Cais, poesia de Cid Silveira

13 08 2019

 

 

 

TOZZI, CLAUDIO (1944) Trabalhador Cais Acrílica s tela Ass. e datado 79, cid Ass., titulado e datado 1979, no verso 120 x 120 cmTrabalhadores no Cais, 1979

Cláudio Tozzi (Brasil, 1944)

acrílica sobre tela, 120 x 120 cm

 

 

Cais 

Cid Silveira

 

 

Na faina do porto gemia o guindaste,
jogando no pátio de pedras, de chofre,
a mercadoria pendendo-lhe da haste,
dezenas de sacos de pedra de enxofre.

Os trabalhadores das docas, externos,
não usam camisa, mas faixa na ilharga.
Trabalham nas furnas do pior dos infernos,
porões tenebrosos dos buques de carga.

O ar a empestado, sufoca; dá nojo
o pó amarelo, pesado, que dança
por cima dos homens que arrancam do bojo
do barco esse enxofre que ao porto se lança.

E o porto, ressoante de silvos, é teatro
de cenas medonhas, protestos, clamores!
Mas como o cargueiro sairá logo às quatro,
prossegue o trabalho dos estivadores.

Gaivotas inquietas esvoaçam à tona
das águas oleosas do estuário parado.
E finda o serviço só quando, com a lona,
se cobre o profundo porão esvaziado.

Mas logo no dia seguinte, de novo
começa o trabalho, com pragas e cantos.
É heróica a existência dos homens do povo,
dos trabalhadores das docas de Santos.

(1910)





Imagem de leitura — Albert Marquet

12 08 2019

 

 

 

Interior, Hesnes, Norway , 1925, Albert Marquet (França, 1875 - 1947), Oleo sobre telaInterior, Hesnes, Noruega , 1925

Albert Marquet (França, 1875 – 1947)

óleo sobre tela





Domingo, um passeio no campo!

11 08 2019

 

 

OSWALDO TEIXEIRA,Paisagem de Petrópolis;oleo sobre tela. Ass. loc. Petrópolis inf.esq. 61 x 75 cm. Com carimbo do 8º Salão Paulista de Belas Artes 1948Paisagem de Petrópolis, c. 1948

Oswaldo Teixeira (Brasil, 1905 – 1978)

óleo sobre tela,  61 x 75 cm





“Vou morrer” texto de Martin Page

11 08 2019

 

 

 

d'espagnat, georges, mulher lendo no jardimMulher lendo no jardim

Georges D’Espagnat (França, 1870 – 1950)

óleo sobre tela, 64 x 80 cm

 

 

“Vou morrer, pensou Virgile. E repetiu a frase diversas vezes. O fim estava próximo, ele tinha certeza disso. Um calafrio atravessou-lhe o corpo, da cabeça aos pés. Ele tinha medo da morte, não porque ele não estaria mais por aqui — estava acostumado com o sentimento de ausência do mundo — , mas porque morrer significava tornar-se normal. Cadáveres não têm personalidade. Não era o instinto de sobrevivência, que não suportava a morte, mas um seu espírito de contradição.

Rebaixou a luz e sentou-se no sofá. Seus dedos brincavam pelas asperezas, pelas falhas, pelo desgaste do tecido a circunferência de uma queimadura de cigarro. Ávido por sensações e informações apalpou os objetos a seu redor como Hélène Keller lendo um livro em braile. Tinha vivido sete anos naquele apartamento. Tinha-o marcado assim como o pé transfere sua forma para o sapato. Será que se pode dizer a mesma coisa do mundo?  Com nossa morte, será que a matéria do mundo guardará a nossa marca? Será que os átomos conservarão os contornos de nossos pensamentos? Pelo menos,  pensava Virgile,  o apartamento permaneceria, seus amigos continuaram vivos, seus livros e seus discos seriam adotados por outras pessoas.

