumosa autobiografia, acho um gesto de marketing fazer essa publicação em separado. Talvez traga o benefício de apresentar a autora a um publico maior, que não queira investir tempo na leitura. Mas suas outras obras, publicadas pela mesma editora podem muito bem preencher essas demandas, pois são livros de rápida leitura e poucas páginas.
NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.
Mulher na Janela e peras sobre a mesa, 1996
Adilson Santos, (Brasil, 944)
óleo sobre tela, 70 X 51 cm

Cesta de Frutas, 2006
Reynaldo Fonseca (Brasil, 1925-2019)
óleo sobre tela, 60 x 80 cm