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É a hora de esconder o bico
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Augusto Frederico Schmidt
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É a hora de esconder o bico
Entre as penas e adormecer.
É a hora de ficar quieto,
De mergulhar o bico entre as asas
E deixar que sopre
O vento fresco do sono.
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É a hora em que as sombras leves
Amadurecem as coisas do mundo,
Em que nos céus desmaiados
Sobem as últimas palpitações
E o fumo da terra.
É a hora da breve doçura.
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Quando as árvores, as flores e os pássaros
Principiam a envolver-se na imobilidade
– – – – E no silêncio…
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Em: Eu te direi as grandes palavras: poemas escolhidos e versos inéditos, Augusto Frederico Schmidt, Rio de Janeiro, José Aguillar:1975.
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Augusto Frederico Schmidt (RJ 1906 – RJ 1965) viveu e estudou na Suíça dos 8 aos 10 anos e, ainda adolescente, começou a trabalhar no comércio do Rio, primeiro como balconista da famosa livraria Garnier e, em seguida, caixeiro viajante. Em 1931, fundou a Editora Schmidt. Colaborou com os jornais O Globo, Correio da Manhã e A Tarde.







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