Para o jantar, não se voltou para a despensa. Entrou no site do Bon Marché e pediu um verdadeiro banquete, com três garrafas de Mouton-Rotschild.  A cesta lhe chegou em meia hora. A qualidade da refeição neutralizou um pouco as suas considerações sombrias. Ouviu seus vinis prediletos.  Artistas do mundo inteiro de todas as épocas se sucediam na sala para um ótimo concerto em sua homenagem.

Com uma taça de vinho na mão caminhou pelo seu apartamento de dois cômodos com desejo de tocar em cada centímetro quadrado, para deixar marcada ali sua impressão digital. Os deltas, os cristais, os arcosm as curvas e os turbilhões da polpa de seus dedos se fossilizariam. Nenhuma faxina, nenhuma demolição seria capaz de apagar as provas de sua existência. Sues traços se manteriam impressos na penumbra do infinitamente reduzido, à espera dos arqueólogos que um dia os descobririam. Tinha lido uma reportagem sobre as louças da Antiguidade, que ao serem moldadas em argila, girando, gravavam à sua revelia, como num disco, as palavras pronunciadas durante o trabalho. Seu apartamento guardava milhões de microsulcos contendo seus monólogos e suas conversas.”

 

Em: Talvez uma história de amor, Martin Page, tradução de Bernardo Ajzenberg, Rio de Janeiro, Editora Rocco: 2009, páginas 18-19.





Dia dos Pais! Que seja feliz para os nossos leitores!

11 08 2019

 

 

6b8bf21d49b6842a1f98e55736476af6Ilustração Robert T. Barrett (EUA, 1949).




Flores para um sábado perfeito!

10 08 2019

 

 

 

CARLOS OSWALD, (Brasil,1882-1971)Rosas, Óleo s tela, 75 x 92 cmRosas

Carlos Oswald (Brasil, 1882 – 1971)

óleo sobre tela, 75 x 92 cm





Trova do meu gato

9 08 2019

 

 

 

gato com menina Anne_MortimerIlustração de Anne Mortimer.

 

 

O meu gato é meu amigo…

Em casa, na falta dela,

assiste a T V comigo,

do futebol à novela.

 

(Dari Pereira)





Rio de Janeiro, à beira da Guanabara!

9 08 2019

 

 

 

ANGELO BIGI (1891-1953). Cristo Redentor Visto por Santa Tereza óleo s madeira, 24 X 29Cristo Redentor Visto por Santa Tereza

Angeli Bigi (Itália/Brasil, 1891-1953)

óleo s madeira, 24 X 29





Imagem de leitura — Brian James Dunlop

8 08 2019

 

 

 

Brian James Dunlop (Australia, 1938-2009)Jovem em azul,ost, 64 x83Jovem em azul

Brian James Dunlop (Austrália, 1938 – 2009)

óleo sobre tela,  64 x 83 cm





A América no século XX

8 08 2019

 

 

 

Columbia wearing a warship bearing the words World Power as her Easter bonnet, cover of Puck (April 6, 1901). It was published from 1871 until 1918.jpg

Columbia usando um chapéu para a Páscoa com as palavras “Poder Mundial”, na capa da Revista Puck em abril de 1901.  Puck foi publicada entre 1871 e 1918.

 

 

“Nos anos 1950, a América ergueu o globo pelos tornozelos e sacudiu o troco de seus bolsos. A Europa tinha se tornado um primo pobre – só brasões, porém nenhum serviço de jantar. E os indistinguíveis países da África, da Ásia e da América do Sul tinham apenas começado a surgir nas paredes das nossas salas de aula como salamandras ao sol. Certo, os comunistas estavam por lá, em algum lugar, mas, com Joe McCarthy no túmulo e ninguém na Lua, por enquanto os russos apenas se esgueiravam pela páginas do romances policiais.”

 

Em: Regras de Cortesia, Amor Towles, tradução de Léa Viveiros de Castro, Rio de Janeiro, Rocco: 2012, página 9