A minha sombra, poema de Pedroso Rodrigues

15 08 2012

Decalcomania, 1966

René Magritte (Bélgica, )

óleo sobre tela

Coleção Particular, Dr. Noémi Perelman Mattis e Dr. Daniel C. Mattis

A minha sombra

Pedroso Rodrigues

Que sombra vacilante e receosa,

De pedra em pedra, ao longo do caminho,

Vem seguindo os meus passos de mansinho,

E para, quando eu paro, cautelosa?

Vê-me partir da terra e corre, ansiosa,

Morre e renasce, à luz do luar de arminho;

Sobre as ondas do mar, como um golfinho,

Corta do meu navio a proa airosa.

Vai onde eu vou, onde eu existo existe;

Afasta-se sutil se a luz da esperança

Afaga o meu olhar; se me vê triste

Vem logo a mim guardar-me noite e dia…

Sombra fiel, quem és, que não te cansa

Ser a sombra da luz que me alumia?

Em: Poemas em sonetos, Pedroso Rodrigues, Rio de Janeiro, Editora do autor: 1933.

Pedroso Rodrigues (Portugal? — Brasil?)

Obras:

Auto Pastoril, teatro, 1903

Bodas de Lia, teatro, 1906

A Cilada, teatro, 1912

Poemas em Sonetos, poesia, 1933


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2 responses

16 08 2012
Avatar de Marly Bin Marly Bin

Gostei do poema. Adorei o Magritte, um dos meus favoritos.

16 08 2012
Avatar de peregrinacultural peregrinacultural

Marly, que prazer! Também gosto muito de Magritte. Na verdade ele foi objeto de muitos dos meus estudos de arte moderna. Aliás todo o Surrealismo belga fez parte da minha tese de mestrado. Bom saber que você gosta dele! Obrigada pelo comentário. um beijinho

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