Serenata, poesia de Elmano Queiroz

3 08 2020

 

 

Tony Lima (Brasil, 1964),Tocando Violão,80 x 60 cm – OST,Ass. CID e Dat. 2006Tocando Violão, 2006

Tony Lima (Brasil, 1964)

óleo sobre tela, 80 x 60 cm

 

Serenata

Elmano Queiroz

 

Não sei porque nas horas sossegadas,

Comove tanto a música das ruas.

 

Parece que, alta noite, essas baladas,

Relembra, coisas íntimas passadas

Em fases mais ditosas de outras luas.

 

Parece que o cantar do boêmio errante

Vai derramado pela noite fora,

Motivos simples de canções de outrora.

 

Reminiscências de lugar distante.

 

Uma capela rústica, pequena,

Ao pé do morro, entre árvores antigas…

Outras vozes simpáticas, amigas…

O luar na aldeia… as noites de novenas.

 

Os goivos das saudades que passaram

Ressuscitam, na alcova, a noite morta,

Quando esses boêmios passam pela porta,

Cantando essas canções, que outros cantaram.

 

Lembram noites da infância… A alma assustada…

Um tropel… um rumor… um bater d’asa…

 

As goteiras, chorando na calçada…

O caboré gemendo, atrás da casa…

 

Tudo desperta, no silêncio d’alma,

Quando passam cantando pela rua,

Na alcova, a insônia… lá por fora, a calma…

E na volúpia que da Lua transborda

A imagem da saudade branca e nua…

 

Depois, ao longe, um cão, que um ébrio acorda,

Fica na solidão ladrando à luz…

 

[1924]

 

Em: A lira na minha terra: poetas antigos e contemporâneos no Pará, Clóvis Meira, Belém: 1993, p.114-5

 


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4 responses

4 08 2020
Avatar de Maria José Speglich Maria José Speglich

Elmano Queiroz é vivo? Nasceu quando ?
N/ao consegui encontrar na web

*** Você posta poesias especiais . Adoro!

4 08 2020
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Obrigada, Maria José!

4 08 2020
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O que encontrei sobre ele foi o seguinte parágrafo:

“A parte que coube aos “novos” veio com o surgimento do grupo “Efémeris”, de 1919, chefiado por Lúcio Freitas, Tito Franco, Dejard de Mendonça e Alves de Souza, que representavam a inquietação da juventude da época. Um segundo grupo de „„inquietos‟‟ formou-se também nas reuniões que ocorriam no conhecido Largo da Pólvora, nas quais teve participação o poeta Raul Bopp. Esses jovens, tinham o nacionalismo predominantemente em suas mentes e formavam uma espécie de academia ao ar livre, composta por vinte ou mais membros, dentre estes, Abguar Bastos, De Campos Ribeiro, Bruno de Menezes, Clóvis de Gusmão, Santana Marques, Nunes Pereira, Paulo de Oliveira e Severino Silva.Dirigidos por Bruno de Menezes, que assinava artigos e poemas com o pseudônimo de Berilo Marquesou de Zé Boêmio, o grupo de jovens paraenses que se autodenominou de Vândalos do Apocalipsereunia-se no terraço do Grande Hotel, com a presença animadora de Dejard de Mendonça, Edgar Proença, Eustáquio de Azevedo, Rocha Moreira, José Simões, Muniz Barreto, Elmano Queiroz, Jacques Flores, Nuno Vieira, Lindolfo Mesquita. Assim, surgiu a Associação dos Novose foi fundada a revista BelémNova. A revista parecia se contrapor a tudo o que já havia ocorrido no campo das artes paraenses, seja na linguagem visual, na prosa, no cinema, no teatro e na poesia.”

No artigo, Diálogos do modernismo: de Norte a Sul, as páginas de um novo Brasil de Gidalti O. na Revista Belas Artes [www. febasp.edu.br]

4 08 2020
Avatar de peregrinacultural peregrinacultural

Há também a nota de rodapé:

.”..compositores e letristas locais, ligados ao Teatro de Revista, como presença constante nos folhetos musicais da Guajarina, tais como Emílio Albim, Raimundo Pinto de Almeida, Travassos de Arruda, Cirilo Silva, Tó Teixeira, Edilberto Domont, Elmano Queiroz, além dos pianistas Gentil Puget e Waldemar Henrique.”

Na tese: A questão do popular na música da Amazônia paraense da primeira metade do século XX, de Antonio Maurício Dias da Costa, que você pode achar aqui: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0020-38742016000100086&script=sci_arttext
que aborda a atividade musical de artistas paraenses da primeira metade do século XX.

É provável que tenha falecido. Mas realmente não encontrei nada sobre o poeta.

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