Pekka Halonen (Finlândia, 1865-1933)
óleo sobre tela
Museu de Arte Moderna de Espoo, Finlândia
Pekka Halonen (Finlândia, 1865-1933)
óleo sobre tela
Museu de Arte Moderna de Espoo, Finlândia
Cigarra equatoriana ou Zammara smaragdina é uma espécie de cigarras grandes de cor azul-esverdeada brilhante. Como outras cigarras elas produzem um som bem alto e vivem nas florestas tropicais zona do Equador.
Navio de emigrantes, 1939-1941
Lasar Segall (Lituânia/Brasil, 1891-1957)
óleo com areia sobre tela, 230 x 275 cm
Museu Lasar Segall, São Paulo
“Pessoas deslocadas” era o nome que nos davam, desde 1945, e isso era o que éramos, verdadeiramente. Quando você vê bombas caindo em alguns antigos documentários, seja um exército avançando contra outro, aldeias e cidades consumidas por fogo e fumaça, você esquece dos grupos de pessoas no celeiro. Sr. e Sra. Inocente pagaram alto neste século só por estarem ali. Condenados pela história, como os marxistas gostavam de dizer, talvez pertencendo a uma classe social incorreta, um grupo incorreto ou uma religião incorreta – o que seja – eles eram e continuam a ser uma lembrança desagradável de todas as utopias filosóficas e nacionalistas que não deram certo. Com seus trapos e trouxas e seu ar de miséria e desespero, eles vieram em massa do Leste, fugindo do mal sem ideia de para onde estavam indo. Ninguém tinha muito para comer na Europa e aqui estavam os refugiados famintos, centenas de milhares em trens, campos e prisões, molhando pão dormido em sopa aguada, procurando por piolho nas cabeças de seus filhos e grasnando em dúzias de línguas sobre seu horrível destino.
Minha família, como tantas outras, pode ver o mundo graças às guerras de Hitler e a chegada ao poder de Stalin na Europa Oriental. Não éramos colaboradores alemães ou membros da aristocracia, nem éramos precisamente exilados políticos. Peixes pequenos, não decidíamos por nós mesmos. Tudo foi arranjado por nós pelos líderes do nosso tempo. Como tantos outros que estavam deslocados, não tínhamos nenhuma ambição de sair do nosso bairro em Belgrado. Nós gostávamos de lá. Negociações foram feitas sobre esferas de influência, fronteiras foram redesenhadas, a chamada Cortina de Ferro foi baixada, e nós ficamos à deriva com nossos poucos bens. Historiadores ainda estão documentando todas as traições e horrores que nos atingiram como resultado da Yalta e de outras tantas conferências, e o assunto ainda não chegou a seu ponto final.
Como sempre, houve diferentes graus do mal e da tragédia. Minha família não se deu tão mal quanto outras. Milhares de russos que os alemães haviam forçado a trabalhar para eles nas indústrias e fazendas foram devolvidos a Stalin contra a vontade deles pelos Aliados. Alguns foram assassinados, outros mandados para os ‘gulags’ para que não contaminassem o resto da população com novas ideias adquiridas pelo capitalismo decadente. Nossas perspectivas foram melhores. Tínhamos a esperança de acabar nos Estados Unidos, Canadá ou Austrália. Não que isso fosse garantia. Entrar nos Estados Unidos era particularmente difícil. A maioria dos países da Europa Oriental tinha cotas muito pequenas, diferente da Europa Ocidental. Aos olhos dos especialistas em genética e dos políticos da imigração, eslavos do sul não era material étnico altamente desejável.”
Em: “Refugees”, Charles Simic, Letters of Transit: Reflexions on Exile, Identity, Language and Loss, ed. André Aciman, New York, The New Press: 1990, pp. 120-121
Tradução Ladyce West.
Jarro com flores vermelhas, década de 1940
Sylvio Pinto (Brasil, 1918-1997)
óleo sobre tela, 45 x 55 cm
Interior imaginado da Biblioteca de Alexandria, gravura de O.Von Corven.
“A biblioteca de Alexandria foi a maior da Antiguidade. Fundada no século III a. C., teve a missão de recolher ao menos um exemplar de todos os livros escritos no mundo. Setecentos mil rolos e papiros foram protegidos pelas suas paredes! Estava aberta a todas as áreas da poderosa inquietação que nos move a ser e saber mais do que temos sabido e sido. Uma fonte, uma torrente, uma gula de inundar desertos. A biblioteca de Alexandria existiu de verdade. E, tendo sido destruída, é também, até hoje, para quem gosta de livros, um mito. A mãe das bibliotecas. A casa dos sábios.”
Em: “Bibliotecas”, Márcio Tavares D’Amaral, O Globo, 05/09/2015, 2º caderno, página 2.
Albert von Keller (Suíça, 1844-1920)
óleo sobre tela, 18 x 13 cm
Fernando Pessoa (Portugal, 1888-1935) em Onde pus a esperança, 1920.
Pato Donald tem dívidas, ilustração de Walt Disney.