Leitora, 1968
Manfred Neumann (Alemanha, 1938)
óleo sobre tela, 80 x 60 cm
Leitora, 1968
Manfred Neumann (Alemanha, 1938)
óleo sobre tela, 80 x 60 cm
Retrato de Stella Mary Burdett
Harold Harvey (GB, 1874 – 1941)
óleo sobre tela, 51 x 40 cm
É muito interessante perguntar ao Google quais são os 10 livros mais lidos no mundo. Dependendo da língua que usamos para fazer a pergunta as respostas diferem um pouco. Mas, é claro, há alguns pontos em comum. O mais claro é a leitura da Bíblia, que aparece quase sempre em primeiro lugar. (Estou falando aqui do mundo ocidental)
nº – 10 — O diário de Anne Frank, Anne Frank
nº – 9 — Pense e enriqueça, Napoleon Hill
nº – 8 — E o vento levou, Margaret Mitchel
nº – 7 — Saga do Crepúsculo, Stephenie Meyer
nº – 6 — O código Da Vinci, Dan Brown
nº – 5 — O alquimista, Paulo Coelho
nº – 4 — Senhor dos anéis, Tolkien
nº – 3 — Harry Potter, J. K. Rowling
nº – 2 — Citações do Chairman Mao, Mao Tse-Tung
nº – 1 — Bíblia
nº – 10 — As mil e uma noites
nº – 9 — A metamorfose, Franz Kafka
nº – 8 — Senhor dos anéis, Tolkien
nº – 7 — O código Da Vinci, Dan Brown
nº – 6 — O alquimista, Paulo Coelho
nº – 5 — O diário de Anne Frank, Anne Frank
nº – 4 — O pequeno príncipe, Saint-Exupéry
nº – 3 — Cem anos de solidão, Gabriel Garcia Marquez
nº – 2 — Don Quixote de la Mancha, Cervantes
nº – 1 — Bíblia
nº – 10 — Alice nos país das maravilhas, C. S. Lewis
nº – 9 — O Sonho da Câmara Vermelha, Cao Xueqin
nº – 8 — O pequeno príncipe, Saint-Exupéry
nº – 7 — O Senhor dos anéis, Tolkien
nº – 6 — Um conto de duas cidades, Charles Dickens
nº – 5 — Harry Potter, J. K. Rowling
nº – 4 — Don Quixote de la Mancha, Cervantes
nº – 3 — Citações do Chairman Mao, Mao Tse-Tung
nº – 2 — O Corão
nº – 1 — Bíblia
nº – 10 — O senhor dos anéis, Tolkien
nº – 9 — O pequeno príncipe, Saint-Exupéry
nº – 8 — Cinquenta tons de cinza, E. L. James
nº – 7 — O Sonho da Câmara Vermelha, Cao Xueqin
nº – 6 — Harry Potter e a pedra filosofal, J. K. Rowling
nº – 5 — O caso dos dez negrinhos, Agatha Christie
nº – 4 — Hobbit, Tolkien
nº – 3 — O jovem Holden [Semeador de centeio], J. D. Salinger
nº – 2 — O alquimista, Paulo Coelho
nº – 1 — O código Da Vinci, Dan Brown
nº – 10 — O senhor dos anéis, Tolkien
nº – 9 — Escotismo para rapazes, Baden Powell
nº – 8 — Um conto de duas cidades, Charles Dickens
nº – 7 — Trechos selecionados, Mao Tse-tung
nº – 6 — Xinhua Zidian, dicionário do mandarim, Wei Jiangong
nº – 5 — Frases de Mao Tse-Tung, Mao Tse Tung
nº – 4 — Manifesto do partido comunista
nº – 3 — O Corão
nº – 2 — Citações do Chairman Mao, Mao Tse-Tung
nº – 1 — Bíblia
Não há uma listagem confiável. Aqui a listagem é só de vendas. Cada livraria conta suas vendas. Não há interlocução com bibliotecas para levar em conta livros emprestados, como acontece nos países de língua inglesa, francesa e alemã. Talvez porque haja poucas bibliotecas. Uma pena. A lista que encontrei chega a dar dor… mas vejamos estes são os livros mais vendidos desde 2010. Também não sei o quanto é válida. Os editores não colaboram. Estamos cheios de associações de editores, de intelectuais, etc, mas poucos abrem o jogo. Temos uma tradição muito negativa de não divulgar dados. Conhecimento é poder. E quanto menor a área de poder, parece que mais arraigadas as pessoas ficam ao pouco que sabem. A conclusão é que religião vende.
Lista encontrada no Brasil.
