É a hora de esconder o bico, poesia de Augusto Frederico Schmidt

12 11 2011

É a hora de esconder o bico

Augusto Frederico Schmidt

É a hora de esconder o bico

Entre as penas e adormecer.

É a hora de ficar quieto,

De mergulhar o bico entre as asas

E deixar que sopre

O vento fresco do sono.

É a hora em que as sombras leves

Amadurecem as coisas do mundo,

Em que nos céus desmaiados

Sobem as últimas palpitações

E o fumo da terra.

É a hora da breve doçura.

Quando as árvores, as flores e os pássaros

Principiam a envolver-se na imobilidade

– – –  –  E no silêncio…

Em: Eu te direi as grandes palavras: poemas escolhidos e versos inéditos, Augusto Frederico Schmidt, Rio de Janeiro, José Aguillar:1975.

Augusto Frederico Schmidt  (RJ 1906 – RJ 1965) viveu e estudou na Suíça dos 8 aos 10 anos e, ainda adolescente, começou a trabalhar no comércio do Rio, primeiro como balconista da famosa livraria Garnier e, em seguida, caixeiro viajante. Em 1931, fundou a Editora Schmidt.  Colaborou com os jornais O Globo, Correio da Manhã e A Tarde.


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