Resenha: “A última palavra” de Hanif Kureishi

10 11 2016

 

 

edward-burne-jones-gra-bretanha-1833-1898-georgianaGeorgiana, 1883

Edward Burne-Jones (Inglaterra, 1833-1898)

óleo sobre tela, 76 x 53 cm

 

 

Hanif Kureishi me conquistou, ainda na década de noventa, com The Buddha of Suburbia.  Seu humor rascante pareceu uma nova vertente na literatura inglesa contemporânea, diferente da que eu conhecia.  Nele combinavam típica ironia inglesa e crítica esfuziante desenvolvida por aqueles que sendo de casa ainda conseguem ver a sociedade com os olhos de fora, como acontece com membros da primeira geração pós imigração.  Tempos depois, soube que ele era o autor do roteiro de My Beautiful Laundrette um filme inesquecível.

Desde então me aproximo dos livros de Kureishi com simpatia e corri a ler A última palavra porque achei pela sinopse que a veia irônica do autor seria o tom preciso para gerenciar um tópico fascinante: um escritor jovem, ainda sem uma carreira definida, é chamado por um editor a fazer a biografia de um escritor famoso cujo brilho parece ter-se ofuscado nos últimos tempos.

Imediatamente percebi a riqueza do tópico.  Um jogo de espelhos deveria se desenrolar e como poderia ser revelador!  Uma obra sobre o significado e a criação da arte.  Hanif Kureishi é um desses escritores que fornecem maravilhosas citações. É comum ter frases ou parágrafos de sabedoria salpicadas em seus textos como pérolas de um colar desfeito. E realmente isso se tornou realidade durante essa leitura. Dezenas de pequenos lembretes post-it, coloridos, enfeitam hoje o texto do meu exemplar de A última palavra. Tenho uma enormidade de frases bem humoradas sobre diversos assuntos para uso posterior.  Hanif Kureishi entregou aquilo que sempre beneficiou seus textos: o pensamento crítico, a visão ácida.

 

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Exploramos com ele o confronto entre dois escritores, com projetos de vida diametralmente opostos. Um é velho e famoso.  Seu contraponto é jovem, à procura de fama: simpático e sociável; o oposto do biografado que se esconde do público. Enquanto um necessita bisbilhotar a vida do outro; esse se diverte ao esconder-se atrás de cortinas de fumaça. Ambos são insaciáveis no amor e ambos se representam a si próprios com os atributos do outro.

No entanto, a obra com humor ferino, crítica de costumes singular e retrato do mundo editorial implacável, que tinha potencial de ser inesquecível, não coalesce.  Fica longe do trabalho memorável da minha expectativa.  Ela se arrasta e se perde no caminho.  Entedia.  Não fosse eu uma dedicada leitora deste autor, poderia tê-la deixado de lado sem lástima. O texto é redundante.

 

hanif_kureishiHanif Kureishi

 

Talvez seu maior pecado seja uma trama bastante solta.  Nada prende o leitor. A obra, se fosse de alguém menos conhecido, teria dificuldade de ser publicada.  Pareceu escrita às pressas e sem o cuidado de seus outros livros.  Tem um fim inesperado que quase salva o esforço.  Se você nunca leu um livro do autor, este não deve ser o seu primeiro. Não o representa bem.  Mesmo assim, cheguei até o fim, o que é mais do que muitos livros que me atraem.





Imagem de leitura — Frederick Samuel Beaumont

10 11 2016

 

 

frederick-samuel-beaumont-gb-1861-1954-reverie-1891-ost-121x65cmDevaneio, 1891

Frederick Samuel Beaumont (GB, 1861-1954),

óleo sobre tela, 121 x 65 cm

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Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

9 11 2016

 

 

sergio-telles-berinjelas-oleo-sobre-eucatex-32-x-50-cm-assinado-1973Berinjelas, 1973

Sérgio Telles (Brasil, 1936)

óleo sobre eucatex, 32 x 50 cm





Da vida, texto de Muriel Barbery

8 11 2016

 

 

 

mulher-lendo-em-banco-de-parque-paul-melserMulher lendo em banco de parque

Paul Melser (Nova Zelândia, contemporâneo)

esmalte sobre tela,  61 x 75 cm

 

 

 

“Assim, como se passa a vida? Nós nos esforçamos bravamente, dia após dia, para assumir nosso papel nessa comédia fantasma. Como primatas que somos, o essencial de nossa atividade consiste em manter e entreter nosso território de tal modo que nos proteja e nos envaideça, em escalar, ou pelo menos em não descer a escada hierárquica da tribo, e em fornicar de todas as maneiras possíveis — ainda que como um fantasma — tanto para o prazer como para a descendência prometida. Assim, gastamos parte não desprezível de nossa energia a intimidar ou seduzir, já que essas duas estratégias garantem, sozinhas, a busca territorial hierárquica e sexual que anima nosso conato. Mas nada disso chega à nossa consciência. Falamos de amor, de bem e de mal, de filosofia e de civilização, e nos agarramos a esses ícones respeitáveis como o carrapato sedento ao seu cão bem quentinho.”