nº – 10 — Kairós, Padre Marcelo
nº – 9 — Philia, Padre Marcelo
nº – 8 — O pequeno príncipe, Saint-Exupéry
nº – 7 — Jardim secreto, Johanna Basford
nº – 6 — Ansiedade, Augusto Cury
nº – 5 — Cinquenta tons de cinza, E. L. James
nº – 4 — Ágape, Padre Marcelo
nº – 3 — A culpa é das estrelas, John Green
nº – 2 — Nada a perder 2, Edir Macedo
nº – 1 — Nada a perder 3, Edir Macedo
Natureza morta, 1956
J. U. Campos (Jurandir Ubirajara] (Brasil, 1903 – 1972)
óleo sobre eucatex, 69 x 78 cm
Moça lendo
Gabriel Picart (Espanha, 1962)
óleo sobre tela
Christophe André

Paisagem com igreja em Minas Gerais, 2000
Mauro Ferreira (Brasil, 1958)
óleo sobre madeira, 45 x 70 cm
Vaso com flores
Hanna Henriette Brandt (Alemanha/Brasil, 1923)
óleo sobre tela, 25 x 34 cm
Autorretrato com símbolos de vanitas, 1651
David Bailly (Holanda, 1584 — 1657)
óleo sobre madeira, 65 x 97 cm
Stedelijk Museum De Lakenhal, Leiden
Sem título
IKE, (Alemanha/EUA, 1906-2000)
óleo sobre tela, 92 x 67 cm
Amantes modernos — Não se seduza pelo título, se há amor, está morno. Certamente não há paixão. E há quase nada de moderno. A trama é dedicada à crise de meia idade de três amigos: Elizabeth, Andrew e Zoe. Na juventude, haviam sido quase bem sucedidos no grupo de rock, Kitty’s Mustache, cuja cantora principal, Lydia, mais tarde alcançou algum sucesso cantando solo, mas morreu jovem, de overdose. Passada a juventude, cada qual toma seu caminho longe da música, mas eles se mantêm em contato, morando próximos uns dos outros. Andrew e Elizabeth se casam e tem um filho Harry; Zoe casa com Jane, juntas abrem o restaurante Hyacinth, e têm uma filha, Ruby. Andrew não precisa trabalhar, vem de família rica. Elizabeth, não querendo ser dependente, descobre sua verdadeira vocação e abraça com ardor a corretagem de imóveis. Por isso somos frequentemente lembrados das vantagens do Brooklyn. Emma Straub com a profissão de Elizabeth tem a liberdade de descrever, idealizar e colocar no mapa não só o Brooklyn pós gentrificação, como dar a nova-iorquinos o tentador quebra-cabeças de localizar nas ruas descritas em Ditmas Park, o comércio e os pontos de interesse do local citados no livro; preocupações relevantes unicamente para os leitores familiarizados com a vida do burgo adjacente à Manhattan.
O ponto de conflito ostensivo da trama é gerado por uma produtora que procura permissão de Elizabeth e Andrew para usar a música de maior sucesso de Lydia, em um filme sobre a cantora. A música é de autoria de Elizabeth, que está pronta para permitir seu uso no filme, mas Andrew não acha uma boa ideia. Na mesma rua, mais adiante, onde moram Jane e Zoe, tudo parece indicar que está na hora de um divórcio, porque o relacionamento entre as duas está morrendo. Não há mais eletricidade entre elas. Zoe procura por uma nova moradia e incumbe Elizabeth de achá-la. Neste meio tempo os filhos de ambos os casais começam um caso de amor e sexo. Ruby mais experiente do que Harry apresenta-o às delícias do sexo. Mas o ponto de conflito emocional vem de outras fontes: uma delas é perceber que já não se é tão jovem, quando os filhos aparecem, como se fosse do nada, prontos para vida adulta. Crises de meia-idade se estabelecem. O mais radicalmente afetado é Andrew que procura consolo no centro de ioga recém estabelecido em Ditmas Park, que entre meditação e ioga, oferece rituais, massagens e sucos revigorantes de origem duvidosa. Mas Andrew permanece fiel a Elizabeth, apesar de rodeado pela tentação de jovens de corpos nus à sua volta e do desejo de se sentir jovem.

São muitos os problemas da trama. O ritmo é lento, muito lento. E a escrita é rasa. Problemas triviais que não merecem uma segunda análise abundam. Há detalhes realçando situações comezinhas, muitas dúvidas e resoluções corriqueiras que não merecem atenção. Há uma dezena de pormenores descartáveis, entre eles, o gato chamado Iggy Pop (mesmo nome de um cantor de rock) que aparece com o objetivo de colocar este livro dentro da cena nova-iorquina em voga, de 2016, ano de publicação do livro e também do lançamento do álbum Post Pop Depression do roqueiro. É uma obra cheia de referências locais, do cenário glamoroso de Manhattan e adjacências.
Não é porque os personagens levam uma vida inexpressiva, não é porque o romance entre Ruby e Harry segue os parâmetros normais do final da adolescência que este livro é maçante. Há, na verdade, uma tradição enorme, na língua inglesa, na Inglaterra, de livros em que muito pouco acontece a pessoas bastante comuns com problemas delineados como corriqueiros. Amantes modernos, no entanto, dedica-se à repetição desses momentos, em infinitas variedades, retrata a incapacidade de personagens resolver ou aceitar seus problemas, sem oferecer maior clareza à condição humana como fazem os escritores ingleses dedicados ao gênero como Barbara Pym, Penelope Fitzgerald, Penelope Lively, Anita Brookner entre outros.
Emma StraubCom a leitura de Amantes modernos, tradução de Angela Pessôa, volto a questionar se editores brasileiros leem o que publicam. Este é um livro medíocre, com personagens inexpressivos e trama ordinária. Dedicado a seduzir nova-iorquinos no verão. Já recebeu aplausos variados nas publicações locais e em algumas nacionais. A autora é filha do conhecido escritor de livros de horror Peter Straub. Fato que deve ter contribuído para seu sucesso. Não gostei. E nem deveria ter feito uma resenha. No entanto, este foi o livro escolhido para leitura em fevereiro por um dos meus grupos de leitura. A maioria não gostou. Mas, devo ressaltar que as psicólogas presentes na discussão gostaram bastante da obra e duas outras leitoras se juntaram a elas defendendo o texto como extremamente realista.
Dou duas estrelas no máximo, de cinco possíveis. Elas deram entre três e quatro.
NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem qualquer incentivo para a promoção de livros.
Arranjo Oriental, 2014
Douglas Okada (Brasil, 1984)
óleo sobre tela, 50x70cm
Câmara dos Vereadores de Piracicaba