Desenvolvendo um romance, W. Somerset Maugham

18 12 2017

 

 

 

Claude Andrew CalthropVelhas cartas e folhas secas

Claude Andrew Calthrop (Inglaterra, 1845-1893)

óleo sobre tela

Christopher Wood Gallery, Londres

 

 

“Só consigo escrever algo quando disponho de amplo e sólido cabedal de informações com que trabalhar. Esperava que essa visita me permitisse dar um pouco de forma às profusas impressões que havia colhido e completar a trama que se esboçava vagamente na minha fantasia. Decidi não trabalhar enquanto não estivesse na Índia; até então, brincaria com as ideias que me acudiam ao espírito e trataria de conhecer mais intimamente as criaturas da minha imaginação que deviam tomar parte na narrativa. É esse o setor da atividade do romancista que lhe proporciona o mais puro prazer; não envolve nenhum trabalho e nenhuma responsabilidade ; o exercício fácil e espontâneo da faculdade criadora enche-o de exultação e o mundo inventado por ele é tão real que faz com que o mundo de verdade pareça um tanto vago e nebuloso, tornando-se-lhe difícil levar a sério. Esse mundo do romancista é tão importante e tão rico que ele se sente inclinado a protelar indefinidamente o dia em que, empunhando por fim a pena, terá de quebrar o encanto e permitir que o seu mundo pessoal e completo se perca no mundo comum a toda gente.”

 

 

Em: Assunto pessoal, William Somerset Maugham, Globo: 1959, tradução de Leonel Vallandro, pp 8-9





Imagem de leitura — Yoav Bashan

18 12 2017

 

 

Yoav Bashan, (EUA) leitura, 2007, asm,74 x 60 cmLeitura, 2007

Yoav Bashan (EUA, contemporâneo)

acrílica sobre tela, 74 x 60 cm

 





Domingo, um passeio no campo!

17 12 2017

 

 

BENEDITO LUIZI (1933) Paisagem Serrana, o.s.t., 55 X 46 cm, assinado e datado (1980) no c.i.d.Paisagem serrana, 1980

Benedito Luizi (Brasil, 1933)

óleo sobre tela, 55 x 46 cm





Lendo: William Somerset Maugham

17 12 2017

 

 

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ASSUNTO PESSOAL

William Somerset Maugham

Editora Globo: 1959, 226 páginas

 

SINOPSE

A deflagração da 2ª guerra mundial surpreende Somerset Maugham a viver no conforto de sua principesca Villa Mauresque, em Cap Ferrat, na Riviera francesa. O escritor, como um protegido dos deuses, colhia em vida os generosos frutos da glória literária.

Mas o conflito não o deixa insensível nem inativo. Oferece seus préstimos ao Ministério de informações da Inglaterra e recebe a tarefa de observar o moral das forças francesas e do operariado nas fábricas de munições e armamentos.

Isso lhe dá a oportunidade de ver a guerra por dentro e de acompanhar dia a dia aquele lamentável estado de coisas que conduziu a França à derrota, fazendo descer sobre o mundo civilizado a longa “noite de agonia” a que se referiu Maritain.

Sobrevém a capitulação. Maugham é obrigadoa dispensar a criadagem e a abandonar à própria sorte sua magnífica vivenda em Cap Ferrat, embarcando para a Inglaterra num pequeno navio carvoeiro na companhia de mais quinhentos refugiados.  Que viagem espantosa! Mais de vinte dias sob ameaça dos submarinos alemães, sujeira, desconforto, privações de toda sorte. Momentos trágicos, cômicos e patéticos nessa verdadeira odisseia em busca da velha Albion, a ilha da resistência. Depois: Londres, a blitzkrieg, a fleuma britânica e as durezas de uma guerra impiedosa e sem entranhas, cenas comoventes e heroicas daquela luta que exigiu “sangue, suor e lágrimas”, e o desfilar, diante de nossos olhos, de algumas figuras de dirigentes nacionais, que pertencem à história.

Finalmente, a viagem do autor para os Estados Unidos, onde permanecerá até 1945. A história de uma derrota – a da França – e de uma resistência – a da Inglaterra, contada por um homem vivido e experimentado, eis a matéria deste livro, que constituindo um dos capítulos mais agitados de sua biografia,  William Someset Maugham apresentou, ao público como sendo estritamente pessoal.





