Um passeio ao Pão de Açúcar, texto de Pedro Nava

23 03 2017

 

 

Felisberto Ranzini (1881 - 1976) Pão de Açúcar Aquarela 33 x 50 cm.Pão de Açúcar

Felisberto Ranzini (Brasil, 1881-1976)

Aquarela sobre papel, 33 x 50 cm

 

 

“UMA COISA FABULOSA que fiquei devendo ao noivado de minha prima foi a excursão que fizemos ao Pão de Açúcar nos bondinhos aéreos inaugurados em 1912 e 1913. Tinham quatro para cinco anos e eram uma novidade que o Joaquim Antônio queria comparar com os que vira na Europa. Combinou-se o passeio e ele próprio me incluiu no grupo dizendo que “mestre Pedro vai conosco”. Éramos ele, eu, a noiva, tia Candoca e a Mercedes Albano. Para essa coisa meio esportiva que era a ascensão que ia ser feita, vesti meu terno número um, o Joaquim Antônio colarinho duro de pontas viradas, a Maria e a Mercedes grandes chapéus e vestidos escuros, a futura sogra sedas, veludos pretos e uma toque alta de pluma póstero-lateral. Exatamente, pois possuo os retratos tirados nesse dia inesquecível. Lanchamos na Urca — chá, torradas, sanduíches, mineral e para mim, tudo isso e o céu também — gasosa! Subimos depois do por do sol e o acender das luzes da cidade nas alturas do Pão de Açúcar dos ventos uivantes. Não sei dos outros. No cocuruto eu desci um pouco no declive que dá para o maralto, sentei no granito e olhei. Jamais reencontrei coisa igual senão quando, em Capri, subi à casa de Axel Münthe e no dia em que sobrevoei Creta para descer em Heraclion. Estavam presentes todas as cores e cambiantes que vão do verde e do glauco aos confins do espetro, ao violeta, ao roxo. Azul. Marazul. Azurescências, azurinos, azuis de todos os tons e entrando por todos os sentidos. Azuis doce como o mascavo, como o vinho do Porto, secos como o lápis-lazúli, a lazulite e o vinho da Madeira, azul gustativo e saboroso como o dos frutos cianocarpos. Duro como o da ardósia e mole como os dos agáricos. Tinha-se a sensação de estar preso numa Grotta Azzurra mas gigantesca ou dentro do cheiro de flores imensas íris desmesuradas nuvens de miosótis hortênsias — só que tudo rescendendo ao cravo — flor que tem de cerúleo o perfume musical de Sonata ao Luar. Malva-rosa quando vira rosazul. Aos nossos pés junto à areia de prata das reentrâncias do Cara-de-Cão, ou do cinábrio da Praia Vermelha, o mar profundo abria as asas do azulão de Ovale e clivava chapas da safira que era ver as águas das costas da Bahia. Escuro como o anilíndigo do pano da roupa que me humilhava nos tempos do Anglo-Mineiro. Mas olhava-se para os lados de Copacabana e das orlas fronteiras além de Santa-Cruz e o meitleno marinho se adoçava azul Picasso, genciana, vinca-pervinca. As ilhas surgiam com cintilações tornassóis e viviam em azuis fosforescentes e animais como o da cauda seabrindo pavão, do rabo-do-peixe barbo, dos alerões das borboletas capitão-do-mato da Floresta da Tijuca. Olhos para longe, mais lonjainda — e horizontes agora Portinari, virando num natiê quase cinza, brando, quase branco se rebatendo  para as mais altas das alturas celestes azul celeste azur só possível devido a um sol de bebedeira derretendo os contornos as formas e virando tudo no desmaio turquesa e ouro e laranja dos mais alucinados Monets Degas Manets Sisleys Pissarros. Mas súbito veio o negro da noite acabando a tarde impressionista. As luzes se acenderam em toda a cidade mais vivas na fímbria orlando o oceano furioso. Eu nem me lembro como vim rolando Pão de Açúcar abaixo aos trancos e barrancos daquele dia vinho branco…”

 

 

Em: Chão de Ferro: memórias 3, Pedro Nava, Rio de Janeiro, José Olympio:1976, 2ª edição, pp. 129-30.





Hoje é dia de feira: frutos e legumes frescos!

22 03 2017

 

 

 

FLORÊNCIO - Mracujás, bananas e morangos - Óleo sobre tela - 40 x 50

Maracujás, bananas e morangos

Florêncio [José Carlos dos Santos] (Brasil, 1947)

óleo sobre tela, 40 x 50 cm





Nossas cidades: Piracicaba

20 03 2017

 

 

 

Alvaro Sega (Brasil, 1917-1991) Paisagem da rua do Porto, 1974 (Piracicaba), ost,32x40cmPaisagem, da rua do Porto, Piracicaba, 1974

Álvaro Sega, (Brasil, 1917-1991)

óleo sobre tela, 32 x 40 cm

 





Domingo, um passeio no campo!

19 03 2017

 

 

Walter Feder - Quadro á óleo sobre tela representando `Rio Piabanha`, datado de ...., medindo 65 x 41 cmPaisagem com rio Piabanha, 1948

Walter Feder (Brasil, 1909- 1957)

óleo sobre tela, 65 x 41 cm





Imagem de leitura — Aimé Barraud

18 03 2017

 

 

Aime Barraud, la famille de l'artiste,ost, 130.50 x 97.50 cm

A família da artista

Aimé Barraud (Suíça, 1902-1954)

óleo sobre tela, 130 x 97 cm





Em três dimensões: Martin Blank

18 03 2017

 

 

Martin Blank, Fluent Steps, 2008. Hot sculpted glass, steel, overall, 180 x 2160 x 360 inches (2009.19). Photo by Chuck Lysen. Tacoma MuseumFoto:Chuck Lysen.

Passos fuidos, 2008

Martin Blank (EUA, 1962)

Vidro esculpido quente e aço

4,60 x 54 x 9 metros

Tacoma Museum, Washington

 

 

Martin Blank, Fluent Steps, 2008. Hot sculpted glass, steel, overall, 180 x 2160 x 360 inches (2009.19). Photo by Chuck Lysen.

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Flores para um sábado perfeito!

18 03 2017

 

 

Yeddo Titze, OST 1981, 34x26cmFlores, 1981

Yeddo Titze (Brasil, 1935-2016)

óleo sobre tela, 34 x 26 cm

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Imagem de leitura — Josep Duran

18 03 2017

 

 

 

josep-duran-espanha-1849-1928-revendo-um-album-1872-ost-74x-98-museu-nacional-dart-de-catalunya

Revendo um álbum, 1872

Josep Duran (Espanha, 1849-1928)

óleo sobre tela,  74 x 98 cm

Museu Nacional de Arte da Catalunha

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Trova das rosas

17 03 2017

 

 

primavera-no-jardim-vasos-plantas-joseph-b-platthouse-and-garden-1926-03Primavera no jardim, Joseph B. Platt, capa da revista House and Garden, março 1926.

 

 

Mesmo pisando em espinhos

por travessias penosas,

em todos os meus caminhos

farei plantio de rosas!

 

 

(Dodora Galinari)

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Rio de Janeiro, minha cidade natal!

17 03 2017

 

 

 

GOTUZZO, Leopoldo (1887 - 1984) - Arcos da Lapa, o.s.t. - 28 X 32 cm. Assinado datatado 1946Arcos da Lapa, 1946

Leopoldo Gotuzzo (Brasil, 1887-1983)

óleo sobre tela, 28 x 32 cm