Nossas cidades: Campina Grande

31 10 2023

Cine Capitólio com a Igreja do Rosário, Campina Grande

Helder Racine (Brasil,contemporâneo)





Imagem de leitura — Alessandro Pomi

31 10 2023

Cenáculo, 1931

Alessandro Pomi (Itália,1890-1976)

óleo sobre tela,

Coleção Banca Popolare FriulAdria.





Jacopo Ligozzi: Obra naturalista

30 10 2023

Roedor do deserto

Jacopo Ligozzi (Verona,1547 – 1627)

têmpera sobre papel

Gabinete de Desenhos e Gravuras da Uffizi

 

 

 

Nascido em Verona em uma família de bordadores, Jacopo Ligozzi foi pintor em Trento, Verona e Veneza.  Em 1575 mudou-se definitivamente para a corte de Francesco I em Florença, onde ficou até o fim da vida. 

Ainda que tenha ficado famoso por seus retratos de nobres da corte florentina, Jacopo Ligozzi produziu além das obras a óleo, com um gosto veneziano,  desenhos científicos meticulosos em aquarela e têmpera para Francesco I.

 

 

 

Periquito de colarinho no ramo de ameixeira

Jacopo Ligozzi (Verona 1547-1627)

têmpera sobre papel

Gabinete de Desenhos e Gravuras da Uffizi

 

 

 

Agave americana

Jacopo Ligozzi (Verona, 1547-1627)

Da série de pinturas para Francesco I de Medici

 

 

 

Viuvinha dominicana no ramo de figueira

Jacopo Ligozzi (Verona, 1547-1627)

 

 

 

Rato dos pomares e toupeira

Jacopo Ligozzi (Verona, 1547-1627)

 

 

 

Alfinetes (Centranthus ruber) e um inseto

Jacopo Ligozzi (Verona, 1547-1627)

 

 

 

Marmota com ramo de ameixas, 1605

Jacopo Ligozzi (Verona, 1547-1627)

técnica mista, aquarela, aguada, grafite

NGA, Washington DC





Passeio de domingo: casa de campo, montanha ou costa?

29 10 2023

Pescaria

Carol Kossac, (Ucrânia, 1895-1968)

óleo sobre tela, 50 x 60 cm

 

 

 

Caça

Antônio Gomide (Brasil, 1895-1967)

aquarela sobre papel, 13 x 10 cm

 

 

 

 

Quintal

Antonio Ferrigno (Brasil, 1863-1940)

óleo sobre tela, 27 x 44 cm





Pomares de limoeiros na Itália, texto de Barbara Pym

29 10 2023

Coleção cítrica dos Medici, 1715

Espécies de limões e laranjas [DETALHE]

Bartolomeu Bimbi (Itália, 1648-1723)

Óleo sobre tela

Hoje, Palácio Pitti, Florença

 

 

 

“Ianthe ficou aliviada quando a levaram para o seu quarto e a deixaram sozinha para desfazer as malas. Saiu para a varandinha um tanto nervosa, achando que não parecia muito segura,e olhou para baixo para bosques de limoeiros. As árvores eram todas emaranhadas, deixando os frutos quase escondidos, mas Ianthe pode sentir que havia centenas, talvez milhares de limões pendendo entre as folhas. Todos aqueles limões, pensou, a enfermeira Dew diria que eles quase lhe davam arrepios. Para além dos bosques de limoeiros, pode enxergar o mar, o que a reconfortou, pois além do mar ficavam a Inglaterra, a sua casinha, a biblioteca e John.”

 

 

Em: Uma relação imprópria, Barbara Pym, tradução de Isabel Paquet de Araripe, Rio de Janeiro, Editora Record: 1982, p. 143

 

 

 

 





Em casa: Jean-Baptiste Greuze

29 10 2023

A enroladora de lã, 1759

Jean-Baptiste Greuze (França, 1725−1805)

óleo sobre tela, 74 x 61 cm

The Frick Collection, NY

 

 

 

 





Palavras para lembrar: Giorgio Agamben

28 10 2023

Menina

Albert Franck (Holanda, 1899-1973)

óleo sobre tela

 

 

“A escrita seria muito triste se não nos desviássemos nunca dos nossos planos.”

 

 

Giorgio Agamben





Flores para um sábado perfeito!

