Trova do sorriso

21 05 2017

 

 

sorria,John AthertonSorria, ilustração de John Atherton, 1948, capa, Saturday Evening Post.

 

 

O sorriso é flor de sebe,

perfume de resedá.

Anima a quem o recebe,

embeleza a quem o dá.

 

(Nair Starling)





Trova do dinheiro

19 05 2017

 

 

ganhar quantoTio Patinhas quer saber quanto vai ganhar, © Estúdios Disney.

 

 

Conhecida e ingênua farsa.

Quem fala mal do dinheiro,

regra geral, nem disfarça…

Corre atrás dele primeiro!

 

(Nair Starling)





Escola de samba, poema de P. Carlos de Araújo

18 05 2017

Baile, s/d

Menase Vaidergorn (Brasil, 1927)

óleo sobre tela, 40 x 60 cm

 

Escola de Samba

P. Carlos e Araújo

Ginga marota

no passo do samba

aí bateria

segura a cuíca

aperta o pandeiro.

Corpos pulando

bamboleando na ponta do pé.

Parada no ar, meia volta,

o couro come.

Cabrocha assanhada

que pula pro lado

e pula pra frente

teu corpo balança

no ritmo quente.

O dia inteiro

trabalhou no tanque

mas de noite é rainha

puxa o passo na quadra,

seus pés, tão rápidos,

não se vêem.

Só poeira

mistura de ginga e suor.

O corpo quente

cabelos soltos

braços polidos

sorriso livre

avermelhado

dentadura branca

saia de chita

pompons azuis.

Depois, a chuva

pancada forte

vendaval

correrias

coreto vazio

cuíca no chão.

Em: O inimigo oculto, P. Carlos de Araújo, Rio de Janeiro, Ed. Gávea: 1988.





Trova do teu mistério

15 05 2017

 

 

namoricos

Envolto neste mistério,

fico, assim, me perguntando

se brincas, falando sério,

ou falas sério, brincando…

 

(Roberto Medeiros)

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Trova das mãos

10 05 2017

 

Bird-Hand-Victorian-GraphicsFairy

 

Mãos falam! … Todos entendem

o seu idioma calado

e até as feras compreendem

a doce fala do agrado.

 

(Heribaldo Gerbasi)

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Trova da chegada do luar

3 05 2017

 

 

noite, Clarence Coles Phillips

Noite, ilustração de Clarence Coles Phillips.

 

 

Ao sentir que a noite nasce,

fecho as cortinas, ligeiro,

pra que o luar não te abrace

sem que eu te abrace primeiro!

 

(Sérgio Bernardo)





Trova do assalto

26 04 2017

 

cops-and-robbers

 

 

 

“A bolsa ou a vida” – eu ouço

e retruco as ironias:

— Que leve as duas, seu moço,

pois ambas estão vazias.

(Roberto Medeiros)

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Os colonos, poesia de Paulo Setúbal

25 04 2017

 

 

GEORGINA DE ALBUQUERQUE (1885 - 1962) - Colheita, o.s.e., 29,5 X 38,5 cm,Colheita

Georgina de Albuquerque (Brasil, 1885 – 1962)

óleo sobre tela, 29 x 38 cm

 

 

Os Colonos

 

Paulo Setúbal

 

Lá vem o dia apontando…

Que afã! Já todos de pé!

Ruidosos, tagarelando,

 

Vão os colonos em bando

Para os talhões de café.

 

À luz do sol que amanhece,

Por montes, por barrocais,

Por toda parte esplandece,

Com sua esplêndida messe,

O verde dos cafezais.

 

Começa o rude trabalho.

Que faina honrada e feliz!

Inda molhados de orvalho,

Flamejam, em cada galho,

Os bagos como rubis.

 

Trabalham.  que ardor de mouro!

Todos derriçam café.

Parece um rubro tesouro,

Que cai numa chuva de ouro,

Dos ramos de cada pé.

 

Ao meio-dia, aos ardores

Do alto sol canicular,

Os rudes trabalhadores,

Ao longo dos carreadores,

Põem-se todos a cantar.

 

Pela dormência dos ares,

Sob estes céus cor de anil,

Cantam canções populares,

Que lá, dos seus velhos lares,

Trouxeram para o Brasil.

 

Aqui, um forte italiano,

Queimado ao sol do equador,

Solta aos ventos, belo e ufano,

Num timbre napolitano,

A sua voz de tenor!

 

Há uma terna singeleza

Nas trovas que um outro diz;

Um rapagão de Veneza

Tem, no seu canto, a tristeza

Das águas do seu país.

 

E uma sanguínea espanhola,

De grandes olhos fatais,

Em baixa voz cantarola

Uns quebros de barcarola,

Magoados, sentimentais…

 

Que cantem! … Essa cantiga

Brotada do coração,

Seja a prece que bendiga

A terra que hoje os abriga,

A pátria que lhes dá pão.

 

Em: Poesia Brasileira para a Infância, Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1967, Coleção Henriqueta, pp. 56-57.

 

 

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Trova da quermesse

13 04 2017

 

 

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Nos leilões e nas quermesses

das festas de nossa aldeia,

apesar de minhas preces,

foste prenda em mão alheia!

 

 

(Roberto Medeiros)





O nome da gente, poesia Pedro Bandeira

12 04 2017

 

árvore de familia treecarpiÁrvore da família Donald. ©Estúdios Disney.

 

 

O nome da gente

 

Pedro Bandeira

 

Por que é que eu me chamo isso

E não me chamo aquilo?

Por que é que o jacaré

Não se chama crocodilo?

 

Eu não gosto

do meu nome,

não fui eu

quem escolheu.

Eu não sei porque se metem

com um nome que é só meu!

 

O nenê

que vai nascer

vai chamar

como o padrinho,

vai chamar

como o vovô,

mas ninguém vai perguntar

o que pensa

o coitadinho.

 

Foi meu pai quem decidiu

que o meu nome fosse aquele.

Isso só seria justo

se eu escolhesse

o nome dele.

 

Quando eu tiver um filho,

não vou pôr nome nenhum.

Quando ele for bem grande,

ele que escolha um!

 

 

Em: Cavalgando o arco-íris, Pedro Bandeira,  São Paulo, Moderna: 1984, páginas 12-13.

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