 

Em: A elegância do ouriço, Muriel Barbery, São Paulo, Cia das Letras:2008, página, 103. [tradução de Rosa Freire d’Aguiar].

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Eu, pintora: Daphne Charlton

8 11 2016

cdn-bhh-1992-46-jpgself-portrait-by-daphne-charltonAutorretrato

Daphne Charlton (Inglaterra, 1909-1991)

óleo sobre tela

Burgh House & Hampstead Museum

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Quadrinha da rua e dos carros

8 11 2016

 

atravessar a rua, arthur sarnoffIlustração Arthur Sarnoff.

 

 

Observe bem a rua,

Quando for atravessar,

Pois os freios do automóvel

Às vezes podem falhar.

 

 

Em: 1001 Quadrinhas Escolares, Walter Nieble de Freitas, São Paulo, Difusora Cultural:1965

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Nossas cidades: Penha de França

7 11 2016

 

 

inocencio-borghese-1897-1985-rio-aricanduva-penha-1974osm30x40cmRio Aricanduva, Penha, 1974

Innocêncio Borghese (Brasil, 1897-1985)

óleo sobre eucatex, 30 x 40 cm





Imagem de leitura — Louis Guarnaccia

7 11 2016

 

 

guarnaccia-louis-eua1958um-bom-livro-90-x-60-cmUm bom livro

Louis Guarnaccia (EUA, 1958)

óleo sobre tela, 90 x 60 cm

www.louisguarnaccia.com





Esmerado: Nau de Santa Úrsula, c. 1500

7 11 2016

 

 

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Nau de Santa Úrsula, c. 1500

Cumbuca de pedra cornelina, ouro, prata e esmalte

Joalheiro desconhecido, 28 cm de largura

Palais de Tau, Reims

 

 

Essa cumbuca de pedra corneliana montada de maneira elaborada em prata dourada foi originalmente decoração de mesa com a função de sustentar utensílios de mesa.  Foi dada a Rainha Ana da Bretanha pelo prefeito de Tours quando ela visitou essa cidade em 1500.  A tampa tem a forma de uma ponte de navio, que se torna interessante pelas diversas figuras pitorescas de pessoas da corte e soldados. Cinco anos mais tarde, essa peça se tornou um relicário, nesse momento as figuras originais foram trocadas por outras em ouro e prata, representando Santa Úrsula e suas companheiras. (representantes das 11.000 [onze mil virgens que a acompanhavam).

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Lenda de Santa Úrsula.  Santa Úrsula é uma das mais antigas santas cristãs.  É uma das santas mártires. Suas datas estão entre o ano 300 e 600 da Era Comum.   Por causa de sua antiguidade, há diversas variações sobre sua vida.  O que todas as lendas têm em comum: Santa Úrsula viajava acompanhada de algumas pessoas, moças virgens.  Onze companheiras, ou onze mil companheiras.  Sua família deve ter sido de origem romano-britânica ou seja das ilhas britânicas sob domínio romano.  Ela estava noiva de um homem importante e viajava para se encontrar com ele. Infelizmente ela e suas companheiras de viagem foram aprisionadas na cidade de Colônia, na atual Alemanha, onde foram cruelmente massacradas e executadas por se recusarem a casar ou copular com os invasores Hunos (tropas de Átila) nômades da região da Ásia Central que haviam invadido a cidade, no século IV.

Alguns historiadores acreditam que ela fazia uma peregrinação pela Europa em direção a Roma, antes de se casar.  Diz-se também que os navios em que elas viajavam ficaram a mercê de um tempestade encalhando longe do porto de destino.  As sobreviventes foram então presas e brutalmente decapitadas. Mas Úrsula, a líder, dizem que foi assassinada por uma flecha vinda do chefe do Hunos.

O dia de Santa Úrsula continua a ser comemorado no mundo inteiro no dia 21 de outubro, ainda que seu dia tenha sido eliminado dos dias dos santos da Igreja Católica, na reforma de 1969, por causa de dúvidas sobre sua existência.  No entanto, ela continua a ser uma santa popular tendo seguidores em quase todos os países do mundo.

As Ilhas Virgens e o Cabo Virgenes ao sul da Argentina foram nomeados pelas virgens mártires de Santa Úrsula.

 





O gato, poesia de Marina Colasanti

7 11 2016

 

 

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Gato com bola

Vicente Do Rego Monteiro (Brasil, 1899-1970)

óleo sobre tela,  65 X 80 cm

 

 

O Gato

 

Marina Colasanti

 

No alto do muro

pulando no escuro

miando no mato

entrando em apuro

é o gato, seguro.

 

De antigo passado

e jeito futuro

movimento puro

ar sofisticado

é o gato, de fato.

 

Só pode ser gato

esse bicho exato

acrobata nato

que só cai de quatro.

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