Batalha naval de Riachuelo, 1883
Victor Meirelles (Brasil, 1832 — 1903)
óleo sobre tela, 420 x 820 cm
Museu Histórico Nacional, RJ
Batalha Naval de Riachuelo aconteceu no dia 11 de junho de 1865, durante a Guerra do Paraguai, no Rio da Prata.
Batalha naval de Riachuelo, 1883
Victor Meirelles (Brasil, 1832 — 1903)
óleo sobre tela, 420 x 820 cm
Museu Histórico Nacional, RJ
Batalha Naval de Riachuelo aconteceu no dia 11 de junho de 1865, durante a Guerra do Paraguai, no Rio da Prata.
Paisagem do Rio de Janeiro com o Palácio Monroe
Manoel Santiago (Brasil, 1897-1987)
óleo sobre madeira, 47 x 57 cm
Desconheço a autoria.
“Livros são ótimos presentes. Primeiro, são economicamente eficientes: decidindo por livros de bolso você pode dar a alguém um mundo inteiro por muito pouco. Segundo, são fáceis de embrulhar. Terceiro, e crucial, são uma maneira brilhante de expressar carinho: casando o recipiente com o livro certo você demonstra o quanto o conhece e o quanto você gosta dele.”
Em: Sarah Crown, Gaudy Night by Dorothy L Sayers – a weighty novel that still thrills, The Guardian, 6 de Janeiro de 2016.
Estamos todos completamente transtornados
Karen Joy Fowler
Rio de Janeiro, Rocco: 2018, 336 páginas
SINOPSE
Rosemary Cooke já teve uma irmã, repentinamente tirada do convívio familiar, e já sofreu o bastante por conta disso. Aos 22 anos, ela acaba de entrar para a Universidade da Califórnia e decide acertar as contas com a sua infância. Autora do bestseller O clube de leitura de Jane Austen, que virou filme e foi publicado no Brasil pela Rocco em 2017, Karen Joy Fowler ganhou o PEN/Faulkner Award e foi finalista do Man Booker Prize com o delicado e perturbador Estamos todos completamente transtornados, em que conta a história de um casal de cientistas que leva às últimas consequências seus experimentos com chimpanzés, na década de 1970. Narrado em flashback pela filha caçula dos Cooke, Rose, o romance, que também figurou na prestigiada lista anual de livros notáveis do jornal The New York Times e recebeu resenhas elogiosas dos principais veículos internacionais, escancara as fragilidades do comportamento humano e das relações familiares, com doses iguais de humor e amargura.
Vista da ilha de Porquerolles
Albert Marquet (França, 1875 – 1947)
óleo sobre tela, 33 x 41 cm
Engana-se quem se aproximar de O circulo dos Mahé pensando em encontrar Inspetor Maigret solucionando crimes. Este é um dos romances de Georges Simenon chamados “dur” [Duros] , em geral desconhecidos no Brasil, mas que ajudaram a caracterizar o autor como um dos grandes escritores de língua francesa do século passado. Quase um conto, a história não ocupa mais do que 120 páginas, — traduzido por André Telles, e traz com ela o espírito de pós-guerra europeu, um mundo sem grandes esperanças, cinzento e amargo. Passado no final da década de quarenta — originalmente publicada em 1946, Simenon retrata um homem de trinta e cinco anos, que hoje seria jovem, mas na época considerado maduro. Médico, com família: esposa, filhos e mãe dominadora que tudo decide por ele. Um homem de espírito fraco, introvertido, que preenche o papel para o qual foi preparado e ordenado por sua mãe.

Dr. François Mahé constrói sistematicamente e sem entusiasmo uma clínica medianamente próspera. Parte deste sucesso inclui férias anuais para a família, na costa mediterrânea. Certa vez passam o período de folga em Porquerolles, ilha ao sul da França. O verão lá é quente, o ar não se move, o sol inclemente. O local não é aprazível, mesmo assim, ano após ano ele e a família retornam, porque na primeira visita, a que abre o texto para nós, Dr. Mahé é confrontado com o que não espera, com a vida como outros vivem. Chamado para atender uma mulher à beira da morte, Dr. Mahé se encanta com a filha desta paciente, meninota ainda, adolescente, que se transforma em mulher com a passagem dos anos e repetidas férias em Porquerolles. A atração que sente é controlada e fantasiosa. Tenta, sem sucesso, macular a imagem da moça em sua mente ao sugerir que o sobrinho a conquiste. Mas ela é mais do que um fascínio, ela acentua, para ele e para nós leitores, seu próprio descontentamento com o casamento, desagrado com cotidiano, monotonia e tédio da vida social e enfado com a profissão. Depois da morte de sua mãe esses sentimentos parecem voltear em espiral a seu redor. Até que uma decisão é tomada. Surpreendente mas lógica.
George Simenon
A arte de Georges Simenon está no poder de síntese, na narrativa que mostra e não rotula, no retrato psicológico feito pela ação ou marasmo de seus personagens. Nada é extra, não há cena descartável. E no fim de uns poucos parágrafos temos toda angústia do personagem, a carência de sentimentos, o acanhamento de decisões, o dissabor com a vida, o confinamento do homem na família e nos poucos amigos, a asfixia das obrigações. É um drama existencial. Extremamente forte, O círculo dos Mahé, revela um delicado estudo da alma humana. Belíssimo.
NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem qualquer incentivo para a promoção de livros.
Natureza morta, s/d
Aurélio de Figueiredo (Brasil, 1854- 1916)
(Francisco Aurélio de Figueiredo e Mello)
aquarela sobre cartão
Ilustração de Kate Greenaway, 1910, para o Flautista de Hamelin
Para dar cor aos matizes
da mais bela floração,
humildemente, as raízes
vivem ocultas no chão !
(Cipriano Ferreira Gomes)
Igreja de Nossa Senhora da Conceição, Paty do Alferes, 1965
Virgílio Tenório Filho (Brasil)
óleo sobre tela, 30 x 50 cm
Moça lendo, 1936
Sidney Edward Dickinson (EUA, 1890-1960)
óleo sobre tela
Apesar de bastante conhecido por obras literárias que se tornaram filmes — O Leitor, O Amante, O Fim de semana — só agora li um livro de Bernhard Schlink: A Mulher na escada, traduzido do alemão por Lya Luft e publicado aqui no Brasil, no início de 2018. Contradizendo a crença de que só se torna popular o que não tem qualidade, fiquei encantada: trama interessante, paixões de diversos matizes, complexidade de motivações.
À primeira vista, trata-se de uma disputa de amor: três homens apaixonados por uma mulher. Peter Gundlach, um industrial, pede ao pintor Karl Schwind, que retrate sua esposa, Irene. Na tela Irene aparece nua, descendo uma escadaria. Durante a pintura, à maneira de Pigmaleão, Karl Schwind se apaixona por Irene, que foge e vai morar com ele. No contrato entre os dois homens está a cláusula de que o pintor é obrigado a restaurar a tela se essa se danificar, para que não perca qualidade nem valor. Um advogado é contratado para examinar a questão dos repetidos danos à obra que forçam o pintor a continuamente restaurar o retrato da mulher na escada. Karl Schwind defende que Peter Gundlach danificava a tela propositadamente. O advogado chamado, nosso narrador, que permanece sem nome através da trama, é o terceiro homem a se apaixonar por Irene e só começa a nos contar a história quando muitos anos mais tarde, bem depois do desfecho do caso, ele visita uma galeria de arte e vê o quadro da mulher na escada exposto aos visitantes. Sente-se então tentado a localizar Irene e quando o faz, refletem juntos sobre o passado. A história é concluída de maneira coesa, complexa e inesperada. A trama é admiravelmente desenvolvida, em ritmo envolvente e em poucas páginas.

A mulher na escada, para mim, não parou aí. O desenrolar da história, a complexidade dos temas e o acerto de contas final com exposição de traições em um passado longínquo, lembram-me a obra prima de Sándor Márai, As brasas, mas em prosa mais leve e dinâmica. Diferente deste último, o livro de Bernhard Schlink cai como uma luva nos arquétipos descritos e desenvolvidos pelo psiquiatra Carl Jung. Irene é uma sedutora que desliza de um relacionamento ao outro. Usa da sexualidade. E, escorregadia, não se compromete mantendo a independência como pode. Goza de poder, fascina e amedronta. “Ela sabia se controlar, sabia se impor. Não me ocorria nada que pudesse leva-la a matar. Mesmo que seu segundo marido a visse apenas como um troféu, como o primeiro, mesmo que seu amante seguinte tivesse querido usá-la novamente, se o chefe cujos avanços ela recusara a tinha rebaixado de posto, ou o vizinho a havia assediado na escada, Irene teria sabido se defender de tudo isso” [97]. Como a sereia do arquétipo, ela serve de porta de entrada para o inconsciente dos homens que fascina. Cada qual irá fantasiar sua existência com Irene de maneira diferente. Mas ela se preserva, como o ser sobrenatural que enfeitiça, ela escapa ilesa de todos os relacionamentos.
Bernhard Schlink
Como se não bastasse, Bernhard Schlink, aborda temas feministas, como a visão masculina da mulher como objeto, e também nos faz pensar sobre os direitos legais de uma obra de arte. Este é um livro que abre muitas portas para uma boa discussão, da mitologia grega ao feminismo, da psicologia aos direitos das obras de arte: a quem pertencem? Schlink não oferece soluções, mas brilha no levantar das questões. Uma excelente e rápida leitura.
No final do livro, há uma nota do autor, em que Schlink admite ter-se inspirado na obra Ema, [Descendo a escadaria] do pintor alemão Gerard Richter. Cuja imagem coloco abaixo:
Ema, descendo a escadaria, 1966
Gerard Richter (Alemanha, 1932)
óleo sobre tela, 200 x 130 cm
Museu Ludwig, Colônia, Alemanha
NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem qualquer incentivo para a promoção de livros.
Hortênsias, 1958
Edgar Oehlmeyer (Brasil, 1909-1967)
óleo sobre chapa de madeira industrializada, 81 x 65 cm