Quadrinha dos passarinhos cantando

27 05 2012

Capa da Revista House & Garden, de outubro de 1924.

Como é belo ver a planta

que abre flores nos caminhos,

nas horas em que Deus canta

pela voz dos passarinhos!

 –

(José Lucas de Barros)





Quadrinha da família

26 05 2012

Família, ilustração de Arthur Sanoff.

Numa estrada colorida,
ou na trilha empoeirada,
se a família segue unida,
é suave a caminhada.


(Istela Marina)





O mesmo, poema de Fagundes Varela

26 05 2012

Leitora, 1913

Giuseppe Mascarini (Itália, 1877-1954)

óleo sobre tela

O mesmo

Fagundes Varela

Desde a quadra mais antiga

De que rezam pergaminhos,

Cantam a mesma cantiga

Na floresta os passarinhos.

Têm o mesmo aroma as flores,

Mesma verdura as campinas,

A brisa os mesmos rumores,

Mesma leveza as neblinas.

Tem o sol as mesmas luzes,

Tem o mar as mesmas vagas,

O deserto as mesmas urzes,

A mesma dureza as fragas.

Os mesmos tolos o mundo,

A mulher o mesmo riso,

O sepulcro o mesmo fundo,

Os homens o mesmo siso.

E neste insípido giro,

Neste voo sempre a esmo,

Vale a pena, em seu retiro,

Cantar o poeta, mesmo?

Em:Poesias Completas de Fagundes Varela, Rio de Janeiro, Ediouro:1965. Este poema foi originalmente publicado em Cantos do Ermo e da Cidade, 1869.

Luís Nicolau Fagundes Varella, (RJ 1841 – RJ 1871) ou Fagundes Varela, poeta brasileiro e um dos patronos na Academia Brasileira de Letras.

Obras:

  • Noturnas – 1861
  • Vozes da América – 1864
  • Pendão Auri-verde – poemas patrióticos, acerca da Questão Christie.
  • Cantos e Fantasias – 1865
  • Cantos Meridionais – 1869
  • Cantos do Ermo e da Cidade – 1869
  • Anchieta ou O Evangelho nas Selvas – 1875 (publicação póstuma)
  • Diário de Lázaro – 1880




Trova do bombeiro

25 05 2012

Bolinha vai apagar incêndio, ilustração de Marjorie Henderson Buell.

Mesmo quando o fogo o abrasa,
o bombeiro com cuidado,
salva a tudo,numa casa,
por ser sempre bem treinado.

(Clevane Pessoa de Araújo Lopes)





Quadrinha do desafinado

24 05 2012

Cebolinha toca flauta, ilustração de Maurício de Sousa.

Pela vida me foi dado

um conselho em que me alerto:

Antes vir desafinado,

que soluçar no tom certo.

 –

(Miguel Russowsky)





Quadrinha da minha casa

23 05 2012

Casa cor de rosa, ilustração anônima da década de 1930.

O mais doce dos abrigos,

minha casa é uma beleza:

aberta para os amigos,

fechada para a tristeza!

(Coubert Rangel Coelho)





Quadrinha do ócio

22 05 2012

Soneca na rede, ilustração Maurício de Sousa.

Perguntou-me o Joaquim

se do ócio não me canso.

Eu lhe respondi que sim:

que quando canso… descanso.

(José Raimundo Bandeira)





Quadrinha infantil do canário

21 05 2012

Passarinhos na primavera, ilustração Maurício de Sousa.

O canário não cantava,
entretanto, o vendedor,
a quem comprou explicava:
“Não canta, é compositor…”

(César Torraca)





Trova da filosofia das rosas

20 05 2012

Cesto com rosas, cartão postal.

Pude notar, nos caminhos,

mesmo em horas desditosas,

que rosas não têm espinhos;

espinhos é que têm rosas!

(Pedro Ornellas)





Simplicidade, Felicidade… poema de Guilherme de Almeida

20 05 2012

Paisagem com pastora, s/d

Gentil Garcez (Brasil, 1903-1992)

óleo sobre tela, 43 x 60 cm

Simplicidade, Felicidade…

Guilherme de Almeida

Simplicidade… Simplicidade…

Ser como as rosas, o céu sem fim,

a árvore, o rio… Por que não há de

ser toda gente também assim?

Ser como as rosas: bocas vermelhas

que não disseram nunca a ninguém

que têm perfumes… mas as abelhas

e os homens sabem o que elas têm!

Ser como o espaço, que é azul de longe,

de perto é nada… Mas quem o vê

— árvores, aves, olhos de monge —

busca-o sem mesmo saber porquê.

Ser como o rio  cheio de graça,

que move o moinho, dá vida ao lar,

fecunda as terras… E, rindo, passa,

despretencioso, sempre a cantar.

Ou ser como a árvore: aos lavradores

dá lenha e fruto; dá sombra e paz;

dá ninho às aves; ao inseto, flores…

Mas nada sabe do bem que faz.

Felicidade– sonho sombrio!

Feliz é o simples que sabe ser

como o ar, as rosas, a árvore, o rio:

simples, mas simples sem o saber!

Em: Poesia Brasileira para a Infância, de Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1968, Coleção Henriqueta.

Guilherme de Andrade e Almeida (SP 1890- SP 1969) foi um advogado, jornalista, poeta, ensaísta e tradutor brasileiro. Formou-se em direito em 1912, pela Faculdade de Direito de São Paulo.

Obras:

Nós (1917);

A dança das horas (1919);

Messidor (1919);

Livro de horas de Soror Dolorosa (1920);

Era uma vez… (1922);

A flauta que eu perdi (1924);

Meu (1925);

Raça (1925);

Encantamento (1925);

Simplicidade (1929);

Você (1931);

Poemas escolhidos (1931);

Acaso (1938);

Poesia vária (1947);

Toda a poesia (1953).