Trova do que passa

2 03 2017

 

 

 

comboios-aCartão postal.

 

 

Tudo muda, tudo passa,

neste mundo de ilusão:

vai para o céu a fumaça,

fica na terra o carvão.

 

 

 

(Guilherme de Almeida)

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A máscara, de Ladyce West

26 02 2017

 

 

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Mulher com máscara, 2005

Lucia Helena Redig de Campos (Brasil, 1945)

óleo sobre tela

 

 

 

A máscara

 

Ladyce West

 

 

Máscara?

Que máscara?

Somos todos mascarados.

Cada qual com seu disfarce

Na passarela, no palco,

Na escola, na corte,

No hospital, no bar da esquina,

Na reunião em família,

Na lágrima sem dor.

No Bom Dia! Na Boa Noite!

No “foi bom para você”?

No obrigado ingrato.

Até os super-herois precisam de suas máscaras.

Não me venha com essa de tirar a minha máscara.

Você me reconheceria?

E ao espelho de manhã?

Fazendo a barba.

Tem certeza de que sabe quem está do outro lado?

 

 

©Ladyce West, Rio de Janeiro, dezembro, 2016.




Trova da roleta!

21 02 2017

 

 

 

il_570xn-821886684_j1pzDecoração de garrafa de bebida alcoólica, em cerâmica. Autor desconhecido.

 

 

 

Roleta da vida, espelho

dos enganos que cometo;

ponho as fichas no vermelho

e o destino grita: “Preto” !!!

 

 

(Izo Goldman)





Nunca sei, poema de Alberto Caeiro

17 02 2017

 

 

 

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Marinha com veleiros

Carol Kossak (Polônia 1845 – Brasil 1968 )

óleo sobre tela,  60 x 45,5 cm

 

 

 

Nunca sei

 

Alberto Caeiro

 

 

Nunca sei como é

que se pode achar

um poente triste.

Só se é por um poente

não ter uma madrugada.

Mas se ele é um poente,

como é que ele

havia de ser uma

madrugada?

 

 

Em:Poemas completos de ALberto Caeiro, Mensagem, Fernando Pessoa, Lima, Peru, Los Libros Mas Pequeños del Mundo: 2011, página, 243





Trova da cigana

15 02 2017

 

 

cigana-lendo-palma-stevan-dohanos-untitled-1950Cigana lendo a palma da mão, ilustração de Stevan Dohanos, 1950.

 

 

 

É normal ver a cigana
lendo a sorte de um cliente…
E ela diz que não se engana,
mas engana muita gente!
 –
(Edmar Japiassú Maia)

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Canção, poesia de Mauro Mota

9 02 2017

 

 

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Flautista, 1934

Cândido Portinari (Brasil,  1903-1962)

óleo sobre madeira, 46 x 37 cm

Coleção Particular

 

 

 

Canção

 

Mauro Mota

 

 

Para onde fui? Ou essa

música de onde veio?

Uma flauta divide

a noite pelo meio.

 

 

Em: Antologia Poética, Mauro Mota, Rio de Janeiro, Editora Leitura: 1968, p. 93.





Trova do casamento

2 02 2017

 

soneca-6Dona Maria Cebolácia Carneiro Menezes “Dona Cebola” e Seu Cebolácio Cogumélio da Silva “Seu Cebola” dormindo, © Maurício de Sousa.

 

 

 

– Casamento é mesmo o fim!

diz ela, no seu enfado,

– Quem suspirava por mim

agora ronca ao meu lado!…

 

 

 

(Arlindo Tadeu Hagen)

 

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Trova dos tons de cinza

24 01 2017

 

arte-artista-rpof-pardal-lampadinha-pintura-arte-abstrataProfessor Pardal quer ser pintor, ©Walt Disney.

 

Não deixe que maus momentos

ofusquem seus ideais.

Sobre “velhos” tons cinzentos,

“novas” cores brilham mais.
(Wandira Fagundes Queiroz)

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Trova do passado e do presente

19 01 2017

 

a_very_good_year_04Alberto Vargas, 1946, Calendário Goodyear.

 

 

É preciso ter cuidado

quando a lembrança é frequente:

quem vive para o passado,

não vê passando… o presente!

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Trova da ousadia

5 01 2017

 

 

consegui-ilustracao-de-mauricio-de-sousa-2Sucesso ©Maurício de Sousa.

 

 

Quase finda a travessia,

vendo o marco da chegada

sinto que, sem ousadia

a vida não vale nada.

(Antonio Claret Marques)

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