28 10 2023

Vaso com flores, 1975

Vany Novello (Brasil, 1938)

óleo sobre eucatex, 46 x 38 cm

 

 

 

 

Vaso com flores, 2013

Sou Kit Gom (Brasil, 1973)

acrílica sobre tela, 30 x 24 cm





Rio de Janeiro: entre mar e montanhas

27 10 2023

Campo de Santana

Sérgio Telles (Brasil, 1936-2022)

óleo sobre tela, 54 x 73 cm

 





Meus favoritos: Jean-Léon Gerôme

26 10 2023

Vendedor de tapetes, c. 1887

Jean-Léon Gerôme (França, 1824-1904)

óleo sobre tela, 86 x 68 cm

Minneapolis Institute of Arts

 

 

Depois que Napoleão percorreu o Oriente Médio e tomou possessão de muitos locais, o interesse pelas terras com costa no Mediterrâneo aumentou substancialmente.  Já desde do século XVII eram terras procuradas pelos jovens de famílias europeias abastadas, quando antes de assumirem suas obrigações como membros adultos da sociedade, participavam da chamada Grand Tour [A grande viagem].  A Grand Tour era simbolicamente a passagem para a vida adulta, o ponto final de uma educação primorosa. Originalmente o centro desta viagem de aprimoramento educacional para jovens homens da sociedade era Roma.  No entanto, à medida que a facilidade de locomoção e o mundo de cultura europeia se expandiu para outras terras a visita aos lugares pitorescos com culturas diferentes dos visitantes, foi se expandindo para toda a área do Mediterrâneo até locais mais longínquos de domínio otomano como a Turquia. 

Artistas de todas as áreas se imiscuíram entre os visitantes atraídos não só pelo exótico como pela qualidade de luz nestes locais mais ao sul, à beira do deserto de Saara. Foram muitas as gerações de pintores que não se cansaram de retratar em óleo ou aquarela paisagens e o cotidiano local.  A eles dá-se o nome de Orientalistas. Tudo era diferente e seduzia.  Fantasias foram criadas, sedutores contos escritos.  Por quase duzentos cinquenta anos a fascinação com essas culturas povoou a imaginação das mentes criativas da Europa.

Jean-Léon Gerôme esteve no Cairo em 1885  em uma de suas diversas viagens ao leste. Dois anos depois, pintou o quadro Vendedor de Tapetes que vemos acima.  Esta cena tem muitas das características que fizeram de Gerôme o mais bem sucedido pintor da segunda metade do século XIX.  Surpreso?  Sim, Gerôme era nome obrigatório em qualquer coleção de peso.  Muito desejado.  Gerôme, filho de um joalheiro, trouxe para a pintura figurativa a riqueza de cores que associamos às pedras preciosas e com elas um sentido tátil, de luxúria.  Vejam por exemplo os detalhes de cor e de texturas nesses tapetes no chão em primeiro plano.

 

 

 

DETALHE, Vendedor de Tapetes, 1887, Gerôme.

 

 

Além disso os tons ricos e brilhantes da roupagem dos compradores que de pé negociam e esperam aprovação de suas ofertas, olhando para os verdadeiros donos das peças negociadas que se encontram na balaustrada. Tons de ouro do turbã, repetidos na Kandura (roupão externo) do companheiro de ofertas, e de novo, lá em cima na roupagem do vendedor, parecem ser refletidos também na nas paredes do fundo, que mostram pequenos raios de sol iluminando o local.

DETALHE, Vendedor de Tapetes, 1887, Gerôme.

 

Note a repetição aqui e acolá dos tons dourados na composição.  Do turbã do comprador à Kandura (roupão externo) do vizinho em pé, contrastado com a kandura azul-rei de outro comprador, o dourado da roupagem do vendedor que se debruça sobre a cena, aos tons dourados das paredes refletindo o sol provavelmente implacável do mundo exterior, todos esses detalhe trazem um tom de encantamento, de mil e uma noites, de sedução sensorial que nos convida a entrar nesta cena.

 

 

DETALHE, Vendedor de Tapetes, 1887, Gerôme.

 

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A tela de tamanho médio  de 86 x 68 cm reforça a ideia de um mundo além da nossa realidade; um mundo um tanto encantado, de temperatura agradável, trazida pela altura do teto e das lajotas vitrificadas que compõem o piso. O vulto de uma mulher, escondida numa porta ao fundo completamente coberta pelo que parece ser um haik de cor azul também contribui para esse sentimento de segredo e sedução.

Obra riquíssima, este quadro está certamente entre os meus favoritos.  O que vocês acham?