Peregrina escolhe os melhores livros do ano

17 12 2017

 

 

Bella e livros, por Anni MorrisBella e livros

Anni Morris (GB, contemporânea, residente na Nova Zelândia)

acrílica sobre tela

 

 

Dezembro,  vem a pergunta: qual foi o melhor livro do ano?

Meu gosto não é o de todos.  Mas pode servir de notas auxiliares para futuras leituras. Sem levar em conta o que li profissionalmente em história da arte e história do mundo ocidental, li até agora, segunda semana de dezembro um pouco mais de 41 livros.  Aqui está a lista dos que me lembrei.  Talvez tenha lido um pouquinho mais, mas o ano foi muito conturbado e nem sempre anotei ou escrevi resenha dos livros.  Sei que abandonei alguns.  Estou ciente de que há mais livros para ler do que tempo, mesmo que vivesse o dobro da minha idade.  Assim, não me desespero, abandono aquilo de que não gosto.

 

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Escolhi 8 livros melhores do ano.  8 de 41… nada mal, 20% de boas leituras.  Isso classifica o ano como muito bom.  A lista é eclética e inclui dois autores brasileiros, dois livros do mesmo autor inglês, um japonês, um português, um italiano e uma canadense.  Selecionei também, um fora de série, em separado,  por não ser ficção literária,  mas talvez uma das mais importantes leituras em anos.

 

A terra inteira e o céu infinito, Ruth Ozeki, livro mágico que reúne um tanto da filosofia oriental com a ficção científica.  Um livro cheio de observações relevantes para a vida e o mundo contemporâneo.  Acredito que seu público seja bastante universal. Resenha aqui.

As irmãs Makioka, Junichiro Tanizaki, clássico da literatura japonesa, tenho certeza de que não é para todos os gostos.  Narrativa lenta como as estações do ano, límpida como a prosa de Eça de Queiroz. Sutil como as artes nipônicas. Não é para todos, mas se você gosta de boa literatura e lê clássicos do século XIX, este é para você. Resenha aqui.

Altos voos e quedas livres, Julian Barnes, uma das mais belas ficções/ensaios sobre o luto.  Traz a marca registrada do autor, que navega dentro e fora do ensaio e da ficção literária com desenvoltura inigualável. Extrema sensibilidade. Resenha aqui.

O pecado de Porto Negro, Norberto Morais a grande descoberta do ano para mim foi este autor português, cuja obra está fortemente influenciada pelos clássicos portugueses e brasileiros.  Uma obra de gosto universal, que à maneira das tragédias gregas, lida com as paixões (boas e más) dos seres humanos. Belas imagens literárias.  Espero ansiosa sua próxima publicação. Resenha aqui.

Deserto, Luís Krausz, com este livro me apaixonei pela literatura deste autor já agraciado com o Prêmio Jabuti. Prosa delicada, memorialista, em pequeno ensaio, de uma passagem da vida de adolescência à adulta, com descrições inimitáveis e delicadas que lembram Proust.  Um joia. Resenha aqui.

Diário da queda, Michel Laub, o impacto emocional deste livro, que é considerado o primeiro de uma trilogia, superou em tudo o que havia lido do autor.  A maneira repetitiva com que narra é muito bem utilizada e na reta final entendemos as razões e o impacto é potente. Muito bom. Resenha aqui.

O papagaio de Flaubert, Julian Barnes, com este livro voltei a me apaixonar por Flaubert e por Julian Barnes. Livro de grande impacto em que perdemos a noção do que é ficção e fato.  Simplesmente maravilhoso. Resenha aqui.

Três cavalos, Erri de Luca, sugerido por uma amiga, este livro surpreendeu pela gentileza com que trata os sentimentos.  Uma pequena obra de grande impacto. Literária. Resenha aqui.

 

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Sapiens: uma breve história da humanidade, Yuval Noah Harari

Recomendo Sapiens, leitura que mudará seu conhecimento do mundo.  Não é ficção literária mas tem imenso valor no seu conhecimento daquilo que nos rodeia.

 

Lista dos livros lidos em 2017, mais ou menos na ordem em que foram lidos.

