Poesia “Redundâncias”, Ferreira Gullar

18 01 2024
Ilustração, Pierre Brissaud, 1912

 

 

 

Redundâncias

 

Ferreira Gullar

 

Ter medo da morte

é coisa dos vivos

o morto está livre

de tudo que é vida

 

Ter apego ao mundo

é coisa dos vivos

para o morto não há

(não houve)

raios rios risos

 

E ninguém vive a morte

quer morto quer vivo

mera noção que existe

só enquanto existo

 

Em: Muitas vozes: poemas, Ferreira Gullar, 3ª edição, Rio de Janeiro, José Olympio, 1999, p. 48





Imagem de leitura: Oluwole Omofemi

18 01 2024

Sem espaço

Oluwole Omofemi (Nigéria, 1988)

óleo e acrílica sobre tela, 122 x 137 cm