Lembrando Neruda para nossos tempos

9 04 2020

 

 

Françoise Gilot (França, 1921) The red vest, 1955O colete vermelho, 1955

Françoise Gilot (França, 1921)

 

De tudo isso, amigos, surge uma lição que o poeta deve aprender dos outros homens. Não há solidão inexpugnável. To­dos os caminhos levam ao mesmo ponto: a comunicação daquilo que somos. E é preciso atravessar a solidão e a aspereza, a incomunicação e o silêncio para chegar ao recinto mágico no qual podemos dançar torpemente ou cantar com melancolia: mas nesta dança ou nesta canção estão consumados os mais antigos ritos da consciência, da consciência de ser homens e de crer num destino comum.

 

Em: Discurso de Pablo Neruda ao ganhar o Prêmio Nobel de Literatura, 1971

 

 





Imagem de leitura — Peter Samuelson

9 04 2020

 

 

 

Peter Samuelson, Michael Rothwell and Bridget in the garden with my dog Muffin at Phillimore Gardens, Kensington. Oil on board, 63 x 92cmMichael Rothwell e Bridget no jardim com meu cachorro, Muffin nos Jardins Phillimore, em  Kensington

Peter Samuelson (Grã-Bretanha, 1912 – 1996)

óleo sobre placa, 63 x 92cm





Visita a Argel, texto de Kaouther Adimi

8 04 2020

 

 

Geo Sipp (EUA, contemporâneo) Milk Bar, AlgiersMilk Bar, Algiers

Geo Sipp (EUA, contemporâneo)

sketch preliminar

 

 

“Assim que você chegar à Argel, será preciso pegar uma série de ladeiras, subir e, em seguida, descer. Você vai dar na rua Didouche-Mourad, atravessada tanto por muitas ruelas como por uma centena de histórias, a alguns passos de uma ponte partilhada por suicidas e apaixonados.

Será preciso descer mais, afastar-se dos  cafés e dos bistrôs, das lojas de roupas, dos mercados de frutas e legumes, rapidamente, prosseguir, sem parar, virar à esquerda, sorrir para um velho florista, encostar-se por algum tempo em uma palmeira centenária, não prestar atenção no policial que vai dizer que é proibido, correr atrás de um pintassilgo junto com um monte de meninos e ir parar na praça do Emir Abd el-Kader. Talvez você não repare no Milk Bar, pois a fachada foi reformada recentemente e, de dia, a placa é pouco visível: o azul quase branco do céu e o sol ofuscante embaralham as letras. Você observará algumas crianças escalando o pedestal da estátua de Abd el-Kader, sorrindo largo, posando para seus pais, que estão prontos a postar suas fotos nas redes sociais. Haverá um homem fumando ao pé de uma porta, lendo o jornal. Será preciso cumprimentá-lo e trocar algumas palavras educadas antes de dar meia-volta, sem se esquecer de dar uma olhadela para o lado: o mar prateado que brilha, o grito das gaivotas, de novo o azul quase branco. Será preciso seguir o céu, esquecer os prédios que se querem parisienses e passar ao lado do Aéro-habitat, uma muralha de concreto que domina a cidade.”

 

Em: As verdadeiras riquezas, Kaouther Adimi, tradução de Sandra M. Stroparo, Rio de Janeiro, Radio Londres: 2019, pp:9-10





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

8 04 2020

 

 

 

JOSE LIMA (1910-1980). Legumes, Cesta, Garrafão e Panela sobre a Mesa, óleo stela, 65 X 81Legumes, Cesta, Garrafão e Panela sobre a Mesa

José Lima (Brasil, 1910 -1980)

óleo sobre tela, 65 X 81cm





Nossas cidades — São Paulo

7 04 2020

 

 

 

EDSON SOUZA - Av. Prestes Maia SP, ast, 50x70cm, assinado.Avenida Prestes Maia, SP

Edson Souza (Brasil, contemporâneo)

acrílica sobre tela, 50 x 60 cm





Não te rendas, poema de Mario Benedetti

6 04 2020

 

 

arne westerman (EUA, 1927-2017)Leitura no sofá

Arne Westerman (EUA, 1927 – 2017)

 

 

Não te rendas

 

Mário Benedetti

 

Não te rendas, ainda estás a tempo

de alcançar e começar de novo,

aceitar as tuas sombras

enterrar os teus medos,

largar o lastro,

retomar o voo.

 

Não te rendas que a vida é isso,

continuar a viagem,

perseguir os teus sonhos,

destravar os tempos,

arrumar os escombros,

e destapar o céu.

 

Não te rendas, por favor, não cedas,

ainda que o frio queime,

ainda que o medo morda,

ainda que o sol se esconda,

e se cale o vento:

ainda há fogo na tua alma

ainda existe vida nos teus sonhos.

 

Porque a vida é tua, e teu é também o desejo,

porque o quiseste e eu te amo,

porque existe o vinho e o amor,

porque não existem feridas que o tempo não cure.

 

Abrir as portas,

tirar os ferrolhos,

abandonar as muralhas que te protegeram,

viver a vida e aceitar o desafio,

recuperar o riso,

ensaiar um canto,

baixar a guarda e estender as mãos,

abrir as asas

e tentar de novo

celebrar a vida e relançar-se no infinito.

 

Não te rendas, por favor, não cedas:

mesmo que o frio queime,

mesmo que o medo morda,

mesmo que o sol se ponha e se cale o vento,

ainda há fogo na tua alma,

ainda existe vida nos teus sonhos.

Porque cada dia é um novo início,

porque esta é a hora e o melhor momento.

Porque não estás só, por eu te amo.





Domingo, um passeio no campo!

5 04 2020

 

 

 

Volpi - Paisagem - óleo sobre madeira - Assinado no canto inferior esquerdo e no verso. 30 x 21,5 cmPaisagem

Alfredo Volpi (Itália-Brasil, 1896 – 1988)

óleo sobre madeira,  30 x 21 cm





Flores para um sábado perfeito!

4 04 2020

 

 

 

AUREA BERTACCHINI (de souza Paiva Brasil, 1946) - Cesto com Flores óleo sobre tela, 70 x 90 cm. Assinado no canto inferior direito.Cesto com Flores

Aurea Bertacchini [de Souza Paiva] (Brasil, 1946)

óleo sobre tela, 70 x 90 cm





Rio de Janeiro, um parque à beira-mar

3 04 2020

 

 

WAMBACH, Georges (1902 - 1965) Paquetá, o.s.t. - 88 x 145 cm. Ass e dat 1943Paquetá [Ilha], 1943

Georges Wambach (Bélgica – Brasil, 1901 – 1965)

óleo sobre tela, 88 x 145 cm





Imagem de leitura — Frederic Clay Bartlett

2 04 2020

 

 

VIGAS AZUIS, 1916, Frederic Clay Bartlett, American, 1873–1953, ost, 71× 76 cmVigas azuis, 1916

Frederic Clay Bartlett (EUA, 1873–1953)

óleo sobre tela, 71× 76 cm

The Art Institute, Chicago