A terra inteira e o céu infinito, Ruth Ozeki

As irmãs Makioka, Junichiro Tanizaki

Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios, Marçal Aquino

Kafka e a boneca viajante, Jordi Sierra i Fabra

A luz entre oceanos, M. L. Steadman

O tribunal da quinta-feira, Michel Laub

O perfume da folha de chá, Dinah Jefferies

NW, Zadie Smith

A livraria mágica de Paris, Nina George

Notícia de um sequestro, Gabriel Garcia Marquez

O colecionador, Nora Roberts

Partir, Tahar Ben Jelloun

O pecado de Porto Negro, Norberto Morais

A estrada verde, Anne Enright

Assando bolos em Kigali, Gaile Parkin

Os transparentes, Ondjaki

Os novos moradores, Francisco Azevedo

O conto da aia, Margaret Atwood

O amante japonês, Isabel Allende

Sapiens: uma breve história da humanidade, Yuval Noah Harari

Hibisco Roxo, Chimamanda Ngozi Adichie

Matéria escura, Blake Crouch

A vida do livreiro A.J. Fikry, Gabrielle Zevin

Um beijo de Colombina, Adriana Lisboa

Altos voos e quedas livres, Julian Barnes

Três cavalos, Erri de Luca

O papagaio de Flaubert, Julian Barnes

Diário da queda, Michel Laub

Meus dias de escritor, Tobias Wolff

Deserto, Luís Krausz

Bazar Paraná, Luís Krausz

A resistência, Julian Fuks

Desvendando Margaux, Jean-Pierre Alaux e Noël Balen

Kitchen, Banana Yoshimoto

Esse cabelo, Djaimilia Pereira de Almeida

Muitas Coisas que Perguntei e Algumas que Disse,  Rosa Montero

Os Criadores de Coincidências, Yoav Blum

O Ano da Lebre, Arto Paasilinna

O Assassinato de Margaret Thatcher, Hilary Mantel

A vida peculiar de um carteiro solitário, Denis Thériault

Três Vezes ao Amanhecer, Alessando Baricco

 





Flores para um sábado perfeito!

16 12 2017

 

 

 

Flores, 1947.portinari, ost,coleção castro maia.Flores, 1947

Cândido Portinari (Brasil, 1903-1962)

óleo sobre tela

Coleção Raymundo de Castro Maya





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

13 12 2017

 

 

MANOEL SANTIAGO (1897 - 1987) Natureza Morta - Jarra, Frutos e FloresNatureza morta: jarra, frutos e flores

Manoel Santiago (Brasil 1897 – 1987)

óleo sobre tela





Imagem de leitura — Carmen Navarra Pruna

12 12 2017

 

 

 

Carmen Navarra Pruna (Barcelona, 1933)Menina lendo

Carmen Navarra Pruna (Espanha, 1933)

óleo sobre tela





Lendo: Denis Thériault

12 12 2017

 

 

 

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Lendo:

A vida peculiar de um carteiro solitário
Denis Thériault
Casa da Palavra: 2015, 128 páginas

SINOPSE

Cartas, poesia e um amor inesquecível. Bilodo vive a tranquila vida de um carteiro sem muitos amigos nem grandes emoções. Completa diariamente seu percurso de entrega e retorna sempre à solidão de seu pequeno apartamento em Montreal. Mas ele encontrou uma excêntrica maneira de fugir dessa rotina: aprendeu a abrir as correspondências alheias sem deixar rastros e passou a ler as cartas pessoais com as quais se depara. E foi assim que ele descobriu o primeiro grande amor de sua vida: a jovem professora Ségolène, que mantém uma misteriosa correspondência com o poeta Gaston, composta somente por haicais. Instigado pela elegância e simplicidade de seus versos, Bilodo se vê cada vez mais fascinado por essa forma de poesia. Mas quando é confrontado com a perspectiva de se ver privado das cartas de Ségolène, ele precisa tomar uma decisão que pode levá-lo mais longe do que podia imaginar. Talvez seja hora de compor seus próprios poemas de amor. “Peculiar e charmoso com um desfecho bem executado , esta novela traz à mente nada menos do que um Kafka apaixonado” The Guardian”

 

 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem qualquer incentivo para a promoção de livros.





Nossas cidades: Niterói

12 12 2017

 

 

 

SYLVIO PINTO - Ponta da Areia - Niterói, O.S.T, assinado no canto inferior direito, 80x100 cm.Ponta da Areia, Niterói

Sylvio Pinto  (Brasil, 1918- 1997)

óleo sobre tela, 80×100 cm.