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Capa da Revista House & Garden, de outubro de 1924.
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Como é belo ver a planta
que abre flores nos caminhos,
nas horas em que Deus canta
pela voz dos passarinhos!
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(José Lucas de Barros)
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Como é belo ver a planta
que abre flores nos caminhos,
nas horas em que Deus canta
pela voz dos passarinhos!
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(José Lucas de Barros)
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Família, ilustração de Arthur Sanoff.–
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Numa estrada colorida,
ou na trilha empoeirada,
se a família segue unida,
é suave a caminhada.
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(Istela Marina)
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Leitora, 1913
Giuseppe Mascarini (Itália, 1877-1954)
óleo sobre tela
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Fagundes Varela
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Desde a quadra mais antiga
De que rezam pergaminhos,
Cantam a mesma cantiga
Na floresta os passarinhos.
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Têm o mesmo aroma as flores,
Mesma verdura as campinas,
A brisa os mesmos rumores,
Mesma leveza as neblinas.
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Tem o sol as mesmas luzes,
Tem o mar as mesmas vagas,
O deserto as mesmas urzes,
A mesma dureza as fragas.
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Os mesmos tolos o mundo,
A mulher o mesmo riso,
O sepulcro o mesmo fundo,
Os homens o mesmo siso.
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E neste insípido giro,
Neste voo sempre a esmo,
Vale a pena, em seu retiro,
Cantar o poeta, mesmo?
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Em:Poesias Completas de Fagundes Varela, Rio de Janeiro, Ediouro:1965. Este poema foi originalmente publicado em Cantos do Ermo e da Cidade, 1869.
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Luís Nicolau Fagundes Varella, (RJ 1841 – RJ 1871) ou Fagundes Varela, poeta brasileiro e um dos patronos na Academia Brasileira de Letras.
Obras:
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Mesmo quando o fogo o abrasa,
o bombeiro com cuidado,
salva a tudo,numa casa,
por ser sempre bem treinado.
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(Clevane Pessoa de Araújo Lopes)
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Pela vida me foi dado
um conselho em que me alerto:
Antes vir desafinado,
que soluçar no tom certo.
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(Miguel Russowsky)
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Casa cor de rosa, ilustração anônima da década de 1930.–
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O mais doce dos abrigos,
minha casa é uma beleza:
aberta para os amigos,
fechada para a tristeza!
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(Coubert Rangel Coelho)
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Soneca na rede, ilustração Maurício de Sousa.–
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Perguntou-me o Joaquim
se do ócio não me canso.
Eu lhe respondi que sim:
que quando canso… descanso.
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(José Raimundo Bandeira)
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O canário não cantava,
entretanto, o vendedor,
a quem comprou explicava:
“Não canta, é compositor…”
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(César Torraca)
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Cesto com rosas, cartão postal.–
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Pude notar, nos caminhos,
mesmo em horas desditosas,
que rosas não têm espinhos;
espinhos é que têm rosas!
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(Pedro Ornellas)
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Paisagem com pastora, s/d
Gentil Garcez (Brasil, 1903-1992)
óleo sobre tela, 43 x 60 cm
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Guilherme de Almeida
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Simplicidade… Simplicidade…
Ser como as rosas, o céu sem fim,
a árvore, o rio… Por que não há de
ser toda gente também assim?
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Ser como as rosas: bocas vermelhas
que não disseram nunca a ninguém
que têm perfumes… mas as abelhas
e os homens sabem o que elas têm!
Ser como o espaço, que é azul de longe,
de perto é nada… Mas quem o vê
— árvores, aves, olhos de monge —
busca-o sem mesmo saber porquê.
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Ser como o rio cheio de graça,
que move o moinho, dá vida ao lar,
fecunda as terras… E, rindo, passa,
despretencioso, sempre a cantar.
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Ou ser como a árvore: aos lavradores
dá lenha e fruto; dá sombra e paz;
dá ninho às aves; ao inseto, flores…
Mas nada sabe do bem que faz.
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Felicidade– sonho sombrio!
Feliz é o simples que sabe ser
como o ar, as rosas, a árvore, o rio:
simples, mas simples sem o saber!
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Em: Poesia Brasileira para a Infância, de Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1968, Coleção Henriqueta.
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Guilherme de Andrade e Almeida (SP 1890- SP 1969) foi um advogado, jornalista, poeta, ensaísta e tradutor brasileiro. Formou-se em direito em 1912, pela Faculdade de Direito de São Paulo.
Obras:
Nós (1917);
A dança das horas (1919);
Messidor (1919);
Livro de horas de Soror Dolorosa (1920);
Era uma vez… (1922);
A flauta que eu perdi (1924);
Meu (1925);
Raça (1925);
Encantamento (1925);
Simplicidade (1929);
Você (1931);
Poemas escolhidos (1931);
Acaso (1938);
Poesia vária (1947);
Toda a poesia (1953).